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O brunch cresceu. Haja apetite!

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De início era um pequeno-almoço bem reforçado com os ovos da praxe, carnes frias, scones e sumos. Agora é o vale tudo, do sushi aos assados e grelhados

A invenção made in USA de encavalitar o pequeno-almoço e o almoço ao fim de semana chegou de mansinho a Portugal, país de mesa farta e partilha dominical. Mas o hábito ainda comungado em vários lares tem vindo a abrir brechas por onde passa o desjejum tardio, fora de portas, com amigos ou a sós entre comensais de ocasião. É o chamado brunch, maná de turistas e locais depois de noites longas, servido quase sempre em modo menu fixo ou self-service, à medida de todos os gostos e apetites.

Na trendy Baixa da Invicta, a doutrina do brunch tornou-se uma prática corrente no The Traveller Caffé, uma coffee house, mesmo ao lado do Coliseu, e inclui ovos mexidos com bacon ou salmão fumado, pão, compota, manteiga, muffin ou brownie, salada de fruta, taça de açaí ou a opção fitness de iogurte de aveia, frutos vermelhos ou banana com mel, menu disponível todos os dias. Nas bebidas, pode optar por galão, americano, sumos de laranja, maçã ou pera (€14,85).

Desde que abriu no Porto, também o restaurante Terrella, situado no edifício-sede da EDP, vizinho da Casa da Música, primou logo pelo brunch farto de fim de semana em formato buffet. Nas salas primaveris, a refeição servida das 11h30 às 13h30 e reposta das 13h45 às 15h45 foi gizada à medida de quem salta da cama tarde e com apetite de véspera. Além do típico breakfast inglês, nunca falta pão e produtos de charcutaria variados, scones, saladas, sopa e prato quente, que tanto pode ser carne assada como peixe grelhado, a acompanhar com copo de vinho, sumo de laranja natural ou refrigerante. Para adoçar o resto do dia, a oferta vai da tarte de limão merengada à mousse de chocolate e fruta laminada diversa para os detratores dos açúcares não naturais (€16). De inspiração mais caseira, apresenta-se sem falta ao sábado e domingo o brunch da nova pastelaria Maria Bôla, na secular via de Cedofeita. A fazer jus ao nome, a bôla é a rainha do espaço de toque retro, da tradicional de vinha d’alhos, carne e frango, às vegetarianas de espinafre e noz, sempre presente à mesa nestas refeições que encavalitam o pequeno-almoço ao almoço, só servidas durante a semana sob reserva para grupos. No buffet (€12.30, gratuito para quem tem menos de 6 anos, €6 até aos 10 anos) preparado por Maria Edite nunca escapa o queijo fresco, requeijão, croissant, iogurte e granola, fruta, bolo, chá frio, leite e café solúvel. Faça chuva ou faça sol, a sopa chega a fumegar, bem como os ovos mexidos, os cogumelos e a massa salteada.
Requintados, com aquele charme de burguesia portuense, são os brunches do Rosa Et Al Townhouse, em versão menu (€20) ou à la carte. Em pleno Quarteirão das Artes, aos sábados e domingos, entre as 12h e as 16h, não se iniba, bata à porta deste edifício do século XIX de cinco andares, que não é um restaurante mas um Bed&Brunch Collection aberto à cidade e não apenas a hóspedes. Na sala de mobiliário berlinense anos 50 ou no jardim, as compotas são do dia, os scones acabados de fazer, o pão e iogurtes variados, a sopa de legumes da época. A ementa inclui ainda três pratos quentes, carne, peixe e vegetariano, sumo fresco e café. Para picar à carta, servem-se ovos benedict, panquecas, queijos, croque-madame e monsieur e 38 variedades de chá, alguns de ervas colhidas no jardim.

A acompanhar o sinal dos tempos, também o centenário Café Progresso aderiu diariamente à moda do pequeno-almoço reforçado com ovos mexidos, sumo de laranja, cereais, croissant ou torradas com manteiga e compotas (€5,40), metade se passar os ovos e sumo.

Se andar por Matosinhos, experimente o salão de chá Mil Folhas de evocação provençal, de móveis brancos e tecidos floridos. O brunch simples e reconfortante é servido de terça a sábado numa fórmula minimalista em tabuleiro, composto por quiches, saladas, os ovos da praxe com bacon e salsichas, chá frio ou quente, meia de leite e café. O dominical, também servido das 11h às 16h, em modo buffet (€9/€5 crianças), inclui sopa, múltiplos pães, cereais, iogurte, queijos e fiambres, e um prato quente, alternando massas e minirrojões.

A cidade de todos os brunches

O brunch entranhou-se nos hábitos dos portugueses e cada vez há mais restaurantes a aderirem

O brunch entranhou-se nos hábitos dos portugueses e cada vez há mais restaurantes a aderirem

FOTOS RUI DUARTE SILVA

Apesar de o brunch ser uma hábito com dezenas de anos, pelo menos nos EUA, em Portugal explodiu nos últimos três anos. À medida que crescia o número de turistas aumentava também a oferta. Inventou-se quase tudo. Com buffet, sem buffet. Temático ou generalista. Acessíveis ou a preços astronómicos. Com sushi e sem sushi. Servidos só num prato ou com tanta variedade que parecia uma refeição de preço único com direito a todos os pratos da ementa. No meio de todas estas invenções, o Insólito, no Chiado, aumentou agora a oferta com um Bottomless brunch. É diferente de tudo o que existia até aqui. A ideia é que seja a continuação ou princípio de um dia de festa. E que esta seja uma experiência mais glamorosa e requintada. O foco não está em fazer uma refeição descontraída entre o fim da amanhã e o princípio da tarde, que é uma das formas de definir brunch. É aproveitar essa tendência e transformá-la em algo mais. Daí que haja um bar aberto de cocktails e um DJ para fazer a ligação entre a refeição e o incrível espaço do Insólito.

Conhecido pela fabulosa vista sobre a cidade, este restaurante foi feito não só para ir comer mas para ficar a beber um copo, apreciar a vista em modo de festa. E o brunch que agora inaugura vem nesse sentido. Aqui, o próprio brunch é uma festa. Para acompanhar há três menus (paleo, fit e ressaca, este último o mais calórico), cujas combinações chegam em doses moderadas num elegante tabuleiro (€30). É um produto novo para conquistar a cidade.

Mais encostado ao rio Tejo, o Museu do Oriente tem uma versão mais familiar para quem gosta ficar com com a sensação de que provou tudo. Só mesmo a sensação porque tudo será difícil, já que este arrisca-se a ser o brunch mais completo da cidade (€20). Variedade é coisa que não falta. Tal como os pratos mais consistentes que podiam estar na ementa de um restaurante. E depois disso ainda há tudo o resto em diversas variedades. Perde-se a conta aos pães, empadas, croissants, almofadinhas, queques, baguettes, donuts, bagels, bolas de Berlim, pastéis de nata, maccarons, mousses, crepes, farturas, etc. É preciso continuar? Ah sim, ainda faltam os ovos — há uma estação de comida só para eles — e os bolos caseiros e a batata frita... Uma relação qualidade/preço/variedade muito difícil de ultrapassar.

Aqueles que querem ‘brunchar’ a qualquer hora do dia (sim, o verbo agora faz parte do nosso vocabulário) podem concretizar esse desejo no Wish Slow, na Lx Factory. Este novo espaço tornou-se conhecido pelas panquecas holandesas no início deste ano, mas entretanto foi alargando horizontes. Há dois tipos de desejos, a versão ibérica (€24) com uma tábua de queijos e enchidos, pães, croissants, iogurtes e frutas, patês e piza muffin e dá para dividir e a versão mini (€7).

MORADAS
Terrella Rua Ofélia Diogo da Costa, Porto
Insólito Rua São Pedro de Alcântara, 83, Lisboa
Rosa Et Al Townhouse Rua do Rosário, 233, Porto
Museu do Oriente Av. Brasília Doca de Alcântara Norte, Lisboa
Maria Bôla Rua de Cedofeita, 512, Porto
Wish Slow Coffee House Rua Rodrigues de Faria, 103, Lisboa
Mil Folhas Rua Hintze Ribeiro, 510, Matosinhos
The Traveller Caffé Rua de Passos Manuel, 165, Porto