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Reputação internacional de Portugal sobe pelo terceiro ano consecutivo

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Getty

Perceção positiva dos estrangeiros sobre a imagem de Portugal tem crescido de forma consistente desde 2012, segundo o estudo Country Reputation Report, produzido pela consultora OnStrategy em colaboração com o Corporate Excellence Foundation

A reputação internacional de Portugal subiu pelo terceiro ano consecutivo, influenciada por fatores como a percepção positiva dos cidadãos estrangeiros sobre o potencial económico do país e, sobretudo, sobre o contexto social português, nomeadamente no que respeita à hospitalidade, segurança, beleza ou estilo de vida proporcionado. A conclusão consta na edição de 2016 do Country Reputation Report, produzido pela consultora OnStrategy em colaboração com o Corporate Excellence Foundation, uma organização sem fins lucrativos que se dedica ao estudo e gestão de activos intangíveis, tais como a reputação de países, empresas ou marcas.

Embora tenha caído uma posição no top 50 deste ranking face à edição de 2015 do estudo — da 18ª para a 19ª —, a avaliação global de Portugal subiu de 64,4 para 66,53 pontos, numa escala de 0 a 100 estabelecida em função da resposta a inquéritos feitos a cerca de 150 mil pessoas em todo o mundo. A lista deste ano é liderada pela Suécia, com uma avaliação global de 78,34 pontos. Seguem-se neste ranking de reputação de países o Canadá, a Suíça, a Austrália e a Noruega.

A evolução na perceção positiva de Portugal “tem sido crescente desde 2013”, aponta ao Expresso o CEO da OnStrategy, Pedro Tavares, enfatizando o “salto estatisticamente relevante” que a reputação do país tem apresentado neste estudo nos últimos anos. Em 2012, por exemplo, a avaliação global à imagem de Portugal situava-se nos 57,1 pontos e apresentava-se em queda, num desempenho a que não terá sido alheia a intervenção financeira de que Portugal foi alvo em 2011.

Na comparação com os indicadores do ano passado, as áreas que apresentaram maior crescimento na avaliação dos inquiridos estrangeiros foram o potencial económico do país (com um aumento de 57,3 para 63,2 pontos) e o contexto social (que subiu de 70,3 para 76,8). A eficácia governativa — o terceiro pilar de perguntas neste estudo — apresentou um crescimento residual de 0,2 pontos, para 58,9, passando a ser a que apresenta pior perceção.

Inalterada manteve-se a tendência para que a avaliação global dos inquiridos estrangeiros sobre a imagem de Portugal seja superior à avaliação feita pelos próprios portugueses: enquanto a média da avaliação externa é de 66,5 pontos, a média da avaliação dos inquiridos portugueses é de 61,6 pontos. “É uma circunstância normal em todos os países. Sobretudo pelo ambiente político, que é sempre mais penalizado nestas avaliações por quem vive no país do que por quem o avalia externamente”, explica Pedro Tavares. E os números do estudo traduzem-nos: enquanto os inquiridos estrangeiros avaliam a eficácia governativa em Portugal em 58,9 pontos, a avaliação dos portugueses quedou-se pelos 38,1.

“Na perspetiva económica também se percebe que lá fora acredita-se que Portugal teve uma trajetória de maior sustentabilidade nas contas”, prossegue o CEO da OnStrategy, antes de notar que nesta área, no entanto, a perspetiva dos portugueses até está em linha com a perspetiva dos inquiridos estrangeiros.

A área em que a avaliação que os portugueses fazem ao seus país mais supera a perceção dos estrangeiros é a respeitante ao ambiente do país. Mas, mesmo aí, o facto de Portugal se ter tornado um destino turístico de referência nos últimos anos contribuiu, segundo Pedro Tavares, para melhorar substancialmente a imagem que os estrangeiros têm de nós - em grande parte por ter permitido cimentar factores como a segurança, hospitalidade ou qualidade de vida em Portugal, numa altura em que muitos dos tradicionais destinos turísticos concorrentes atravessam períodos sociais, políticos e de segurança mais conturbados.

“Um país só tem reputação se tiver notoriedade. E Portugal entrou numa rota de mais notoriedade, mais visitas, mais pessoas a falar. Esses índices de perceção fazem com que mais pessoas queiram descobrir-nos e esse fenómeno permite que as pessoas depois conheçam e reconheçam a dimensão positiva no ambiente social português”, conclui Pedro Tavares.

Artigo publicado na edição do Expresso diário de 02/08/2016