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Europol: dois alegados terroristas detidos em Portugal

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Um dos referenciados pela Europol é Héctor José Naya Gil, de nacionalidade espanhola, detido em março de 2015 no aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto

rui duarte silva

Dados mais recentes da Europol revelam a existência de 211 ataques terroristas em toda a Europa, durante o ano passado. Inglaterra, França e Espanha foram os países mais atingidos. Mais de mil suspeitos foram detidos em todo o continente

Uma grande parte das detenções relacionadas com o terrorismo realizaram-se em França. Mais de 400 suspeitos foram presos naquele país, que é o segundo da Europa que mais ataques terroristas sofreu, segundo o último relatório da Europol, relativo ao ano de 2015. O Reino Unido foi o país mais atingido pelo terrorismo: 103 ataques, quase todos relacionados com a tensão na Irlanda do Norte.

Segundo a Europol, a maior parte dos detidos por suspeitas de terrorismo na União Europeia têm ligações ao jiadismo (687), tal como aconteceu em anos anteriores (em 2014 eram 395 e em 2013 foram detidos 216). Depois surgem as prisões de separatistas (168).

Em Portugal, os dois suspeitos ligados ao terrorismo detidos em 2015, e que estão referenciados no relatório, não estão ligados ao jiadismo, diz a Europol. Mas antes ao separatismo. Um deles foi o cidadão indiano, que era alvo de um mandado de busca internacional emitido pela Interpol. Foi detido no Algarve. Segundo as autoridades, Paramjeet Singh, preso em dezembro do ano passado, está ligado a um movimento radical independentista do Punjab, Índia, da região de Kalistan. O Governo português, que o considera um refugiado e não um terrorista, recusou repatriá-lo, em fevereiro deste ano.

O segundo detido referenciado pela Europol é Héctor José Naya Gil, de 33 anos, de nacionalidade espanhola, detido em março de 2015 no aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, quando tentava embarcar num voo para Caracas (Venezuela), com um passaporte venezuelano falso. O galego tinha sido condenado a 11 anos de prisão (5 anos por "participação em organização terrorista" mais seis anos por "colocação de artefactos explosivos com fins terroristas").

A Justiça espanhola provou que Héctor Gil foi o autor da detonação de duas bombas junto de antenas de radiotelevisão em Monte Sampaio de Vigo (Pontevedra), em agosto de 2012, e colocação de outras duas (bombas caseiras com quase 1,5 quilos de pólvora e recipientes de gasolina) que não rebentaram. Depois da detenção, o suspeito foi extraditado para Espanha, acabando por ser libertado no país vizinho.

Portugal e Espanha no mapa do Daesh

A Europol destaca também as "repetidas ameaças" do autodenominado Estado Islâmico (Daesh) a Portugal e Espanha, e considerou que ataques semelhantes aos de novembro, em Paris, podem ocorrer num "futuro próximo", na União Europeia.

Sobre a situação e tendência do terrorismo na União Europeia, em 2016, a Europol referiu, no capítulo sobre terrorismo 'jiadista' e o Daesh, que a organização tem "repetidamente ameaçado a Península Ibérica e os membros da UE da coligação anti-EI nos seus vídeos de propaganda, fazendo referências específicas à Bélgica, França, Itália e Reino Unido".

Os ataques de 13 de novembro, em Paris, que mataram 130 pessoas, introduziram uma tática para "causar mortes em massa", ao combinar o uso de armas pequenas com dispositivos explosivos improvisados, colocados em coletes suicidas. "A forma como estes ataques foram preparados e perpetrados -- planeados por repatriados, muito provavelmente a receber instruções da liderança do Daesh, incluindo o uso de recrutas locais para realizar os atentados - leva-nos à avaliação de que ataques semelhantes podem voltar a ser encenados na UE, num futuro próximo", refere o documento.

A França foi o país que mais sofreu em 2015, ao contabilizar 148 mortes e mais de 350 feridos em ataques realizados de janeiro a novembro. "Em 2015, assassinatos e ferimentos resultaram de ataques terroristas pouco sofisticados de lobos solitários e de ataques complexos e bem coordenados por grupos de militantes". O cuidadoso planeamento mostra ainda a "elevada ameaça para a UE de uma minoria fanática".

Este relatório mostra que o número de ataques "aumentou ligeiramente" em 2015, em relação a 2014. O serviço de polícia registou, no ano passado, 211 ataques entre ações falhadas, fracassadas ou completadas em seis países da UE, com quase metade (103) a ocorrer no Reino Unido, seguindo-se a França (72) e Espanha (25).

Dos atentados resultaram 151 mortos - 148 em França, dois na Dinamarca e um na Grécia -, traduzindo uma subida muito elevada em relação a 2014 quando quatro pessoas morreram e seis ficaram feridas. "Como em 2014, as armas de fogo foram usadas, em pelo menos metade dos ataques registados pelos Estados-membros. Explosivos foram usados em 24 ataques (22%), o que é a continuação do decréscimo do uso deste 'modus operandi' [forma de atuação]", lê-se.

No total, foram detidos 1077 indivíduos, contra 774, em 2014, com a maior parte a ocorrer em França (424), Espanha (187) e Reino Unido (134), tendo ainda o relatório notado que a maior proporção de detenções estão relacionadas com o terrorismo 'jiadista' (168).

As estatísticas publicadas referiram um aumento da detenção de pessoas com menos de 25 anos (268, em 2015, contra 178, em 2014, e 87, em 2013) e a quase duplicação de mulheres detidas: 171, no ano passado, contra 96, em 2014.