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Vagas “excessivas” para Medicina cria “médicos sem especialidade”, considera Médicos do Norte

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Carl Court / Getty Images

Presidente do CRNOM afirma que o número de vagas contribui para “degradar” a qualidade de ensino

São 1441 as vagas abertas para a primeira fase de candidatura aos cursos de Medicina para o ano letivo 2016/2017, a que se juntam 15% de vagas específicas para licenciados e outros casos especiais. Para o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos (CRNOM), Miguel Guimarães, o valor superior às necessidades do país. “O poder político prefere manter o número excessivo de vagas de anos anteriores sendo, por isso, o primeiro e único responsável pelo degradar das condições de formação nas academias portuguesas e pela criação de um grupo de médicos sem especialidade", afirmou esta terça-feira o dirigente.

Para sustentar a sua opinião, Miguel Guimarães frisa que "todos os estudos universitários realizados até ao momento são unânimes em afirmar que Portugal forma médicos em número claramente superior às necessidades do país e defendem que o 'numerus clausus' global se deveria situar nas 1200 a 1300 vagas".

“Não cabe às universidades assegurar emprego”

Na opinião do responsável, reduzir o número de vagas é um “imperativo moral” e considera que “não cabe às universidades assegurar emprego”, mas antes “garantir conhecimento e qualidade na formação pré-graduada”.

Miguel Guimarães, citado num comunicado da CRNOM, questiona: "Como podemos esperar que isso suceda quando temos faculdades de Medicina com centenas de estudantes nas aulas teóricas no mesmo espaço, ou cerca de uma a duas dezenas nas aulas práticas em enfermarias e consultas externas?".

O dirigente regional da Ordem dos Médicos lamenta ainda que o Estado “continue a desperdiçar milhões de euros na formação de médicos que depois, por falta de vagas para aceder a uma especialidade médica ou por falta de condições de trabalho, acabem por emigrar, muitas vezes com sacrifícios pessoais e familiares e prejuízo para o Serviço Nacional de Saúde”.

Miguel Guimarães deixa ainda disponível para acompanhar o ministro da Saúde, Manuel Heitor, numa visita a um Hospital Escola e “proporcionar-lhe a oportunidade de conversar com os estudantes e com os médicos para perceber as dificuldades que uns e outros sentem na formação pré e pós-graduada”, de forma a “entender o que realmente se passa” no SNS.

"Não é mantendo ou até aumentando o 'numerus clausus' que se resolvem as insuficiências e deficiências do SNS. É respeitando e dignificando os doentes e o trabalho dos profissionais de saúde, melhorando as condições de trabalho e centrando a Saúde nos doentes", assevera o dirigente. "Um desígnio que o Ministro da Saúde defendeu para o seu mandato, mas que tarda em ser verdadeiramente cumprido", acrescenta.

A primeira fase de candidaturas estará a decorrer até 10 de agosto e as vagas são distribuídas pelos sete cursos de Medicina existentes nas universidades públicas. Para o ano letivo de 2015/2016 foram abertas 1517 vagas no concurso nacional para os mestrados integrados que funcionam em Lisboa, Porto, Coimbra, Minho, Beira Interior e ainda nos ciclos básicos de Medicina nos Açores e Madeira.