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Fogo não dá tréguas no Funchal

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JOÃO HOMEM GOUVEIA / Lusa

A cada hora surge uma frente de fogo a preocupar as autoridades e a assustar a população madeirense. A manhã já esteve má nos Canhas, na Ponta do Sol, nos Lombos, no Funchal, e agora as chamas estão mais a norte do concelho. Com vento forte e temperaturas acima dos 30 graus ninguém arrisca um prazo para dar por controladas as quatro frentes de fogo ativas

Marta Caires

Jornalista

O fogo não dá tréguas na Madeira, há quatro frentes ativas e o Plano Contingência Regional foi acionado depois de uma noite de terror na capital da ilha. A agenda oficial do Governo está cancelada e a preocupação centra-se agora no Monte, na zona dos Lombos, depois do fogo nos Canhas, na Ponta do Sol, ter causado um grande sobressalto. A situação terá entretanto acalmado, mas só algum tempo, já que com o vento e o tempo quente não há garantias de nada.

Não há ainda um balanço oficial aos estragos provocados pelos incêndios.

No Funchal, o fogo espalhou-se para leste e obrigou a evacuação do segundo hospital, o Hospital dos Marmeleiros, de onde foram levados 200 doentes para o hospital central. Duzentas pessoas estão neste momento alojadas no quartel do RG3 e pelo menos seis casas terão sido destruídas. Os números não são oficiais, têm-se alterado muito nas últimas horas, e nas zonas altas do Funchal ninguém está sossegado enquanto o vento continuar a soprar forte.

As autoridades lançaram já um apelo a todos os médicos e enfermeiros para comparecerem no Hospital Central do Funchal, onde algumas dezenas de pessoas foram atendidas por causa da inalação de fumos e com problemas respiratórios. Uma densa nuvem de fumo cobre quase toda a cidade e o cheiro a queimado sente-se mesmo nas zonas distantes dos locais dos incêndios que, neste momento, estão entre São Roque e o Monte.

Em São Roque ouviram-se várias explosões durante a madrugada, provavelmente devido a rebentamentos de garrafas de gás.

As chamas ameaçaram as instalações da Horários do Funchal, empresa de transportes públicos, e foram retirados os autocarros por precaução. Pelo menos um terá sido destruído pelo fogo. Também a estação de transferência da Câmara Municipal do Funchal esteve em risco. Um armazém de pneus foi consumido pelo fogo e seis casas terão sido ficado destruídas, mas todas as contas são para já provisórias.

O incêndio começou esta segunda-feira pouco antes das quatro da tarde em São Roque, na zona alta do Funchal, numa zona mista de casas e floresta. O vento e o tempo quente acabaram por espalhar as chamas. Primeiro para oeste e durante a madrugada para leste. As chamas chegaram a cotas mais baixas e houve pequenos incêndios em vários locais. Nas zonas altas do Funchal ninguém dormiu esta noite.

A maioria das casas nestas zonas está implantada em antigos terrenos agrícolas abandonados e cheios de mato seco, o que terá facilitado a propagação dos incêndios.

Entretanto, a Polícia Judiciária deteve um suspeito por atear o fogo, um homem de 24 anos com antecedentes criminais por fogo posto.