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Sociedade

Porto cria plataforma para apoiar residências artísticas e estabelecer pontes interculturais

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Objetivo é apoiar projetos artísticos de criadores nacionais e internacionais que se estabeleçam na cidade durante dois meses

André Manuel Correia

A Câmara Municipal do Porto (CMP) desenvolveu uma plataforma digital para apoiar residências artísticas em oito espaços culturais da cidade, às quais se podem candidatar criadores nacionais, europeus e de outras latitudes. “Pretendemos criar condições para que os artistas se ancorem no Porto e possam descobrir o que a cidade tem para oferecer no âmbito de programas de residência”, afirmou esta terça-feira o presidente da CMP, Rui Moreira, durante a apresentação da iniciativa intitulada Inresidenceporto.

Esta pretende ser uma forma de divulgação internacional de espaços disponíveis para acolherem projetos de criação, com uma duração de dois meses, a serem desenvolvidos na cidade. Numa primeira instância, surgem associados ao projeto a Casa Oficina António Carneiro, o Espaço Mira, a Mala Voada, De Liceiras 18, o Maus Hábitos, o Museu Nacional da Imprensa, a Sonoscopia e ainda o Teatro Municipal do Porto.

“Queremos aproximar os artistas nacionais e internacionais às oportunidades de criação na cidade, em todas as áreas da criação e estimular também a diversidade do tecido artístico da cidade”, salientou Rui Moreira acerca deste “ousado” projeto. “É darmos mais um passo para o ecossistema que a cidade tem vindo a reconstruir”, acrescentou o autarca.

A plataforma apresenta, em forma de portefólio, aquilo que a cidade tem para oferecer e está dividida por disciplinas artísticas, como as artes visuais, o cinema, crítica e literatura, música e artes performativas. Os utilizadores podem obter de forma imediata umas explicação sumária sobre o espaço e de que forma se podem candidatar, bem como conhecer os critérios de seleção, as condições de estadia e de trabalho.

Quem fará a gestão das residências artísticas e dos projetos serão os espaços culturais agregados ao Inresidenceporto, uma vez que a Câmara assumirá apenas o papel de mediação. Os artistas que pretendam desenvolver trabalhos no Porto contarão com bolsas de apoio que podem oscilar entre os 4 mil, 5 mil ou 6 mil euros, “conforme seja a origem do artista selecionado”, explicou o presidente da câmara.

A plataforma já se encontra disponível online, mas as bolsas apenas serão atribuídas a partir de 2017. Inicialmente serão oito, uma para cada espaço cultural associado a esta inciativa. “O objetivo é que se consiga criar um contrato anual de coprodução com cada um dos espaços”, revelou o adjunto do presidente para a área da Cultura, Guilherme Blanc. O apoio da autarquia destina-se a suportar a viagem, a estadia, a renda, as ‘living expenses’ e ainda o custo de produção das obras em causa.

“Talvez estejamos a adiantar um pouco o relógio para os objetivos que pretendíamos na cidade do Porto”, reconhece Rui Moreia, mas justifica que “o ecossistema já chegou a um grau de amadurecimento que exige que antecipemos este programa”.

O site do Inresidenceporto está disponível em português e em inglês e promove o cruzamento com outras iniciativas internacionais destinadas à divulgação e ao apoio de residências artísticas. “Queremos cruzar esta plataforma com supraplataformas que promovem residências”, afirmou Guilherme Blanc, dando como exemplo dessas parcerias a estrutura holandesa TransArtists ou a norte-amerciana Alliance of Artists Communities.