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Fernando Pimenta

O canoísta Fernando Pimenta é a grande esperança nacional para a conquista de uma medalha olímpica. Depois da prata em Londres, esteve afastado meio ano da seleção e chegou a pensar abandonar a modalidade. Está na melhor fase da carreira e não é curto na ambição: quer ser o melhor de sempre no desporto português

Nelson Marques

Nelson Marques

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Jornalista

Luís Barra

Luís Barra

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Fotojornalista

A coisa até parece fácil: rema-se do lado direito, vira-se a pagaia, rema-se do lado esquerdo, rema-se de um lado, rema-se do outro, de um lado, do outro, e assim por aí adiante. Mas para fazer o caiaque deslizar pelo rio a mais de 17 km/h, Fernando Pimenta precisa repetir a mesma lengalenga milhares de vezes por dia, a um ritmo superior a 100 pagaiadas por minuto. Cada uma delas é vigiada atentamente pelo treinador, Hélio Lucas, que segue ao lado num barco semirrígido, para que nada lhe escape: corrige-lhe a postura, a altura a que ataca a água, a forma como encaixa a pagaia. É preciso encontrar o gesto técnico perfeito para que a cada impulso o barco avance mais metros e voe mais depressa para a meta. Nenhum pormenor é deixado ao acaso, todos os milésimos contam: no último Europeu, onde conquistou duas medalhas de ouro individuais (K1 1000 metros e K1 5000 metros), ele e os colegas de K4 (embarcação com quatro tripulantes) ficaram a 108 milésimos do pódio. É muito pouco, mas custou-lhes muito, muito.

É por isso que o canoísta de Ponte de Lima, uma das maiores esperanças portuguesas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, está aqui, junto à Herdade da Cortesia, em Avis, a repetir os mesmos movimentos até à exaustão. É um espetáculo sublime de força e sincronização. Há quatro anos, ele e Emanuel Silva formaram um tandem explosivo que conquistou a única medalha (prata) portuguesa em Londres.

Agora, Pimenta chega ao Brasil com uma meta em mente: a conquista do ouro olímpico na prova individual de 1000 metros, depois do título europeu há um mês em Moscovo. Numa modalidade onde os principais candidatos são do Velho Continente, o feito, inédito em Portugal, reforçou a sua candidatura ao lugar mais alto do pódio. “Vai com a ambição de ser campeão olímpico”, admite o treinador.

Antes de atravessarem o Atlântico, escolheram esta herdade junto à Barragem do Maranhão, no interior alentejano, para as últimas três semanas de preparação. “Queríamos um ambiente mais sossegado e tranquilo, que nos permitisse treinar melhor”, explica Pimenta. O hotel está perfeitamente adaptado à prática do remo e da canoagem, com um pequeno cais de onde saem as embarcações para o rio. E, pormenor muito importante, quase não há rede de telemóvel.

TRANQUILIDADE Pimenta escolheu um refúgio alentejano para a última fase de preparação

TRANQUILIDADE Pimenta escolheu um refúgio alentejano para a última fase de preparação

Por aqui passaram nos últimos anos muitos dos grandes nomes internacionais das duas modalidades, incluindo cerca de um terço dos medalhados no remo em Londres. As paredes do ginásio, onde não faltam máquinas de remo, estão repletas de fotografias autografadas por canoístas e remadores. Também lá está a de Pimenta, que, nos últimos dois anos, estagiou sempre aqui antes das grandes competições. Nesta primeira semana da última etapa de preparação para os Jogos, ele e Lucas são os únicos portugueses hospedados na herdade, que está toda ocupada pela equipa olímpica da Rússia. Os restantes elementos da seleção portuguesa juntam-se apenas nas duas semanas finais.

O dia de treino começa ali mesmo, no ginásio, pouco depois das 9h da manhã. “Os primeiros alongamentos são sempre os que custam mais”, conta o canoísta, que completa 27 anos a 13 de agosto, dois dias antes de entrar em prova no Rio de Janeiro.

Depois, há que descer por um caminho de gravilha até ao rio, colocar o caiaque na água e dar bom uso à pagaia, percorrendo 15 a 18 quilómetros. Hélio Lucas segue ao lado do caiaque, avaliando todos os movimentos com a ajuda de um dispositivo eletrónico que monitoriza vários parâmetros: o número de pagaiadas por minuto, a potência de cada uma, a velocidade da embarcação, a sua inclinação, os tempos conseguidos em cada treino, etc. No final do dia, irá comparar os valores com os obtidos nos últimos quatro anos, analisando o mesmo movimento milhares de vezes. Só assim pode saber se o seu atleta está a melhorar. “Se comparar com os resultados de 2014, nem sequer há comparação possível. Em relação a 2015, ele melhorou muitas coisas, outras manteve. É impossível melhorar tudo.”

Depois de hora e meia na água, Pimenta volta ao ginásio para nova sessão de alongamentos, fundamentais para prevenir qualquer lesão que lhe hipoteque o sonho olímpico. A seguir ao almoço (se comer carne, optará pelo peixe ao jantar), faz uma sesta de duas horas, para dar descanso ao corpo. É que à tarde há mais treino: 90 a 120 minutos de musculação para que não lhe faltem forças, acompanhado por uma banda sonora repleta de temas energizantes dos Buraka Som Sistema, David Guetta ou AC/DC, por exemplo; depois, pedala com a intensidade de um ciclista durante 40 a 80 minutos ou corre 40 a 60 minutos.

Para acelerar a recuperação, recebe uma massagem sempre que possível, sobretudo nos braços e nas costas, as zonas mais castigadas pelo esforço. Todos os exercícios são anotados num diário de bordo que entrega ao treinador no final da época.

Nestas semanas que antecedem os Jogos treina quatro a cinco horas, dia após dia, mas no pico da preparação chega às sete horas. Descanso só nas tardes de quinta-feira e de domingo.

Não restam dúvidas que a vida de um canoísta não é fácil, basta olhar para as mãos e os pés calejados deste atleta. “O Fernando treina duro. Ele gosta, nunca diz que não, mas também é preciso deixar o corpo repousar. Para as cargas pesadas a que é submetido tem de recuperar bem.” Por isso, nunca facilita na hora do descanso: às dez da noite já está na cama.

Mais de metade do ano é passado em estágio. “De abril até agora não devo ter estado mais de sete dias em casa”, garante Pimenta, que vive com os pais e é muito próximo da família. Para estar aqui, a falar sobre a possibilidade de ganhar mais uma medalha olímpica, teve de fazer muitos outros sacrifícios: tem pouco tempo para estar com a namorada, Joana, também ela canoísta, não sai à noite, cuida rigorosamente da alimentação. “Ele é minhoto, gosta de comer, tem muitos problemas com o peso. Tem de estar constantemente a ser controlado. Pesa-se todos os dias”, revela o treinador.

“É duro”, admite o jovem canoísta. A alta competição moldou-lhe um corpo de Homem Vitruviano, mas também o destrói “aos poucos”. Os sacrifícios dele são também, em parte, os do treinador, de 42 anos, que admite viver “efusivamente” a carreira de Pimenta e gere todos os contactos com a imprensa e alguns patrocinadores. “Ainda agora estava a falar com a minha mulher e ela disse-me: ‘Bom, estiveste meia hora a falar do Fernando. Agora fala-me de ti’”.

GINÁSIO Faz 1h30 a 2h de musculação por dia. Gosta de treinar duro, diz o treinador

GINÁSIO Faz 1h30 a 2h de musculação por dia. Gosta de treinar duro, diz o treinador

Um miúdo hiperativo

Fernando Pimenta tinha quatro anos quando, por recomendação médica, os pais o inscreveram na natação. Precisava corrigir “um pequeno desvio da coluna”. Nadou durante oito anos até descobrir a canoagem. Era um miúdo hiperativo (chegou a ser acompanhado por um psicólogo entre os 10 e os 12 anos), que “não gostava de estar preso em casa”. Por isso, para ocupar os meses do verão de 2001, inscreveu-se nas férias desportivas do Clube Náutico de Ponte de Lima, que costumava olhar da outra margem do rio, ao domingo de manhã, depois da catequese.

Gostou, mas não prometia muito. Era forte mas descoordenado, passava a vida a virar o barco. “Era muito mau, ficava sempre em último”, recorda Hélio Lucas, que o acompanha desde a primeira vez que entrou num caiaque. Quando, no final das férias, o treinador o convidou para ficar na equipa de competição, Pimenta achou que estava a brincar.

O que viu nele? “Tinha cá uma energia! Não parava, liderava as brincadeiras todas”, responde o técnico. “Foi só pegar nessa força de vontade e encaminhá-lo, levá-lo no bom caminho. O Fernando nunca deixou de trabalhar, nem de acreditar, foi isso que o levou onde está hoje. Foi essa determinação, essa vontade de querer ser melhor, de querer chegar mais além, de bater os seus recordes. Mesmo nos momentos mais difíceis, nunca atirou a toalha ao chão.” A modalidade ajudou-o também a lidar com a hiperatividade, a ganhar regras e disciplina, “e a estar mais relaxado e mais concentrado nas aulas”.

Não correu sempre bem. O primeiro inverno, por exemplo, foi muito complicado. “No verão as coisas são um pouco mais fáceis. No inverno está muito mais frio, dentro e fora de água, apanhamos muito vento, muita chuva, o rio está muito mais agitado, é ainda mais difícil manter o equilíbrio. É o verdadeiro teste para quem quer fazer canoagem”, afirma o canoísta. Houve quem achasse que o miúdo nunca daria nada de especial. Lucas pediu-lhes paciência.

Caça medalhas

Foi em 2005, quando Pimenta tinha 16 anos e conquistou o seu primeiro título nacional, no escalão de cadetes (em K2), que Hélio Lucas percebeu que estava ali um grande talento. Começou a testar-lhe os limites. “Chegava a uma prova, ganhava por cinco ou seis segundos, e eu dizia-lhe que na seguinte queria 30 de vantagem. E depois dizia-lhe que queria um minuto. Ele cumpria sempre. Como cadete já tinha resultados para entrar na seleção de juniores.”

Dois anos depois, o limiano conseguiu o primeiro grande título internacional: foi campeão da Europa de juniores em K1 1000 metros e vice-campeão em 500 metros, uma distância que então ainda era olímpica. Passou a ter um treinador a tempo inteiro e trocou o curso de Fisioterapia em Coimbra pelo de Reabilitação Psicomotora, em Ponte de Lima, para estar mais perto de casa. Tentou conciliar os estudos com a alta competição, mas não conseguiu. Treinava às 6h30 da manhã, depois ia para as aulas e voltava a treinar ao final do dia. “Era um curso de três anos e os primeiros semestres consegui fazê-los, os segundos é que eram mais complicados, porque começavam os estágios e as competições.”

Desde aí não tem parado de somar conquistas. Aos 26 anos, é o mais medalhado canoísta português de sempre. É preciso fôlego para correr a lista dos principais feitos: foi campeão da Europa em juniores, em sub-23 (tanto em K1 como em K2) e agora em seniores (já tinha vencido em K4, em 2011); ganhou a prata olímpica em K2 1000 (2012); conquistou a prata em K1 5000 e em K4 1000 nos Europeus e o ouro em K1 1000 e em K1 500 nas Universíadas (2013); foi prata em K4 1000 nos Mundiais (2014); alcançou a prata em K1 1000 e em K1 5000 nos primeiros Jogos Europeus e o bronze em K1 1000 nos Europeus e nos Mundiais (2015). Só no ano passado, somou uma dúzia de medalhas em competições internacionais, incluindo a vitória no evento teste para os Jogos que se realizou no Rio de Janeiro. A lição aprendeu-a há muito com o pai: quando achar que já ganhou tudo, nunca mais ganhará nada.

Esta época não começou da melhor forma — foi 7º na Taça do Mundo em Duisburgo —, mas bastou um bom resultado na etapa portuguesa da competição (foi 3º) para Pimenta recuperar a confiança. “O resultado não foi excecional, mas vi a alegria dele por conquistar a medalha. Ele nem costuma ser muito efusivo, mas, no final, entrou no hangar e veio dar-me um abraço. Estava mesmo a precisar daquilo para ganhar um bocado de ânimo. A partir daí foi sempre em crescendo.”
Nos Europeus de Moscovo, realizados em junho, deixou a concorrência em sentido. Saiu disparado após a partida, conquistou logo a liderança, construiu uma vantagem confortável de três segundos e, quando se esperava que quebrasse no último quarto da prova, manteve-se firme para concretizar o grande feito da canoagem portuguesa frente aos principais adversários que vai encontrar no Brasil. “Quando cheguei a meio pensei logo: ‘Já ninguém me apanha’”, recorda.

“Foi uma prova perfeita”, acrescenta Lucas, que foi gritando incentivos ao seu atleta em cima de uma bicicleta. “Foi a melhor prestação dele de sempre. Se agora olham para ele de forma diferente? Totalmente. Este resultado permite-lhe sonhar mais um bocadinho.” O técnico admite que o seu pupilo está na melhor momento da carreira e é um forte candidato no Rio, mas “não pode sentar-se à sombra” deste resultado. “Tem é de pensar no que precisa fazer para realizar uma prova parecida ou, quiçá, melhor.”

Pimenta promete deixar a pele no campo de regatas, mas é cauteloso. “Qualquer atleta apurado para os Jogos sonha com isso [o ouro olímpico]. Mas o nível da canoagem neste momento está muito alto, os pódios trocam muito facilmente. É impossível dizer que fulano ou sicrano vai ser medalhado. Vai tudo ser decidido nos pormenores.”

 DESILUSÃO Por causa do diferendo com a Federação, pensou “muitas vezes” em abandonar a canoagem

DESILUSÃO Por causa do diferendo com a Federação, pensou “muitas vezes” em abandonar a canoagem

Do céu em londres ao inferno em Portugal

O canoísta de Ponte de Lima já se tinha apurado para os Jogos Olímpicos de 2012 em embarcação individual, mas o selecionador nacional, Ryszard Hope, convenceu-o que o sucesso em K2 era muito mais provável. Para competir no maior palco do desporto, aceitou fazer mais um sacrifício: trocar o sonho da glória pessoal pela ambição coletiva. De Londres, saiu vice-campeão olímpico aos 23 anos e com uma medalha que significava um ponto de viragem na canoagem portuguesa.

“Ajudou a perceber que com muito pouco se pode fazer muito.”
Porém, o novo ciclo olímpico começou de forma agridoce. Depois de vencer nas Universíadas, Pimenta queria uma oportunidade para competir individualmente, mas Hope pretendia continuar a apostar na dupla com Emanuel Silva. O diferendo acabou em rutura: inconformado, o atleta excluiu-se dos Mundiais e foi suspenso pela Federação, ficando afastado da competição durante meio ano. Pensou “muitas vezes” em desistir da modalidade. “Só não abandonei por causa do meu treinador, da minha família, dos amigos, dos patrocinadores e de quem me acompanha. Todos acreditavam que eu podia chegar aqui e não tinha o direito de desfazer o sonho deles.”

Foram “seis meses muito complicados”, admite Lucas, que sempre apoiou a decisão do atleta. “Tentaram um pouco fazer dele o patinho feio. Ele só queira que fosse feita justiça, tinha conquistado essa oportunidade por mérito próprio.” A sucessão de medalhas conquistadas por Pimenta desde que o diferendo foi resolvido são, segundo o técnico, a prova de que este era o caminho. “Se tenho possibilidade de ser um dos melhores individualmente, porque não? Conquistei esse lugar com muito sacrifício, muito trabalho, muita luta, com momentos menos bons também, mas nunca desisti, nunca baixei os braços”, garante o canoísta, que não esquece algumas das críticas mais duras que lhe foram feitas na altura. “Houve quem dissesse que, por não ter ido à seleção, devia ser excluído de vez da possibilidade de representar Portugal.”

No Rio de Janeiro, vai participar tanto nas provas de K1 1000 metros e K4 1000 metros. Torna-se inevitável a provocação: se pudesse escolher, preferia ser campeão olímpico em K4 ou ganhar outra medalha em K1? A resposta sai sem hesitações: “Preferia ser campeão olímpico em K4.” O quarteto português, que já foi campeão europeu em 2011, batendo o recorde mundial dos 1000 metros, e vice-campeão mundial em 2014, está arredado das medalhas desde o Europeu do ano passado (prata), mas o quarto lugar este ano no Europeu permite alimentar esperanças de um pódio no Rio.

Embaixador de Ponte de Lima

Fernando Pimenta está no nível 1 (o mais elevado) do projeto olímpico, o que lhe garante uma bolsa de 1375 euros por mês, o único rendimento que tem. Do Clube Náutico de Ponte de Lima, que nunca quis abandonar, não recebe qualquer verba, mas não lhe falta apoio. “É um pequeno grande clube, que este ano vai para o décimo título nacional consecutivo. É pequeno nos apoios que tem, mas grande nos resultados que consegue. Ajudam-me naquilo que podem e sempre que preciso. Quando tive problemas estiveram do meu lado. Sou feliz lá.”

Tinha dois anos quando o clube foi fundado em 1991 pelo seu treinador, então com 18 anos. Na altura, Hélio Lucas era secretário da direção, mas também motorista, treinador, angariador de patrocínios. No liceu, os colegas chamavam-lhe “Canoas”, pois dedicava mais tempo a correr para a Câmara para resolver problemas do clube do que às aulas. Na hora de concorrer à universidade, chumbou de propósito a prova de natação (saltou de pés para a piscina), porque “não queria perder o primeiro ano do clube”.

Mas o grande salto foi dado a partir de 2005, quando, já professor de Educação Física, apresentou à autarquia local um projeto para levar todas as turmas do concelho, do 5º ao 12º anos, a praticar canoagem. O sucesso foi tal que, este ano, o projeto foi alargado ao 3º e 4º anos, envolvendo mais de 1000 alunos. Na última década, o clube passou de “60, 70 praticantes para cerca de 250” e tornou-se a principal referência nacional da modalidade. “É um projeto que ajudou a criar atletas de excelência e, ao mesmo tempo, deu a milhares de alunos a possibilidade de terem um bloco de canoagem dentro da disciplina de Educação Física”, refere o técnico, um dos mais medalhados do desporto português a nível internacional.

Sempre que viaja, Fernando Pimenta leva na bagagem duas bandeiras: a de Portugal e a da vila que o viu nascer. Onde quer que vá, é ele o maior embaixador de Ponte de Lima, terra onde a canoagem é tão ou mais popular do que o futebol. Quando chegou ao aeroporto depois dos Jogos Olímpicos de Londres, tinha mais de meio milhar de pessoas à sua espera. “Foram dez autocarros de Ponte de Lima”, recorda Lucas. “Depois, na estrada, eram só motos e carros com bandeiras. Nunca tinha visto uma coisa assim. Chegámos a Ponte de Lima e o Largo Camões estava cheio. Não voltou a encher assim, nem quando lá foi o Presidente da República.”

Antes de nos despedirmos, pergunto a Pimenta se pretende ser o melhor atleta de sempre da canoagem portuguesa. A sua ambição não é curta. “Gostava de ser o melhor de sempre no desporto português. Pelo menos em Jogos Olímpicos tenho essa possibilidade. É muito difícil, mas tenho o direito a sonhar com isso. Depois, no final da minha carreira, logo ser verá.'