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Faro é uma das melhores cidades para os reformados

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Um estudo internacional destaca a capital algarvia como um dos melhores destinos do mundo para os seniores estrangeiros

Marisa Antunes

Jornalista

Quais são as melhores cidades do mundo para se viver consoante a altura da vida em que se está? Quando se lança um negócio, se já se tem família formada ou chegou a fase de gozar a merecida reforma, são diferentes os estímulos, sejam estes fiscais, sociais ou outros, conferidos pelos diferentes países para acolher novos residentes estrangeiros.

Foi este o ponto de partida de um estudo alargado feito pela consultora imobiliária Knight Frank a partir de informação recolhida nos seus 417 escritórios situados em cidades de 58 países dos quatro cantos do mundo. Hong Kong foi eleita a melhor cidade para os empreendedores, Luxemburgo a melhor para as famílias e Sydney lidera os locais para os reformados. É nesta última categoria, a dos seniores, que surge a única cidade portuguesa entre as distinguidas — Faro, que aparece como a 6ª melhor cidade do mundo para quem já entrou na reforma (ver tabelas).

“Muitos dos nossos clientes pedem-nos aconselhamento no momento de relocalizar o seu negócio ou quando estão a comprar uma casa de férias noutro país. Os seus conselheiros fiscais ou gestores de conta podem informá-los sobre os melhores destinos fiscais mas raramente ponderam outros fatores que proporcionam qualidade de vida e garantem o sucesso da mudança para outro país”, explicou Alex Koch, um dos sócios da Knight Frank, que para esta pesquisa trabalhou em parceria com a empresa de auditoria BDO.

58 mil estrangeiros residem no distrito de Faro

O estudo, a partir de vários fatores que incluem o número de horas de sol por ano, o custo do combustível, o número de equipamentos de lazer, entre outros, permite identificar as melhores localizações para diferentes grupos de pessoas. “Enquanto os empreendedores valorizam muito a proximidade ao aeroporto ou o acesso a locais de entretenimento, as famílias têm por prioridade as boas escolas internacionais e a existência de equipamentos desportivos, e os reformados buscam segurança e bons cuidados de saúde”, exemplifica este responsável.

De acordo com a Câmara Municipal de Faro, no Algarve os estrangeiros representam uma fatia de 15% do total dos 435 mil habitantes. Nesta comunidade de 58.246 pessoas, os ingleses são maioritários (10.045), mas há gente de todo o mundo entre brasileiros (7587), alemães (3052), holandeses (2287), chineses (1597) ou franceses ( 2075), entre muitas outras nacionalidades.

“Temos muitas horas de sol por ano, é verdade, mas um clima bom existe em vários pontos do mundo. Para a comunidade estrangeira que habita no distrito de Faro há dois aspetos que são muito valorizados: a segurança — é possível andar nas ruas a qualquer hora do dia despreocupadamente — e os cuidados de saúde, em que se pode contar com três hospitais, um central, que é público, e outros dois privados”, enumera Rogério Bacalhau, presidente da Câmara de Faro.

O aeroporto de Faro, “que permite ligações a Londres em duas horas ou a qualquer outra parte da Europa”, pesou também na seleção da cidade algarvia como um dos melhores destinos do mundo para os seniores. E, claro, a questão fiscal. No estudo da Knight Frank, Portugal surge como um dos nove países onde o regime fiscal é mais favorável para seniores ou profissionais liberais, com sistemas como o regime do Residente Não Habitual (RNH) ou os vistos gold a contarem nessa decisão.

Nota visível deste fenómeno mais recente são os novos residentes que se instalaram na cidade em que se incluem os franceses e os chineses. “Muitos franceses estão a instalar-se aqui atraídos pelas compensações fiscais conferidas pelo regime RNH. Também a pujança económica que chegou aos chineses da classe média é muito importante para nós. Há, portanto, algumas janelas de oportunidade nestes novos públicos que estão a chegar, seja para o turismo ocasional seja para o turismo residencial”, sublinhou o autarca, lembrando que “nem sempre valorizamos aquilo que temos e que nos proporciona grandes potencialidades”.

No ranking apurado no estudo da Knight Frank na categoria dos reformados o top 3 é ocupado por Sydney, Malta e Luxemburgo, cidade que também lidera o grupo das famílias.

Outras cidades bisam nas categorias. É o caso de Dubai, Genebra e Londres que constam nas listas das melhores cidades para os empreendedores e para as famílias. Ou o Mónaco, por exemplo, que surge no top 10 da escolha dos empreendedores mas também com condições ideais para acolher reformados.