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Pesquisa identifica vírus zika no banal pernilongo

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Kevin Frayer/GETTY

Investigação inédita detetou a presença do vírus causador de microcefalia no Culex quinquefasciatus, que é como quem diz, no pernilongo conhecido de todos. Entretanto, aumentam os casos de microcefalia nos Estados Unidos

Até agora, nada na literatura científica provara a suspeita de que o vírus zika pudesse ser transmitido através do mosquito mais comum: o pernilongo. Mas uma investigação brasileira divulgada esta quinta-feira encontrou a presença de zika nos mosquitos Culex quiquefasciatus, vulgarmente chamado “muriçoca” pelos brasileiros.

Desenvolvida na Fundação Oswaldo Cruz de Pernambuco, a pesquisa encontrou o vírus de zika num mosquito cuja população é vinte vezes superior à do Aedes aegypti, o mosquito até agora identificado como o transmissor da infeção que tem assustado o mundo pela possibilidade de causar microcefalia nos bebés cujas mães tenham sifo infectadas durantes os primeiros três meses da gestação.

A pesquisa de campo foi desenvolvida em 80 grupos de mosquitos e, destes, três revelaram ter mosquitos infectados por zika. Na etapa de laboratório, os mosquitos das duas espécies foram alimentados com uma mistura de sangue e vírus, permitindo o acompanhamento do agente patogénico dentro do inseto. Um grupo de controlo, com mosquitos alimentados com sangue sem vírus, também foi mantido pelos investigadores. A seguir, cada mosquito foi dissecado para a extração de tecidos que representam barreiras ao desenvolvimento do vírus no intestino e da glândula salivar do inseto. Se tiver capacidade de transmissão, o vírus não é bloqueado pelo organismo do mosquito. Se for, o vírus dissemina-se pelo corpo do inseto e acaba infetando a glândula salivar, a partir da qual poderá ser transmitido a outros hospedeiros.

A investigadora responsável pelo estudo, Constância Ayres, num comunicado divulgado pela fundação, refere que "a partir dos dados obtidos serão necessários estudos adicionais para avaliar o potencial da participação do Culex na disseminação do vírus zika e o seu real papel na epidemia". O estado brasileiro de Pernambuco foi um dos mais afetados pelo zika.

Entretanto, também foi anunciado quinta-feira que já nasceram 12 bebés nos Estados Unidos com microcefalia em consequência da infeção materna com zika. E, segundo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americano, há 400 mulheres grávidas com evidências de terem sido infetadas por zika.

Tambem um doente francês passou a ser foco das atenções depois de ter tido vírus zika detetado no esperma, 93 dias depois dos primeiros sintomas da doença. A informação foi divulgada pela revista médica britânica "Lancet". O homem de 27 anos havia viajado para a Tailândia no final de 2015 e, como sofre de cancro, havia decidido congelar o esperma antes de iniciar o tratamento com quimioterapia, o que permitiu a deteção do vírus.

  • Madeira é exemplo de prevenção ao zika

    Até agora, 17 pessoas infetadas pelo vírus zika foram identificadas em Portugal. Todos casos importados: 16 do Brasil e um da Colômbia. A epidemia é o motivo da reunião de dezenas de especialistas na doença em Lisboa e a Madeira é um dos focos das atenções. Pelo risco que representa e pelo exemplo nas medidas de prevenção e combate que tem adotado