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Destino escolhido e malas feitas

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Está tudo preparado para gozar o tempo de descanso da melhor maneira — este ano com mais alguns euros na carteira. Apesar da vontade de conhecer novos lugares e de alguma folga financeira face a anos anteriores, a poupança continua a pesar na hora de fazer check-in

João Miguel Salvador

João Miguel Salvador

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Jornalista

Carlos Esteves

Carlos Esteves

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“Mudar de preocupação faz-me tão bem como tirar férias.” A frase é do estadista inglês David Lloyd George e nos tempos que correm — os de verão — a nova preocupação pode ser exatamente essa: o tempo de descanso. A maior parte dos portugueses tem tudo tratado e já só falta pegar nas malas e levá-las até ao destino, seja ele qual for. Sempre de acordo com o orçamento disponível.

As contas fazem-se no fim, mas é possível ter uma ideia de quais são os destinos do momento. De acordo com a Momondo, um dos principais portais de reservas através da internet, que compara preços da maior parte dos operadores turísticos, os portugueses estão a postos para aproveitar a época alta. Ponta Delgada, nos Açores, é agora a cidade mais procurada e a localidade açoriana, localizada na ilha de São Miguel, lidera um top 10 quase exclusivamente internacional. Londres e Barcelona completam o pódio, com o Funchal, na Madeira, a seguir de perto num honroso quarto lugar. No campo idílico seguem-se Paris, Roma, Palma de Maiorca, Amesterdão, Banguecoque e Nova Iorque.

Da dimensão do sonho para a realidade ainda vai um bocado e a Odisseias prevê, no seu mais recente estudo de mercado, que os portugueses vão gastar (muito pouco) com as estadas — como se pode perceber pelo gráfico na página seguinte. As carteiras até podem não estar muito recheadas, mas este ano os portugueses contam gastar, em média, €772 em férias nacionais (um aumento de 22% face aos €631 do estudo do último ano). O valor sobe para perto do dobro quando a ideia é passar férias no estrangeiro. Segundo o Cetelem, que inquiriu 600 pessoas, quem passa fronteiras está disposto a gastar €1500 (uma subida de 33% face ao ano transato).

INFOGRAFIA CARLOS ESTEVES

Sonhar é bom, mas não há como fugir à realidade. Este ano a maior parte dos portugueses (87%) vai passar as férias no país e a grande maioria (46,2%) continua a preferir o sol do Algarve para os dias de ócio. Os dados são também da empresa de experiências Odisseias, que mostram como o panorama não está favorável a grandes gastos — apesar da subida nas intenções de compra de férias verificada pelo Observador Cetelem do Consumo 2016. O mesmo estudo, conduzido em maio deste ano, confirma o que já se esperava: há portugueses que não passarão férias. O número é grande: corresponde a 25% da população. Mas nem tudo são más notícias. Em 2016, 56% dos portugueses vão passar as férias fora de casa — revelando um aumento de 6% face ao último ano.

Apesar da maior predisposição para gastar dinheiro com lazer e viagens (este ano é esta a categoria de consumo com maior intenção de compra), existe uma preocupação generalizada com a poupança. Quem fica em Portugal poupa no alojamento, mesmo que o hotel reúna as preferências nacionais (41%) seguido pelos apartamento (34,8%). Quem se desloca ao estrangeiro prefere viajar em companhias low cost.

Os europeus estão cada vez mais viajados e também o número de noites passadas fora de casa dentro da UE tem vindo a subir. No total, o Eurostat registou 2,8 mil milhões de dormidas em contexto de turismo (com os extracomunitários a desempenharem um papel fundamental para estes números).
Portugal é um país que está na moda e que cada vez recebe mais turistas, mas não é por isso que o gosto (ou melhor, a posse) de viajar pertence aos portugueses. Os dados mais recentes do Eurostat, tornados públicos em novembro do último ano, são reveladores: “Em alguns Estados-membros, mais de metade das viagens turísticas foram para o estrangeiro; este é o caso do Luxemburgo, da Bélgica, de Malta e da Eslovénia (assim como da Suíça)”, com a situação a revelar-se muito diferente por cá. “Menos de 10% das viagens foram feitas por residentes da Roménia, Espanha e Portugal foram para o exterior.” Aqui não é só o fator monetário que conta e o tamanho e localização geográfica do nosso país faz com que sejamos menos viajados face aos países da Europa Central. A situação tem tendência a mudar. De acordo com o TGI, estudo da Marktest realizado em 60 países e que também analisa o comportamento e os consumos dos portugueses, o número de pessoas que tem viajado de avião em lazer tem aumentado e, no último ano, 18,5% dos portugueses viajaram pelos ares. Quanto aos destinos, o TGI dá Espanha e França como países preferidos pelos portugueses (19%), seguidos de Inglaterra e Irlanda (16%).

Continuamos fiéis a nós mesmos e a não marcar as férias com muita antecedência. É quando os dias já são mais longos e quentes que começamos a sonhar com o descanso estival, com abril e maio a assumirem-se como os meses em que a maior parte dos portugueses (55,7%) decide o que fazer durante as férias. Apesar de tudo, os números da Odisseias mostram que estamos mais organizados. Hoje pesquisamos mais, namoramos os destinos durante mais tempo e só depois nos decidimos. O descanso vem depois. Afinal é agora.