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Vai para sul ou para norte (as férias, as férias...)? Guia para fugir ao trânsito

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Marcos Borga

Aqui se enumeram algumas das situações de engarrafamento mais comuns e a forma de as enfrentar. Antes de passar aos diversos itinerários, vale a pena lembrar algumas regras simples. Agosto está aí e o trânsito rumo a férias também

Antes de iniciar uma viagem informe-se do estado do trânsito, nomeadamente no trajecto que planeia seguir. Ouça rádio – todas as grandes estações nacionais (Antena 1, Renascença, TSF, etc) têm serviços informativos de trânsito regulares e linhas verdes para atender os automobilistas. Em caso de dúvida, um telefonema para a própria Brigada de Trânsito pode ser esclarecedor. Há ainda a página electrónica do Instituto das Estradas e aplicações como o Waze.

Vá com atenção aos painéis informativos (onde existirem) e procure detectar com antecedência as situações anómalas, de forma a poder mudar de itinerário a tempo.

Por exemplo, no caso de Lisboa, da zona ribeirinha ou da Ajuda é fácil ver se a Ponte 25 de Abril está entupida, da mesma forma que do Viaduto Duarte Pacheco ou da Av. de Ceuta se pode ter essa perspectiva. No sentido Lisboa-Montijo não é difícil detetar problemas na Ponte Vasco da Gama, antes de entrar nos respectivos acessos. Um olhar atento quando desce o IC17 a partir do Túnel do Grilo ou quando sobe do IC2 ou da Portela de Sacavém pode evitar muito transtorno.

Seguem então um guia para quem sai de Lisboa (e a ela regressará) e para quem sai do Porto.

LISBOA

É raro que todas as saídas de Lisboa entupam ao mesmo tempo e com a mesma intensidade. Deixando para o capítulo respetivo a descrição de alguns pequenos itinerários alternativos, centrar-nos-emos aqui nas situações de partida para férias ou fim-de-semana.

Viagem para sul. Se vai para o Algarve e receia congestionamentos à hora a que vai pegar no carro, parta do princípio que as duas pontes (Vasco da Gama e 25 de Abril) vão engarrafar. Mais vale fazer 40 km suplementares, sempre a andar, que estar uma hora ou duas na fila. O truque é passar o Tejo mais a montante. Pode fazê-lo em Vila Franca, pela Ponte Marechal Carmona ou no Carregado pela ponte da A10.

Como é que lá chega? Se está do lado ocidental da cidade (Belém), nas Linhas de Cascais ou de Sintra, apanhe a CREL para Alverca, saia para a A10 a seguir a Bucelas (direcção “Arruda/Carregado”) e passe o Tejo na nova ponte. Todo este trajecto tem portagem. Esta auto-estrada liga à A2 (Algarve) e à A6 (Évora) no nó da Marateca.

Se está do lado norte ou oriental de Lisboa (Parque das Nações) apanhe a A1 para Alverca e Vila Franca. Pode sair, nesta cidade, para a Ponte Marechal Carmona (direcção Évora) ou prosseguir até ao nó do Carregado e à nova ponte. Só há portagem na A1 a partir de Alverca. Da Recta do Cabo pode seguir a EN10 até aos Pegões, onde pode bifurcar, seja para a Marateca/Águas de Moura, seja para Vendas Novas/Montemor-o-Novo.

Para o resto da viagem veja os pormenores no capítulo ALENTEJO. Ainda assim, tenha presente que, quer siga por estrada, quer por auto-estrada, tem, basicamente, duas opções: regressar ao itinerário habitual (IC2 ou A2) ou atravessar o Alentejo mais para leste, a partir de Montemor (EN2) ou Évora (IP2). A segunda hipótese é de ponderar caso a rádio informe haver problemas na A2 ou no IC2.

Viagem para norte. Se o caso anterior é uma situação típica de Verão, nas férias do Natal ou da Páscoa é habitual haver fortes congestionamentos para norte. O problema está, portanto, em evitar a A1, pelo menos no seu troço inicial.

Se vai para o litoral (Aveiro, Porto, etc) tome a A8, de preferência a partir da CREL/A9. Os acessos pelo IC17, Túnel do Grilo e auto-estrada para Loures são de evitar em horas de ponta. Se estiver na zona oriental (Parque das Nações) pode, também, sair pelo IC2 e, na Póvoa de Santa Iria, em vez de entrar na A1, fazer o Atalho de Bucelas (ver GRANDE LISBOA) até ao nó do MARL/Bucelas da CREL. A A8 transforma-se, sucessivamente, em A17 e A29 mas assegura uma ligação tranquila (e com menos portagem) até Aveiro. Aí pode seguir para o Porto (A1 ou A29), Viseu (A25), etc.

Se vai para o interior norte e as notícias sobre a Ponte Vasco da Gama forem boas, passe o Tejo. Em Alcochete, apanhe a EN118 para o Infantado mas bifurque à direita, junto ao Campo de Tiro, para a EN119, direcção “Coruche/Infantado”. Após cruzar a EN110 na rotunda do Infantado, existe, logo a seguir, um nó da A13. Esta auto-estrada com portagem leva até Almeirim, à Ponte Salgueiro Maia e à A1 no nó de Santarém.

Se não quiser pagar portagem na A13 nem regressar à A1, continue pela EN119, passando ao lado de Coruche e prosseguindo pela EN119 até ao Couço. Aqui, pode encurtar a viagem fazendo o Atalho de Montargil (ver capítulo VALE DO TEJO) até à barragem, continuando até Ponte de Sor pela EN2. Nesta vila tem duas hipóteses.

Se vai para a zona do Pinhal, prossiga pela EN2 até Abrantes e pela mesma EN2 (traçado melhorado) até Vila de Rei e Sertã (onde tem acesso ao IC8). Se vai para a Beira Interior, de Ponte de Sor tome a EN244 para o Gavião (arredores) entroncando à direita na EN118 e seguindo até ao nó do IP2 que dá acesso à barragem do Fratel e, do outro lado do Tejo, ao nó de Gardete da A23.

REGRESSO DO NORTE A LISBOA

A maior parte do trânsito vem pela A1 e pela A23. O pior é quando as duas se juntam no nó de Torres Novas...

Se vem pela A1 poderá ser aconselhável passar para a A8/A17, coisa que pode fazer em Aveiro (A25), Pombal (IC8) ou Leiria (A8). Vá ouvindo a rádio para perceber se se justifica o desvio e quando.

Se vem pela A23 e começar a notar muito trânsito na aproximação a Abrantes poderá ser o sinal para não continuar até ao nó de Torres Novas. Saia em Abrantes Norte, passe o Tejo e siga pela EN2 até Ponte de Sor. Continue pela mesma estrada até à barragem de Montargil, onde pode fazer o Atalho de Montargil até ao Couço.

Querendo evitar a Ponte Vasco da Gama, tem diversas alternativas, a partir do Couço, a mais simples das quais será seguir por Coruche e Salvaterra até à Ponte Marechal Carmona. Consulte o capítulo VALE DO TEJO, pois há atalhos, quer do Couço para Coruche (Acessos a Coruche pela margem direita do Sorraia), quer de Salavaterra/Benavente (arredores) para a Recta do Cabo (Atalho da Lezíria)

REGRESSO DO SUL A LISBOA

Se o estrangulamento ocorrer na A2 ou no IC2, consulte o capítulo ALENTEJO, de forma a ver que alternativas tem.

Caso os problemas ocorram apenas nas duas pontes (25 de Abril e Vasco da Gama) poderá ser razoável, a partir do nó da Marateca da A2 e A6 divergir para a A13, de forma a passar o Tejo na Ponte do Carregado e entrar na cidade pela A10 e CREL. Se quiser fazer esta alternativa por estrada nacional, também da zona da Marateca, neste caso em Águas de Moura, apanhe a EN10 para Pegões, Infantado, Porto Alto e Vila Franca (A1)

PORTO

Conforme se explica no capítulo respectivo, há duas novas vias no Porto que simplificam bastante as saídas para norte e leste. A A42 começa na A28 (para Viana do Castelo) um pouco a norte de Leça da Palmeira e cruza a A3 antes das portagens da Maia, continuando para Paços de Ferreira, Lousada, Penafiel, Felgueiras, etc. O IP6, começa em Matosinhos, cruza a A28 e vai entroncar na A3 (para Braga) perto de Águas Santas e da bifurcação com a A4 (para Amarante). Portanto, por este IP6 pode aceder à A4, A3 e, ainda, à A42 (mesmo antes das portagens da Maia).

Neve no Marão – Esta situação é frequente no Inverno e pode ter diversos contornos.

Se o problema for apenas no IP4 para norte de Amarante, nesta cidade tem duas hipóteses. Pode descer a Mesão Frio e à Régua pela EN101, apanhando a A24 para Vila Real. A segunda possibilidade é seguir de Amarante para Celorico de Basto pela EN210 e continuar até Arco de Baúlhe onde existe um nó da A7, dando acesso à A24 em Vila Pouca de Aguiar e, por sua vez, a Vila Real. Em caso de problemas na A24 a EN2 é alternativa.

Se houver problemas na própria A4 após Penafiel, o melhor é sair do Porto pela A42 e seguir por Lousada e Felgueiras (acesso a Amarante pela EN15), continuando pela A11 (com portagem) até Guimarães e pela A7 (também com portagem) até ao nó de Vila Pouca de Aguiar da A24 (para Vila Real a EN2 pode funcionar como alternativa à A24).

Estando na zona norte do Porto, pode seguir pela A28 até aos arredores de Vila do Conde, entrando aí na A7, direcção Guimarães, prosseguindo até ao nó de Vila Pouca de Aguiar da A24 (use a EN2 como alternativa se houver neve na auto-estrada a sul de Vila Pouca).

Férias no Algarve – Do Porto para o Algarve pode usar itinerários menos congestionados. Se vem pela A1, lembre-se que pode passar o Tejo a montante de Lisboa, seja em Santarém (Ponte Salgueiro Maia, A13 e nó da Marateca da A2), seja no Carregado (A10, A13 e nó da Marateca da A2). Escusado será dizer que todas estas auto-estradas são pagas, bem como a Ponte do Carregado.

SERRA DA ESTRELA

Se quer levar os miúdos a ver a neve na Serra, aqui ficam alguns conselhos. Os acessos habituais, seja por Ceia, seja pela Covilhã, mesmo que estejam praticáveis e vigiados pela GNR e pelo Centro de Limpeza da Neve, estarão, provavelmente, muito congestionados.

Pode experimentar outros acessos que, mesmo que não levem mesmo ao Maciço Central, já darão para mostrar a neve sem tantos problemas. De qualquer das formas informe-se localmente acerca do estado destas vias e não arrisque: não viaje só com um carro e, em caso de dúvida, não avance e execute, com a devida calma, a inversão de marcha (para a qual pode necessitar de ajuda externa, dada a previsível estreiteza da via e a falta de aderência do pavimento). Tenha atenção à forma como estaciona, sempre com os faróis virados para o caminho de regresso e (pelo menos) com as rodas motrizes em terreno fixe.

Do lado de Ceia vá até São Romão e às capelas do rio Alva (Cabeça da Velha). Daí sobe uma estrada asfaltada de 11 km que vai desembocar pouco antes da Lagoa Comprida. Mesmo que esteja impraticável a partir de certa altura, já dá para ver neve com sossego.

Ainda deste lado, pode tomar em São Romão a EN231 para Loriga. Após deixar o ramal para Sazes da Beira, num cruzamento de quatro estradas onde apanha o asfalto vindo de Vide, vire à esquerda para estradão recentemente asfaltado. Este leva directo à Lagoa Comprida ... ou até onde a neve e as autoridades o deixarem chegar.

Do lado da Covilhã, vá até às termas de Unhais da Serra e aí informe-se do estado do chamado Estradão de Viriato. É um traçado que foi asfaltado há anos mas foi muito degradado pelos nevões. Pode, ou não, dar acesso às Penhas da Saúde, mas, pelo menos até às primeiras camadas de neve chega, concerteza.