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Direção interina do “Económico” demite-se, administração tenta manter site e canal de TV no ar

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Demissão da direção interina do “Económico” e falhanço da venda aos donos do “OJE” ameaçam continuidade do site “Económico” e do canal ETV. Administração procura soluções

Três dias depois do falhanço nas negociações para a venda do site "Económico" e do canal ETV à empresa Megafin - proprietária do jornal "OJE" -, a administração do "Económico" confronta-se com um novo obstáculo: a demissão da direção interina dos dois meios, anunciada esta segunda-feira de manhã. Segundo apurou o Expresso, a administração não tem, para já, em cima da mesa o possível encerramento do site e do canal de televisão e está a procurar alternativas para garantir a viabilidade dos projetos. Mas com a noção de que o caminho é cada vez mais estreito para consegui-lo.

A notícia da demissão da direção interina do "Económico" e da ETV foi avançada ao início da tarde pelo site "Dinheiro Vivo", citando uma nota interna enviada hoje à redação pelos dois diretores, os jornalistas Filipe Alves e Mónica Silvares. Em declarações ao "Dinheiro Vivo", Mónica Silvares justificou a decisão com o facto de já não existirem "condições para manter os projetos com a qualidade que os mesmos exigem".

Filipe Alves e Mónica Silvares tinham assumido a direção interina do Económico a 20 de março, depois de a anterior direção do título, liderada por Raul Vaz, ter apresentado a sua demissão do cargo, também por entender que as graves dificuldades financeiras da editora ST&SF, do grupo Ongoing, colocavam em causa a capacidade de manter o projeto. Filipe Alves e Mónica Silvares viriam, aliás, a assumir a direção interina do site e do canal de televisão depois de ter chegado às bancas a última edição impressa do "Diário Económico".

Desde finais de março, a marca "Económico" tem-se mantido ativa apenas através da sua edição online e da ETV, explorados através das empresas Económico TV – New Media SA e Económica Digital – Informação Financeira Lda, ambas pertencentes ao universo do grupo Ongoing. Já a editora ST&SF, mergulhada em dívidas de mais de 8 milhões de euros, acabou por entrar entretanto em processo de insolvência, tendo os credores da empresa decidido recentemente pela sua liquidação.

Durante este processo, o acionista maioritário da Megafin, Luís Figueiredo Trindade, estabeleceu um princípio de acordo com a administração da ETV e do site "Económico" para comprar estes dois meios e integrá-los na esfera do jornal OJE. Mas o projeto, que previa a passagem para a Megafin de cerca de 55 dos trabalhadores da ST&SF que continuam a assegurar a atividade do site "Económico" e da ETV, acabou por fracassar.

Conforme avançou o Expresso na sexta-feira, Luís Figueiredo Trindade decidiu retirar a proposta de compra que tinha avançado, depois de o presidente da Ongoing, Nuno Vasconcellos, ter pedido um novo adiamento na assinatura do acordo. "Concluímos as negociações e não chegámos a acordo. A paciência esgotou-se. Temos estado a negociar há quatro meses, tínhamos um acordo com o administrador das duas empresas, mas o Dr. Nuno Vasconcellos (dono da Ongoing) decidiu pedir-nos mais tempo para avaliar a proposta. Não podemos esperar mais. O nosso timing terminou", explicou Luís Figueiredo ao Expresso, na passada sexta-feira.