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Agosto foi o “pior” mês para o Governo, diz Marques Mendes

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Primeiro foi o aumento da taxa do IMI, depois os números do INE e os incêndios. Governo precisa de “mudar de modelo”, de uma “remodelação”. Sugestões? António Costa, essa “única grande figura deste Governo”, devia ter “um número dois”, para o ajudar a aguentar o barco. Além disso, há ministros que muito provavelmente vão ter sair - o da Economia, o das Finanças e o da Educação. Mas não se julgue que o que está para vir aí é uma catástrofe. Não. De uma coisa Marques Mendes tem a certeza - é que a coligação está aí para durar, de “pedra e cal”, “sólida e segura”

Helena Bento

Jornalista

Agosto foi o “pior mês” para o Governo e isso só não se nota mais porque é verão e as pessoas estão de férias. Foram mais ou menos estas as palavras de Luís Marques Mendes, palavras pouco generosas para com o Executivo português. Mas o pior mês porquê? Ele explica - primeiro foi o aumento da taxa do IMI, depois os números do INE e depois os incêndios - matérias em que o Governo esteve debaixo de fogo cerrado, na mira da oposição. E agora foi rejeição do BCE de oito nomes propostos para a nova administração da Caixa Geral de Depósitos. “Governo foi incompetente e leviano. Não tinha o direito de manchar a imagem destas pessoas ao propor os seus nomes sem ter a certeza de que elas estavam aptas a assumir os cargos”.

As consequências não se farão tardar, considera Marques Mendes, e por isso é necessário “mudar de modelo”, isto é, proceder a uma “remodelação”. O tema não é segredo, é, pelo contrário, “matéria sobre a qual já se conversa em sítios governamentais”. António Costa devia ter um “número dois, com estatuto e peso políticos para coordenar a máquina governativa. É que quando ele está a coisa ainda se compõe, mas quando não está é um desastre”. Costa é, aliás, “a única grande figura deste Executivo”. “Existe o Costa e depois existem os outros 17. É o Costa + 17”.

Esta é a primeira recomendação de Marques Mendes - um número 2 para António Costa. Mas esta “remodelação” obrigará eventualmente a afastar pessoas, ministros, “três ministros” - o da Economia, “porque é boa pessoa mas é um ministro apagado”, o das Finanças, “que nunca foi um ministro forte mas a cada dia que passa está cada vez mais fraco” e o da Educação, Tiago Rodrigues, que é “o elo mais fraco do Governo” e foi, digamos, “um erro de casting”.

Mas o que parece um retrato pessimista é, afinal, apenas uma mera avaliação. Marques Mendes está mais otimista do que as suas palavras fazem crer. Nem as respostas de Catarina Martins na entrevista ao Público publicada na edição deste domingo abalam a sua convicção de que “a coligação está de pedra e cal”. “Geringonça em perigo? Não. Está ainda mais sólida e segura”. Então e as palavras da líder do Bloco? Valem o que valem. “Eles em público exibem divergências, mas mesmo essas divergências são combinadas em privado”. E podemos esperar ainda mais “divergências”, porque faz parte. O que importa é o fim e no fim vai acabar tudo bem. “Bloco e PCP vão aprovar tudo porque não querem uma crise, não querem o PSD no Governo”.

Congresso do MPLA. Declarações polémicas de dirigente do CDS

Luís Marques Mendes, que falava no seu espaço habitual na SIC, foi também convidado a comentar o congresso do MPLA, que decorreu esta semana em Luanda, Angola, e as polémicas em que, do lado de cá, esteve envolvido. Foi a presença de partidos portugueses, que, em alguns casos, e por ser já “habitual”, “não surpreende”, e foram as declarações de um dirigente do CDS, Helder Magalhães, que disse que aquela força política portuguesa está muito mais próxima do MPLA e agora com “muitos mais pontos em comum”.

Marques Mendes não tem dúvidas: trata-se de declarações “politicamente obscenas”, que vêm desmascarar “um certo exercício de oportunismo, de hipocrisia”. O “incómodo” que causaram dentro do partido é, por isso, perfeitamente compreensível. “Foram ultrapassados todos os limites”.

Embora, como dizíamos, a presença de alguns partidos portugueses no Congresso não tenha deixado Marques Mendes “surpreendido”, houve uma presença em particular de que ele não estava à espera, a do CDS, que não só “apareceu pela primeira vez”, como “apareceu para se associar completamente ao partido de José Eduardo dos Santos. Foi mais papista que o papa”.

A relação entre Portugal e Angola deve ser, na opinião do comentador, “de respeito, por um lado, e de cooperação, por outro”. “Devemos cultivar as boas relações, mas manter a coerência apesar de tudo”.