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Incêndios: “Há coisas que só quem está no terreno consegue compreender”

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JOSÉ COELHO/LUSA

Ministra da Administração Interna responde assim às críticas relativas à rapidez da resposta no combate aos incêndios em Portugal. Cerca de 2500 bombeiros continuam no terreno a combater mais de 50 incêndios

O incêndio que atinge Préstimo, no concelho de Águeda, já está dominado, garantiu este sábado a ministra da Administração Interna em declarações aos jornalistas. Também no distrito de Aveiro, “o incêndio de Castelo de Paiva está dominado, estamos em caso de rescaldo”, adiantou Constança Urbano de Sousa. “Este concelho viveu momentos muito difíceis, mas foi possível controlar a situação através da atuação dos bombeiros, cujo trabalho foi inexcedível.”

Questionada sobre a gestão do incêndio em Castelo de Paiva (sobre a qual o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Marta Soares, apontou o facto do Governo não ter pedido meios aéreos mais cedo como um “erro estratégico”), a ministra sublinhou: “Há coisas que só quem está no terreno consegue compreender. As decisões são tomadas de acordo com as condições no terreno. Ninguém estava a prever que, com aquele calor, íamos ter ventos de 90 km/h - isso é algo que a capacidade humana não pode prever.”

Constança Urbano de Sousa reforça que os apoios chegaram “logo que foi possível” e que, este ano, houve uma concentração de ocorrências numa parte do território (que obrigou a mobilizar meios para essa região), seguida de uma enorme dispersão. “Era algo que não podíamos prever.”

Relativamente às declarações do ministro da Defesa, que considera inevitável que as Forças Armadas (FA) venham a ter mais meios no combate aos fogos, a ministra garante que as FA não têm neste momento capacidade para tal. “Precisam de ter formação, todo esse trabalho poderá ser feito. As FA têm uma importante função, prevista na Constituição, de apoio à Proteção Civil, mas não podem assumir a função da Proteção Civil.”

Mais de 2500 bombeiros continuam no terreno a combater 57 incêndios

Por volta das 11h30, existiam 57 incêndios florestais em Portugal continental, dos quais 16 no distrito do Porto, nove no distrito de Aveiro e nove em Braga. Os fogos estavam a ser combatidos por 2571 bombeiros, 836 meios terrestres e 13 meios aéreos, segundo a informação divulgada pela Autoridade Nacional de Proteção Civil.

Nuno Andre Ferreira / LUSA

Dos distritos com incêndios ativos, Aveiro é aquele que está a mobilizar mais meios (1356 bombeiros, 434 meios terrestres e seis meios aéreos), albergando dois dos incêndios mais significativos em Portugal continental: o de Águeda (que deflagrou na segunda-feira e encontra-se agora em fase de resolução) e o de Arouca (que já esteve dominado na sexta-feira, mas agora está ativo e a mobilizar 510 operacionais, 163 meios terrestres e seis aéreos).

Em Arouca, o incêndio “tem uma frente com alguma extensão e estamos a preparar a estratégia para atacar essa frente que é numa zona de altitude com dificuldade de acessos significativa”, explicou à Lusa Miguel Cruz, adjunto de operações nacional da Proteção Civil.

Segue-se-lhe Viana do Castelo, cujas sete ocorrências mobilizam 411 bombeiros, 147 meios terrestres e quatro meios aéreos. Viana do Castelo também alberga um dos incêndios mais representativos, em Ponte de Lima, que ainda não está dominado e mobiliza 65 operacionais e 21 meios terrestres.

Já na Região Autónoma da Madeira, bastante atingida pelos incêndios desde segunda-feira, o incêndio na Calheta foi classificado esta noite como estando “em resolução”, segundo avançou à Lusa fonte do serviço de Proteção Civil da Madeira. De acordo com esta fonte, a situação na Madeira “está controlada”, existindo apenas alguns reacendimentos.

Este fim de semana, e especialmente no dia de sábado, mantêm-se “as condições de risco que temos tido ao longo desta semana, com exceção do vento que está mais fraco”, aponta Miguel Cruz. “Isso constitui, de certa forma, menos um fator de agravamento da propagação dos incêndios.” Apesar disso, continuam a existir situações de aviso para temperaturas elevadas. Logo, “a atenção e concentração são máximas, no sentido de tentar que todas as ocorrências que venham a surgir sejam rapidamente controladas.”