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Portugal investe €1,2 milhões para atrair turistas da saúde

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Metas do setor apontam para uma faturação de 400 milhões de euros/ano até 2020 e um investimento em promoção junto de mercados-alvo de 1,2 milhões, comparticipado em 85% por fundos europeus.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Após dois anos de estudos e missões-piloto, o Health Cluster Portugal vai apresentar, esta tarde, na Maia, o projeto 'Medical Tourism in Portugal - Health and Wellness', iniciativa que contará com a presença, entre outros, de Luís Portela, líder do cluster e presidente da Bial, de Ana Mendes Godinho, da secretária de Estado do Turismo, e de José Martins Nunes, presidente do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

De acordo com um estudo recente, o turismo médico poderá vir a faturar nos próximos três, quatro anos, 400 milhões de euros anuais, projeto que conta com um investimento global de 1,2 milhões de euros, comparticipado em 85% por fundos europeus no quadro de apoios comunitários 2020, para promoção do setor a nível internacional.

A aposta no turismo da saúde tem vindo a ser anunciada desde 2012, mas embora tenha figurado na agenda do anterior governo, Joaquim Cunha, diretor executivo do Health Cluster Portugal, considera que “de forma organizada ainda estamos a dar os primeiros passos”. O caso de Espanha, que o diretor-executivo afirma ter arrancado no terreno primeiro do Portugal, “é sem dúvida um modelo a estudar”. A estratégia nacional para o turismo da saúde do país vizinho será apresentada, esta tarde, por Mónica Figuerola Martín, diretora-geral da 'Spaincares', setor que faturará 500 milhões de euros anos.

“É bem conhecida, pela sua dimensão, a operação centrada nas ilhas baleares e dirigida ao mercado alemão, que conta já um bom par de anos. Outro exemplo de referência, e que também contará com algumas décadas é o cluster oftalmológico de Barcelona”, adianta Joaquim Cunha.

”Sem dados fiáveis de faturação” do setor a nível nacional, a Health Cluster Portugal aponta como meta, num horizonte de três a quatro anos, para valores anuais na casa dos 100 milhões de euros para turismo médico e de cerca de 300 milhões para turismo de bem-estar.

Apesar de o Health Custer Portugal não saber ao certo quantos turistas que visitam Portugal por razões de saúde, o diretor-executivo do setor refere que foram já identificadas duas tipologias principais de turistas, em função da sua origem: os europeus, que procuram procedimentos ligeiros, por regra sem internamento, como odontologia, estética, oftalmologia, fertilização assistida, obesidade ou check-ups, e os dos PALOP, que chegam em busca de tido o tipo de intervenções clínicas.

Para Joaquim Cunha, Portugal pode vir a ser diferenciador “na combinação e no bom equilíbrio” entre a qualidade dos cuidados prestados, “primeiro critério” e a oferta de bem-estar, desde a hospitalidade, clima e segurança ao preço.

Questionado sobre qual vai ser a estratégia para atrair mais pacientes-turistas, Joaquim Cunha adiantou ao Expresso que o Health Cluster Portugal está neste momento a implementar o MT Portugal (Medical Tourism in Portugal), projeto apresentado esta terça-feira na Maia e que tem por objetivo central a promoção do país como destino do turismo médico nos mercados internacionais. A promoção desta nova área de negócio irá ser feita, segundo o responsável, através de um conjunto de atividades “que vão desde a business intelligence até ações concretas de prospeção num número selecionado de mercados alvo”.

Numa primeira fase, os mercados a garimpar deste serão a Europa Central e do Norte, não dispondo neste momento o Health Cluster Portugal uma estimativa precisa de quantos turistas da saúde o país poderá receber anualmente em função das infraestruturas/estruturas existentes. “Mas julgo poder dizer que a nossa limitação não estará do lado das infraestruturas que facilmente se ajustarão à procura”, refere Joaquim Cunha.