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Depois do Guronsan, uma gota milagrosa

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Nelson Pires, diretor-geral da Jaba, fatura com o Guronsan €1,5 milhões por ano

José Carlos Carvalho

Aos 90 anos, a Jaba Recordati vai entrar no mercado da disfunção eréctil e está a apostar nas exportações

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Com nove décadas de vida, a farmacêutica Jaba anda à procura de soluções que melhorem as perspetivas de crescimento. A empresa fundada em Portugal, que há uma década está nas mãos do grupo italiano Recordati e que tem na sua carteira de produtos o Guronsan, vai lançar no mercado nacional o seu primeiro medicamento para a disfunção erétil, que deverá faturar €1,5 milhões no primeiro ano de vendas.

A nova aposta da Jaba Recordati é um medicamento sujeito a receita médica que já foi lançado em Espanha e França e que entrará em Portugal em setembro. Será, espera a empresa, uma gota de aplicação direta para concorrer num mercado disputado, que vale cerca de €20 milhões por ano, segundo o diretor-geral da Jaba Recordati, Nelson Pires.

O gestor acredita que o produto (cujo preço previsto é de €36, para uma embalagem com quatro doses das referidas gotas) poderá vir a beneficiar de comparticipação à taxa de 37% (a mesma que existe para o único medicamento para a disfunção erétil que já é comparticipado em Portugal, um injetável da Pfizer também sujeito a receita).

O lançamento de novos medicamentos é uma das linhas da estratégia da Jaba Recordati para contornar as limitações do mercado nacional, que nos últimos anos tem sido confrontado com sucessivas reduções administrativas dos preços. Outra linha de ação será o reforço das vendas internacionais.

A Jaba faturou €39 milhões em 2015 (quase 4% das vendas globais do grupo Recordati). Com 132 colaboradores, é a 15ª farmacêutica que mais vende em Portugal, segundo dados da consultora IMS Health. “O nosso objetivo é estar nas dez maiores companhias após 2020. E nos próximos três anos estar no 12º lugar”, adianta ao Expresso Nelson Pires. O que implicará, segundo o gestor, um crescimento anual das vendas de 7%.

Atualmente 10% das receitas da empresa vêm da operação internacional (em que se incluem Angola e Moçambique, entre outros mercados). Dentro de cinco anos a Jaba poderá faturar fora de Portugal até €15 milhões por ano.

O diretor da empresa reconhece que há na internacionalização vários desafios. “Angola está um mercado difícil”, assume, indicando que a Jaba tem tido atrasos de 9 a 12 meses no pagamento dos seus medicamentos. Mas também na Europa há contrariedades. A Jaba está sem acesso a um fármaco com o qual faturava €1 milhão por ano, porque foram detetadas falhas no controlo de qualidade do fabricante do medicamento em Espanha.

A companhia chegou a ter a sua própria produção de medicamentos em Portugal. A Jaba (acrónimo de José António Baptista de Almeida, fundador da empresa e avô do ator Joaquim de Almeida) foi comprada em 2006 pelo empresário Joaquim Coimbra e nesse mesmo ano revendida ao grupo Recordati. Em 2008, já sob controlo italiano, vendeu a fábrica que tinha em Portugal ao grupo Tecnimede.

Hoje a Jaba importa 52% dos seus medicamentos de fábricas da Recordati. O restante é comprado a fábricas portuguesas de medicamentos, como a Tecnimede, Generis, Azevedos, Medinfar e Basi. Contratar localmente “tem a vantagem da dimensão dos lotes, que em Portugal são mais pequenos”, explica Nelson Pires. “O que se fabrica em Portugal tem muita qualidade”, assegura o gestor. E a flexibilidade da compra de pequenos lotes compensa o facto de nem sempre as fábricas portuguesas terem os preços mais competitivos. Segundo Nelson Pires, há três anos que a operação nacional é rentável. Este ano a empresa deverá gerar um lucro de €2 milhões.