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Mais de meio milhão de euros em multas

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Gregório Cunha/ Lusa

Seis mil coimas desde 2014 aos donos de terrenos que não fazem limpezas. Grande parte dos incendiários detidos tinha taxas altas de álcool no sangue

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Paulo G., o incendiário detido pelos fogos que mataram três madeirenses e destruíram uma parte do Funchal, esta semana, tinha bebido várias cervejas antes de cometer o crime. E não foi caso único. Este ano, um terço dos trinta incendiários detidos pela Polícia Judiciária revelou ter um teor demasiado elevado de álcool no sangue. Uma percentagem superior à do ano passado, em que um quarto dos suspeitos estavam alcoolizados.

Desde 2010, a PJ e a GNR detiveram 570 incendiários, tendo o ano de 2013 batido todos os recordes de prisões: 124. Nos últimos dias, têm-se sucedido os anúncios de detenções. Mas dos 40 detidos em 2016, só um terço ficou em prisão preventiva. Atualmente há 51 incendiários no sistema prisional. Um dos dados mais surpreendentes da PJ é o facto de só uma minoria destes suspeitos ter antecedentes criminais: em 2015, havia seis casos registados e este ano são sete os incendiários com currículo de fogo posto.

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, já admitiu publicamente que o endurecimento das penas aos incendiários é uma questão a considerar “seriamente”. Muitos fogos, garantiu, “nascem às três e quatro da manhã” e “não são por obra do acaso”.

Em declarações ao Expresso, Jorge Gomes, secretário de Estado do mesmo ministério, defende que “é essencial reduzir, de forma muito significativa, o número de incêndios”. E avança com medidas: “Temos de trabalhar em novas soluções de vigilância, incluindo meios tecnológicos, no reforço da fiscalização, na sensibilização para a mudança cultural face ao uso do fogo em algumas regiões e na revisão do regime sancionatório.”

Os incendiários não são a única preocupação das autoridades. Mais de três milhões de propriedades foram já fiscalizadas pela GNR este ano em todo o país. A Guarda, que é desde 2014 a única entidade a fiscalizar a limpeza dos terrenos florestais, já passou desde essa altura seis mil multas aos infratores, que correspondem a uma verba aproximada de 622 mil euros.