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Autoridades fazem buscas no banco de investimento da CGD e no ex-BESI

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Operação decorreu nas instalações do Caixa BI, banco de investimento da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa. Houve também buscas na Haitong (ex-BESI). Trata-se de uma investigação no âmbito da Operação Marquês e estará relacionada com a PT, nomeadamente a OPA da Sonae e o negócio da Oi. PGR confirma buscas

O Caixa BI, banco de investimento da Caixa, faz habitualmente assessoria financeira de operações de empresas com grande dimensão e privatizações. O Expresso sabe que as buscas decorreram durante a manhã desta quinta-feira. Na mesma altura decorreram também buscas na Haitong (ex-BESI), confirmou fonte oficial deste banco ao Expresso.

A operação liderada pela equipa do DCIAP do procurador Rosário Teixeira, realizada esta quinta nos dois bancos, estará relacionada com a Portugal Telecom e terá sido levantada documentação relacionada com operações efetuadas na sequência da oferta pública de aquisição (OPA) da Sonae sobre a PT e mais tarde a entrada desta no capital da Oi. A Procuradoria-Geral da República confirmou entretanto as buscas à sede do Caixa-BI e da Haintong, antigo BES Investimento.

"No âmbito da designada ‘Operação Marquês’ realizam-se buscas em duas instituições bancárias. Estas diligências têm em vista a recolha de elementos de prova relativos a serviços prestados pela Caixa BI e pelo antigo BESI (atual Haitong) a um cliente, não estando em causa a responsabilidade das referidas entidades", esclarece o gabinete de comunicação da PGR.

"Nestas diligências, o Ministério Público é coadjuvado pela Autoridade Tributária (AT) e pela Polícia de Segurança Pública (PSP). No processo, que corre termos no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), investigam-se factos susceptíveis de integrarem os crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais", acrescenta o comunicado.

Negócio investigado em Portugal e no Brasil

Os dois bancos de investimentos assessoravam habitualmente as operações realizadas pela PT. Tanto a Caixa como o BES eram acionistas do operador histórico português.

Ao que o Expresso apurou, estas buscas poderão estar relacionadas com operações realizadas no âmbito da OPA da Sonae sobre a PT, lançada em 2006, e chumbada em 2007, na sequência de uma Assembleia Geral (AG) para desblindagem de estatutos. A abstenção da Caixa Geral de Depósitos nessa AG, embora não fosse determinante, acabaria por influenciar o sucesso da oferta. José Sócrates, o principal arguido da "Operação Marquês", era primeiro-ministro. Na mira das autoridades judiciais poderá estar também a entrada da PT na Oi.

A operadora portuguesa entrou no capital da Oi em 2010, depois de ter vendido a participação que detinha na Vivo à espanhola Telefónica. Os espanhóis pagaram 7,5 mil milhões de euros pela posição da PT na Vivo, e poucas semanas depois a operadora portuguesa investiu cerca de 3,8 milhões na compra de 25% do capital da Oi, empresa que hoje está sob um proteção judicial de credores.

O negócio realizado entre as duas operadoras - depois do então primeiro-ministro José Sócrates ter usado a golden share (ações especiais) que o Estado detinha na PT para travar a venda da Vivo enquanto não houvesse uma alternativa para a operadora se manter no Brasil - tem estado a ser investigado pelas autoridades portuguesas e brasileiras.

Na semana passada, realizaram-se buscas domiciliárias e não domiciliárias em vários pontos do país, "designadamente em instalações de diversas sociedades do grupo PT, em residências de antigos gestores da empresa e num escritório de advogados". Nesta investigação, relacionada com a "Operação Marquês", foram feitas buscas a casas de Zeinal Bava, ex-presidente da PT e da Oi, e Henrique Granadeiro, também ex-presidente da operadora de telecomunicações.

Em causa estavam eventuais ligações entre circuitos financeiros investigados neste inquérito e os grupos PT e Espírito Santo. Não foram constituídos arguidos nessa operação.

[texto atualizado às 13h24]