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#PokemonGo. Socorro, estas criaturas invadiram-me o Facebook!

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FEBRE. Poucos dias bastaram para fazer deste o jogo mais popular de sempre para mobile

No filme desta história há muitas narrativas que se cruzam: há um condutor de 28 anos que perde o controlo do carro e esbarra contra uma árvore; há pessoas assaltadas enquanto saem para a rua à procura de bonecada virtual; há um sujeito que diz ter encontrado uma dessas criaturas na sala de parto onde a mulher deu à luz; há quem tenha ido parar ao hospital por jogar em locais perigosos; há uma jovem que encontrou um cadáver a flutuar num rio; há um britânico que viu a sua casa – uma antiga igreja – invadida por esta seita; há um neozelandês de 24 anos que se despediu do emprego para andar pelo país de telemóvel na mão; e há uma empresa (a Nintendo) cujas ações atingiram o valor mais alto desde agosto do ano passado. Pode não parecer, mas estes acontecimentos estão todos interligados. O responsável é o jogo do momento, o Pokemon Go

Se o nome não lhe parece estranho, é porque não é mesmo. Talvez se lembre das cartas com criaturas ficcionais que muitos trocavam nos anos 90. Ou das séries de televisão, dos filmes, dos jogos eletrónicos. Agora, 20 anos depois do lançamento da segunda série de jogos mais bem sucedida e lucrativa do mundo, aterraram também nos smartphones. Nove dias depois do lançamento nos Estados Unidos (chegou hoje a Portugal), o jogo de realidade aumentada tomou conta de ruas do mundo inteiro e das redes sociais. Que atire a primeira pedra quem nunca não viu o seu Facebook invadida por imagens e posts relacionados com o jogo.

Depois do cultivo de quintas virtuais (Farmville), a nova febre dos telemóveis é este jogo que leva os utilizadores a procurar monstrinhos virtuais usando a câmara e o ecrã dos telemóveis. Graças à realidade aumentada, podem cumprir um sonho antigo: sair do mundos virtuais e jogar no mundo real. Em poucos dias, a aplicação já tinha sido instalada em smartphones Android mais vezes do que o Tinder, a app de encontros mais popular do mundo. E tornou-se o maior jogo mobile da história, ao ultrapassar a saga "Candy Crush".

Por isso, se já está farto de ver referências ao Pokemon Go no Facebook, tenho más notícias: o pesadelo está só a começar. Para evitar dissabores, o Kremlin já avisou os jogadores para procurarem Pikachu e as outras personagens longe da residência de Putin. Mas há também quem tente surfar a onda da popularidade do jogo: a mais do que provável candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, vai caçar votos num popular Pokéstop (áreas onde é possível encontrar items dos jogo, como poções) em Madison Parkno, no Ohio. Será que a cartada compensa para pôr Trump fora de jogo?