Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Miúdo rebelde

  • 333

Opel Adam Rocks S

Por tradição, um citadino é um automóvel racional, prático e ágil para a condução em ambiente urbano. Uns têm design mais trabalhado que outros, mas poucos se excedem no que diz respeito a prestações. Uma das raras exceções é o Opel Adam Rocks S

TEXTO RUI PEDRO REIS/SIC

Primeiro foi o Adam S a oferecer uma versão mais emocionante do citadino da marca alemã. Depois a Opel foi mais longe e criou o Adam Rocks. Agora, surge este Adam Rocks S que logo à primeira vista se assume como o mais exuberante e que em estrada nunca passa despercebido, até pela sonoridade bem vincada que sai do escape. É como se fosse um pequeno crossover desportivo. Racional? Muito pouco. Mas nem tudo na vida precisa de fazer sentido. O Adam Rocks S não precisa de se preocupar muito com a concorrência, que fica praticamente limitada ao Renault Twingo e ao Fiat 500. Não é que sejam más propostas, mas nestas coisas dos carros emocionais os três têm conceitos diferentes pelo que acabam por conquistar públicos diferentes.

É evidente o trabalho estético no Opel Adam Rocks S. Por fora, o exuberante spoiler traseiro e os detalhes plásticos dão-lhe um ar de rebeldia que continua no interior, com a decoração S no tablier e nas portas e no volante desportivo. Os bancos Recaro são opcionais, mas uma escolha acertada pelo apoio que garantem. E sim, têm estilo.

Debaixo do capot está um motor quatro cilindros 1.4 turbo a debitar 150cv. Sem ser uma brutalidade de potência, é o suficiente para conferir ao Adam uma atitude nervosa e irreverente, como já se tinha percebido na versão Adam S. No Rocks há uma afinação específica da suspensão, nova direção e travões OPC que ajudam a colocar o carro em curva de forma precisa. O controlo de estabilidade foi afinado para este carro com apenas, 3,7m de comprimento. E, para quem gosta de se aventurar, pode ser desligado. As coisas ficam mais divertidas, mas é preciso cuidado para evitar exageros.

Há que assumir. Este género crossover desportivo pode ser uma fórmula difícil de explicar. Mas, como qualquer automóvel com prestações mais radicais, é em estradas sinuosas que se tira o máximo proveito, e gozo, do trabalho de engenharia. Com o Adam Rocks S acontece o mesmo. A fórmula é eficaz. O Adam Rocks S tem a suspensão rebaixada em 15mm face ao Rocks.

O eixo traseiro de torção foi redesenhado. A aceleração é enérgica sem ser vertiginosa. O chassis é preciso mas obriga a algum trabalho de quem está ao volante. Não falta sequer um teto de abrir em lona, coisa que até poderia dispensar, mas que nestes dias de calor não calha nada mal e até ajuda a trazer mais som do motor para dentro do habitáculo.

O lado menos positivo da experiência têm a ver com a rigidez da suspensão, que torna bem evidentes as imperfeições do piso e deixa de lado qualquer ADN crossover. Em estradas mais degradadas convém não ter problemas de costas. Coisa que não costuma afetar a clientela jovem a que se destina o pequeno Adam.

Na linha do que tem acontecido na restante gama Opel, o Adam Rocks S oferece de série o sistema Opel On Star e conectividade com smartphones. Na hora de fazer contas, este Adam mais musculado e desportivo custa perto de 23 000€. É o preço da desportividade e, por isso, não é de esperar ver muitos nas estradas portuguesas. Mas se por acaso se cruzar com um tente reparar na expressão do condutor. O mais provável é que vá a sorrir.