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Madragoa não perdoa (quem não a conhece bem!)

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MARIONETAS DO MUNDO Alguns dos 'bonecos' orientais que se podem encontrar no Museu da Marioneta

Da Madragoa às Janelas Verdes, de um museu de bonecos e máscaras a uma esplanada com vista privilegiada para o Tejo, siga a pé por este roteiro que lhe garante um dia bem passado na capital. Porque agosto não são só praias e já muitos sabem que talvez seja o melhor mês para (re)descobrir Lisboa com outro sossego

Marionetas como nós

Aviso à cabeça: este museu não é só para crianças. Muitas das marionetas, máscaras e cenários que ali se encontram são tão ou mais interessantes para adultos. “Interessante” talvez não seja o melhor adjetivo para descrever este museu. Talvez ‘fascinante’ e ‘surpreendente’ sejam melhores expressão. E o jornalista que escreve este roteiro nem é um particular adepto de marionetas. Mas os bonecos e máscaras de todo o mundo que ali se encontram (alguns deles verdadeiras obras de arte) fazem-nos viajar pelas mais variadas culturas e épocas de uma forma que entusiasma. Algumas dessas peças são do sudeste asiático e de África, do colecionador Francisco Capelo que doou algumas centenas. Aceite o conselho e atreva-se a uma visita para tomar contacto com exemplares de excecional qualidade de máscaras e marionetas orientais de Java, Bali, Sri Lanka, Birmânia, Tailândia, Índia, Vietname, China, assim como muitas europeias e brasileiras. Também por lá pode chegar a conhecer a versão de figuras ilustres da nossa sociedade na versão marioneta como Amália ou Mário Soares, Álvaro Cunhal e Ramalho Eanes. Do oriente ao ocidente, da manipulação de fios ao cinema de animação (estão expostos cenários de filmes de animação como “A Suspeita’) renda-se a estes bonecos que muito têm para contar sobre nós e os outros.

Museu da Marioneta. Convento das Bernardas, Rua da Esperança, n° 146. Fecha à segunda feira. De 3ª a domingo, das 10h às 13h e das 14h às 18h. Telefone: 21 394 2810. Site: http://www.museudamarioneta.pt

Uma galeria que é uma joia

Esta é uma galeria de joalharia contemporânea com 18 anos de existência e particular atenção ao detalhe. Onde vale a pena perder tempo e olhar com atenção para cada peça, cada joia, para lhe decifrar a forma, o material, a mensagem, a beleza.
Lá dentro pode encontrar joias para todos os bolsos e situações. Há as peças mais conceptuais e artísticas (e por isso de preço mais elevado), procuradas por colecionadores e compradores exigentes, assim como as joias de design, e outras mais comerciais, de uso quotidiano. A galerista Paula Crespo, com formação em joalharia na escola AR.CO, desde sempre uma apaixonada pela pela boa joalharia descreve a sua galeria como ‘única’, ‘irreverente’, ‘diferente’ e ‘extravagante’. E vimos na galeria inúmeras peças com esse tipo de beleza e particularidade. “Digo extravagante como qualquer coisa que nos atrevemos a usar, sem preconceitos e, portanto, fora dos cânones estabelecidos”. Do que pode ver nesta galeria destacamos a exposição de algumas joias de Sophie Hanagarth, joalheira suíça cujo trabalho joga com as convenções, com a rigidez do pensamento, e com a nossa dificuldade de abertura a algo que se desvia da norma. Sob a denominação de “Joia”, Hanargarth expõe partes escondidas do corpo, tantas vezes consideradas constrangedoras. A utilização de aço, ferro, couro, silicone e estanho remetem para associações masculinas mas, ao moldar as superfícies do material com leveza e suavidade, Hanagarth foca-se na feminilidade. Paula crespo coloca ao pescoço uma joia desta artista feita de centenas de caricas de cerveja que juntas parecem uma cobra. Uma cobra-colar de metal, com forte impacto visual. Outras pulseiras simulam dentaduras humanas. E fazem-nos rir. É claro que esta abordagem humorística, e por vezes erótica, nas suas joias tornam-na uma das joalheiras mais controversas da Europa. “É visitarem, verem e aprenderem sobre o mundo da arte joalheira. É um gosto que se vai infiltrando.”. A galeria encontra-se de momento encerrada para férias. Reabre dia 22 de Agosto.
Galeria Reverso. R. da Esperança, 59-61. Tel. 91 980 91 31. Terça e quinta, das 11h às 19h. Quarta e sexta das 14h às 19h. Sábados por marcação. Site: http://www.reversodasbernardas.com

Com o Tejo no horizonte

O sol está forte e os dias convidam a procurar esplanadas. De preferência com as melhores vistas da cidade. Sugerimos um bar com uma esplanada que garante os melhores pôr-do-sol de Lisboa. Localizado ao lado do Museu de Arte Antiga com uma estrutura em vidro e decoração de design ‘clean’ é uma boa solução para almoçar, jantar ou somente beber um copo. Prove os peixinhos da horta (€3,50), o lombo de atum aveludado com batata doce e alcaparras (€12) ou experimente o prego do lombo em bolo do caco (€10).
Bar Le Chat. Jardim 9 de Abril, Janelas Verdes, Santos. Todos os dias, das 12h30 às 2h. (ao Domingo encerra às 24h)

Ideias que saem da mona

Uma ideia é uma faísca que nos ilumina por dentro. E esta loja, que é também uma galeria, acende um fogo de curiosidade e inspiração a quem a visita. Situada na Rua das Janelas Verdes, em Lisboa, tem objetos de design que nos fazem parar (por vezes comprar), que saem do ‘mais-do-mesmo’ e promovem o trabalho de jovens criadores portugueses. Destaque para as “Memo Bottles”, que são garrafas de água achatadas, de origem australiana (e que podem levar mesmo água, ou vodka, ou gin, porque não?). A de formato A5, custa €24. A de formato A6, custa €22,50. Conheça também a peça “Estendal”, assinada por Nuno Vasa, que pode usar dentro de casa para pendurar casacos ou malas (€225). Os painéis “The Stereotyped Body”, de Marta Afonso, são outra peça invulgar que pode encontrar na Mona, quadros que não só decorativos como servem para aprender mais sobre o corpo humano, por €110.
Patrícia Nunes Pedro resume o conceito do seu espaço: “Aqui não se encontram gifts, mas produtos que tenham uma ideia, um conceito, uma função aliada à sua forma. E ainda temos exposições temporárias de vários artistas.” É passar por lá.
Loja Mona. Rua das Janelas Verdes Santos-o-Velho, 72. Tel. 309944586 De 3ªa sexta, das 11h às 19h, Sábado das 15h às 19h. Reabrem dia 22 de Agosto.

As tentações da arte antiga

De visita obrigatória é sempre o Museu de Arte Antiga que nos mostra como o passado pode ser tão surpreendente e, por vezes, tão atual. Como no caso das “Tentações de Santo Antão” de Hieronymus Bosch. Este ano o museu adquiriu mais uma obra valiosa para a sua exposição permanente, o quadro “A Adoração dos Magos”, de Domingos Sequeira, comprado por muitos portugueses numa campanha de crowdfunding, para todos os verem.
R. das Janelas Verdes, de 2ª a domingo das 10h às 18h. Tel. 21 391 28 00

A tasca que convenceu Lisboa

Honra lhe seja feita, esta foi a primeira tasca moderna na capital a reinventar o conceito de petiscos de tasca. E que colocou as pessoas à mesa a partilharem pratos com gosto e apetite. A decoração é vintage e o serviço simpático.
Taberna Ideal, R. da Esperança, nº 112 e 114. De Quarta a sábado, das 19h30 às 2h. Domingo das 13h30 às 00h30. Tel. 21 39627 44.


Quando o antigo tem muita pinta

Se anda por estas bandas vale a pena espreitar esta loja de objetos e roupa em segunda mão. É como mergulhar no sótão do avô ou no baú da avó. De tanta coisa, destacamos um gira discos que nos cativou especialmente (€250).
Loja Reuse, Rua da Esperança, 24, Santos o Velho. De 2ª a sábado das 11h às 20h. Tel. 961 154 467