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Está aberta a época das saladas

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Salada de abacate e rosbife

FOTO GETTY IMAGES

São frescas, pouco calóricas e saciam.Estas estrelas dos menus de verão surgem em diferentes versões, mais ou menos requintadas

Aperta o calor, aumenta a preocupação com a linha e todas as calorias que se ingerem contam. De um dia para o outro, a salada torna-se a refeição ideal. Em época de praia, a procura por saladas aumenta, mas não é por isso que têm de ser vistas como um prato desenxabido ou um sacrifício.

Há já algum tempo que as saladas ganharam espaço nos menus. Dos restaurantes mais requintados e clássicos, como o Eleven, aos mais descontraídos, como a pastelaria francesa Eric Kayser, que, recentemente, abriu um bar de saladas nos seus balcões. Mesmo ali ao lado dos maccarons e éclairs franceses que fazem salivar só de ver. É possível combinar quatro variedades de salada em dois tipos diferentes de taça.
Esta é a época das saladas. E elas são muito mais do que uma mistura de alface e tomate. Mais ou menos calóricas, com diferente número de ingredientes e nutrientes, a oferta é variada e consegue saciar, fazendo das saladas o prato principal. E às vezes somos surpreendidos nos sítios mais improváveis.

O Cais da Pedra, junto ao rio Tejo, é um desses exemplos. É quase certo que quem aqui entra vai comer um hambúrguer, mas no espaço de Henrique Sá Pessoa vale a pena experimentar a salada de queijo de cabra e morangos ou a grega com cuscuz de ervas aromáticas e queijo feta.

O caranguejo e o bacalhau são os ingredientes principais de dois pratos e a prova de que as saladas já não são só alface e tomate na Confeitaria Tavi

O caranguejo e o bacalhau são os ingredientes principais de dois pratos e a prova de que as saladas já não são só alface e tomate na Confeitaria Tavi

A pastelaria francesa, conhecida e elogiada pelos pães e bolos, é outro local onde se é surpreendido. Quem lá vai, fá-lo por gulodice. E talvez por isso a casa tenha decidido dar mais opções aos seus visitantes. Todos os dias, há oito variedades de salada à escolha, como a de pasta de rabanete, ervilha e brócolos, a de frango e espinafres baby, ou a de salmão fumado com romã. Depois é só escolher entre a taça grande, que leva quatro combinações, ou a pequena, que permite juntar duas opções.

Numa versão mais requintada, o Eleven, o restaurante com uma estrela Michelin chefiado por Joachim Koerper, apresenta no menu uma salada de lagosta, com abóbora, baunilha e emulsão de caril. É a prova de que um jantar requintado não tem de ser nem calórico nem pesado. Continuando no marisco, o IBO Marisqueira, no Cais do Sodré, apostou no caranguejo como proteína principal. Inspirado nas memórias de Moçambique, o chefe João Pedro Pedrosa focou-se nos produtos locais para criar o menu e não poderia ter sido diferente com esta salada.
Nem só de carne argentina vive o Café Buenos Aires, que desde 2002 é um dos destinos principais da noite lisboeta. E se é certo que aqui o bife vem da Argentina, também é certo que as saladas são feitas com produtos biológicos. Para este verão, há salada de bacalhau confitado, que inclui batatinhas salteadas com alho, salsa, pão torrado com tomate e azeitona; a de queijo de cabra gratinado; e a de folhadinhos de presunto, com queijo brie, peras e manga.

O Porto mais verde

Na cidade das tripas e francesinhas, amante de comida antiga, até os mais resistentes à mudança não dispensam umas iguarias leves em tempo de ardor estival. Com as praias a convidar à exposição da pele, nada melhor do que uns mordiscos verdes para ajudar a perder um ou outro quilito de última hora. Aberto há um ano, no acolhedor Largo da Igreja da foz, no Wish Restaurante&Sushi do chefe António Vieira, a cozinha de inspiração nipónica rivaliza na carta estival com as coloridas e vitaminadas saladas de sabor quase sempre mediterrânico. À escolha há seis opções, da mais frugal salada com algas wacame e vinagrete balsâmico, à mais suculentas de camarão tigre, salada baby, puré de abacate e toranja. Para os dependentes do queijo, a ideal é a chèvre grelhado, pancetta, endívias e tagliattelle de cenoura. Entre as paredes do espaço de estilo colonial-chique ou na esplanada, boas escolhas são ainda a fresca niçoise, de salmão fumado e ovo escalfado, a caprese ou a de frango com maça verde e iogurte.

Salada de bacalhau na Confeitaria Tavi no Porto

Salada de bacalhau na Confeitaria Tavi no Porto

Ainda mais perto do mar, em plena Foz Velha, a espreitar a praia do Ourigo, encontra-se a histórica confeitaria Tavi, reinventada para agradar a novos e velhos veraneantes. Além de pequenos-almoços saudáveis e serviço de piqueniques, onde não falta a cesta da praxe, toalha, copos, pratos e talheres, ao longo de todo o verão rodam sempre seis saladas ao almoço. Entre a caprese, de tomate, mozzarella fresca e fruta da época, pesto e manjericão, a de queijo de cabra panado com frutos vermelhos e alface (€7), a de salmão fumado, maça, requeijão e molho de iogurte e coentros, a de pato fumado, de bacalhau de grão e a do dia, o difícil é escolher.

Para quem andar pela Baixa da Invicta, um dos valores seguros de quem procura saúde à mesa é o Brick Clérigos, o espaço dos amigos de infância Luís Miguel Almeida e Mélanie Decelle. Junto à mais icónica torre do Porto e ao Jardim das Oliveiras do trendy Passeio do Clérigos, a marca da casa é a grande mesa comum, que domina a sala familiar e convida ao convívio dos comensais de ocasião. Neste reino rendido aos menus saudáveis, todos os dias se multiplicam uma mão cheia de grandes saladas de magret de pato e laranja laminada, de salmão fumado, frutas frescas e frutos secos (€8,50), de queijo de cabra com mistura de alfaces, fruta fresca, nozes e mel. Bem nutritiva é ainda a de frango e mistura de alfaces, gengibre e limão, maioneses de alho e fruta. Tudo regado com sumos naturais de frutos da época ou águas aromatizadas. Ainda no coração da cidade, junto aos Aliados, a grande salada de visitas do Porto, o Zázá Sanduíches&Bar, garante-lhe refeições rápidas e saladas na hora, todas imune às estações do ano, ao som de músicas alternativas. Entre as incontornáveis da carta estão as de rosbife, frango e a de queijo de cabra, guarnecidas com um misto de legumes da época. Já famosa é a salada de legumes grelhados, que inclui courgette, beringela, tomate, pimentos e cogumelos, nozes, espinafre e maçã (€7.95).

No Astória, junto à Estação de São Bento, no belo palacete das Cardosas do século XVIII, a sugestão do chefe Pedro Sequeira vai para a energética salada de bulgur e seitan com legumes bio e molho de iogurte e hortelã (€12). Ainda nas saladas de autor, o Dick’s Bar do The Yeatman, em Gaia, do chefe Michelin Ricardo Costa, tem disponíveis 24 horas por dia quatro variações de saladas, da exótica de sapateira com guacamole e tiras de milho, à de pato fumado com laranja e redução de Moscatel de Favaios. Mais verdes são as de bresaola, rúcula selvagem, alcaparras e parmesão, ou a The Yeatman, de alface romana, frango, frutos secos, maça, alcaparras e anchovas (€14).

Continuando na margem sul do Douro, embrenhe-se nas caves novecentistas da Graham’s, e petisque entre barricas e o rio uma simples salada de tomate (quatro tipos), de alface e cebolinho tenro ou a mais revigorante salada Stilton, de espinafres e maçãs.

Eric Kayser Rua Carlos Alberto da Mota Pinto, 321C, Lisboa
Wish Largo da Igreja da Foz, 105, Porto
Cais da Pedra Avenida Infante Dom Henrique, Armazém B, Loja 9, Lisboa
Tavi Rua da Senhora da Luz, 363, Porto
Eleven Rua Marquês de Fronteira, 107, Lisboa
Vinum Rua do Agro, 141, Vila Nova de Gaia
Buenos Aires Escadinhas do Duque, 31B, Lisboa
Brick Clérigos Rua Campo Mártires da Pátria, 103, Porto
IBO Marisqueira Rua Cintura do Porto, 22, Lisboa
Zázá Sanduíches&Bar Rua Ramalho Ortigão, 43, Porto