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Vinil, versão digital

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FOTO D.R.

Tem muitos discos vinil lá em casa? Com este prato, não só vai ganhar um bom gira-discos como a possibilidade de digitalizar as músicas com uma qualidade acima do CD

Sérgio Magno

Sérgio Magno

Exame Informática

Os discos em vinil estão de volta. Cada vez mais fãs de música estão a recuperar os velhos gira-discos ou a adquirir novos aparelhos para ouvir a “qualidade” da música analógica. Um aspeto, no mínimo, subjetivo, já que há um grande debate sobre as vantagens e desvantagens dos formatos analógicos e digitais. Muitas vezes utilizam-se argumentos falsos, que não passam numa análise minimamente científica. A começar pela noção errada que os métodos analógicos mantêm a “pureza” do som, esquecendo que em cada componente analógico há também um criador de ruído e distorção, por menores que sejam, o que não acontece no digital.

Mas, independentemente das razões que levam as pessoas a ouvir discos em vinil, uma coisa é certa: há muita gente com coleções enormes de músicas neste formato. E muitas incluem raridades, que nem foram editadas em formato digital. E é aqui que entra esta proposta da Sony. O PS-HX500 inclui a capacidade de digitalizar os discos em áudio de alta resolução graças ao conversor analógico/digital integrado. É tudo muito simples de utilizar. Aliás, instalar este gira-discos não levanta qualquer problema se seguirmos os poucos passos do manual: é só encaixar o prato, ligar a correia que liga o prato ao motor, colocar o “tapete” de borracha sobre o prato e aplicar o contrapeso para equilibrar o braço. Depois recorre-se ao cabo USB fornecido para ligar o gira-discos ao computador (PC e Mac) e usamos o software gratuito, que tem de ser descarregado do site da Sony, para fazer a digitalização. Poucos minutos bastaram para estarmos a digitalizar o disco “Circo de Feras”, dos Xunos & Pontapés, editado em 1987.

Qualidade garantida

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A digitalização para Hi-Res Audio permite gravar ficheiros WAV a até 24 bits/192 KHz e DSD (o formato dos Super Audio CD) a até 5,6 MHz. Ou seja, uma definição de áudio máxima muito acima do CD (16 bits/44,1 KHz). Mas só faz sentido gravar nestes modos de topo se a fonte for de qualidade. E, felizmente, é na qualidade de som que este gira-discos mais surpreende pela positiva. É que o aspeto simples, com muito plástico à mistura, não fazia antecipar som Hi-Fi. Mas é o que sai do PS-HX500.

Mesmo esquecendo a componente digitalização – há também saídas analógicas – este é um gira-discos ao nível dos audiófilos. Experimentámos vários tipos de música, e o som foi sempre bastante rico, com grande pormenor em todas as gamas. Outra questão é se vale a pena digitalizar em Hi-Res Audio, já que confessamos não conseguir destrinçar as diferenças entre um ficheiro de 16 bits/44,1 KHz e um ficheiro de 24 bits e 192 KHz. E, obviamente, não é por aumentarmos a definição de gravação que vamos conseguir eliminar os ruídos típicos dos discos mais gastos pelo tempo.

O software oferecido é simples de utilizar e permite gravar vários ficheiros (pistas) a partir de uma única gravação: só temos de criar pontos de referência. Isto significa que é possível digitalizar de uma só vez todo o lado de um disco. Após a digitalização, o software permite-nos introduzir os dados referentes a cada faixa e depois são gerados os ficheiros de áudio propriamente ditos num processo que é bastante rápido, mesmo quando a usar um PC relativamente parco em recursos. Por outro lado, a simplicidade também significa poucas ferramentas. Por exemplo, não há opções para eliminar ruídos ou para converter os ficheiros para outros formatos.