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A O regresso do mito

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Peugeot 208 GTI

FOTO D.R.

TEXTO RUI PEDRO REIS/SIC

Entre os pequenos desportivos, o 205 GTI marcou uma geração e fez com que todos os sucessores da Peugeot acabassem na sombra dessa referência. Mas a história pode vir a mudar. O jornalista Rui Pedro Reis foi conhecer o novo 208 GTI com assinatura da Peugeot Sport. Rotações em alta e ritmo cardíaco a condizer

A primeira vez que saio do 208 GTI ouço logo um comentário: “a tinta acabou a meio da pintura?”. Deu logo para comprovar que o mais vitaminado dos 208 não passa despercebido e causa muitas invejas. A dianteira em preto mate e a traseira vermelha, revelam o espírito desportivo assumido. A Peugeot quis recuperar o espírito do 205 GTI que nos sucessores vinha a perder fulgor. O resultado é um automóvel que a tecnologia atual torna menos purista, mas com enorme precisão e umas ganas que fazem lembrar o Peugeot da década de 80.

208 com 208

Debaixo do capote está o bem sucedido 1.6 da Peugeot que nesta versão debita 208cv, numero a que a engenharia não chegou por acaso. E logo no arranque percebe-se que o GTI é muito rápido. O controlo de tração entra em funcionamento na primeira velocidade, repete a ação na segunda, com o vigor do automóvel a parecer não ter limites. A caixa merecia maior precisão e ser um pouco mais curta, mas nada que estrague a experiência. São 6,5s dos 0 aos 100 que passam num instante.

A sonoridade que invade o habitáculo vem mais do escape que do motor. Os bancos tipo baquet deixam o condutor colado ao lugar, como deve ser. Cedo se percebe que o trabalho da suspensão é vital para aguentar a potência do motor onde a entrada do turbo acontece de forma generosa. Rebaixada em 10mm, transmite qualquer irregularidade da estrada sem pudor. As vias foram alargadas 22mm na dianteira e 18mm na traseira. A isto juntam-se as jantes de 18”. A receita permite um comportamento em curva muito emotivo e com bastante precisão, com o diferencial dianteiro a revelar-se uma peça chave. Claro que é preciso conhecer os limites do carro e da física mas o resultado é demasiado puro e entusiasmante para pôr em palavras. Por momentos, é como se o espírito do 205 GTI aparecesse para dizer olá.

Alma e coragem

Um automóvel como o 208 GTI by Peugeot Sport não é para todos. Já a versão “simples” do 208 GTI, por ser mais discreta, pode agradar a quem dispensa demasiado espalhafato. Depois, há ainda a questão do preço, com a versão de topo a custar mais 3000€ e a aproximar-se dos 30000€. Se bem que talvez seja um dado pouco importante. Afinal, quem procura um automóvel tão pouco racional é capaz de não andar a fazer contas à vida. Por falar em contas, importa falar dos consumos. A ficha técnica refere uns utópicos 5,4 litros. A medição do computador de bordo andou quase sempre entre os 8 e os 9 litros. Mesmo assim, números bem melhores do que aqueles que o velhinho 205 GTI conseguia. Afinal, as novas soluções tecnológicas têm resultados visíveis para lá das prestações e da segurança. O 208 GTI serviu-me também para fazer a pazes com o volante de dimensões reduzidas, que na restante gama 208 sempre me pareceu demasiado pequeno. Aqui, faz todo o sentido. Este é um mercado de nicho, mas as marcas que têm propostas não gostam de perder a corrida. Com a chegada do 208 GTI, há um novo rei da estrada. À hora a termino este texto já tenho saudades do 208. E a viagem acabou sem dores nas costas, o que é um dado digno de registo.