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“Millenials” têm menos sexo que gerações anteriores

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Oli Scarff

Um artigo científico afirma que a geração dos “Millenials"”(nascida entre 1980 e 2000) tem menos atividade sexual que as anteriores. Será? E se sim, porquê?

Há pelo menos duas gerações, a atividade favorita dos adolescentes e jovens adultos era... ter sexo. Nada de novo. Mas um estudo conduzido por investigadores da Universidade da Florida Atlantic, nos EUA, publicado no "Archives of Sexual Behavior", afirma que a atual geração, designada "Millenials" (e nascida entre 1980 e 2000), tem menos sexo do que as gerações anteriores – 15% menos, para sermos precisos. 15% dos jovens entre os 20 e os 24 anos afirmaram não terem parceiro sexual desde os 18. Comparativamente, para os nascidos na década de 60, esse valor situava-se nos 6%.

Mas se a aceitação do sexo antes do casamento é banal entre os Millenials (58% não lhe veem qualquer mal), isso não se traduz em maior frequência de atividade sexual. A antropóloga Helen Fisher explica este facto surpreendente com dois argumentos. O primeiro é a ambição. O facto desta ser uma geração ambiciosa relativamente à carreira leva a que os jovens se foquem nela, em detrimento do sexo e do amor. O segundo fator é serem muito mais cautelosos antes de se envolverem numa relação amorosa. Primeiro porque querem melhorar o seu valor intrínseco como potencial parceiro ("mate value") - e isso está relacionado com o grau de educação adquirida, o salário auferido e o seu "valor social".

Além disso, os "Millenials" olham para o sexo casual e para os "friends with benefits" ("amigos com benefícios") com desconfiança, pois acreditam que ter sexo com alguém os torna mais suscetíveis de se afeiçoarem. Defendem que conduz a relacionamentos, até por causa da oxitocina libertada no momento do orgasmo, que pode trazer consigo sentimentos de ligação.

Também relativamente ao sexo virtual e ao crescimento dos sites de encontros online, isso não se traduz num aumento do sexo real. Fisher, que é também conselheira-chefe do site Match.com, explica que o principal problema é o "overload cognitivo" - ou seja, "o facto de o cérebro não conseguir lidar com tantas opções". Vai mais longe: "Quantas mais pessoas se conhece, menos provável é que se venha efetivamente a sair com algum deles...", defende.

Emn suma: os "Millenials" são mais cuidadosos, mais prudentes, mais esquisitos – e mais ambiciosos. E como a grande maioria é filha de pais solteiros ou divorciados, querem evitar que o mesmo lhes aconteça. O sexo, sabem-no, está à disposição. O que significa que eles lá irão, quando decidirem – se não estiverem a fazer nada mais importante.