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Os eSports são o desporto que se segue

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IMPARÁVEL. O mercado dos eSports já vale 500 milhões de dólares e até 2019 as audiências vão passar as barreiras dos 400 milhões de espetadores

JACOB WELLS

Na ressaca de uma noite única, o desporto tinha de ser o tema para esta coluna. A semana que passou ficou marcada por mais uma contratação futebolística. Não, não falo da ida do Nani para o Valência. O “futebolista” de que falo só joga em frente ao televisor e a sua magia não está nos pés, mas nos dedos. Kieran "Kez" Brown é inglês, joga FIFA (videojogo de futebol, propriedade da editora Eletronic Arts) na consola e foi contratado pelo Manchester City (ver AQUI).

O milionário clube britânico prepara-se para entrar nos eSports – competições desportivas baseadas em jogos eletrónicos. O City não é o primeiro. O também inglês West Ham e o Schalke 04, alemão, já fecharam contratos com jogadores e, no caso do Schalke, até será criada uma equipa para disputar aquele que é o “desporto Rei” dos eSports, o League of Legends (ver AQUI).

Em Portugal, fala-se que será o Sporting o primeiro clube a avançar para estas modalidades eletrónicas. A notícia foi avançada por um site internacional especializado em eSports ,que indica que o clube português terá uma equipa de FIFA e outra do tal League of Legends (leia ISTO). Mas qual será o interesse de grandes clubes de futebol nos eSports? E os que leva a ir além da “bola”?

Os números são como o algodão, não enganam. O ano passado, o campeonato mundial de League of Legends teve audiências estrondosas. Para ter uma ideia, a final, que decorreu em Berlim, teve 14 milhões de espectadores em simultâneo. Aliás, as finais da competição registaram 36 milhões de visitantes únicos. O site Statista avança que, até 2019, as audiências dos eSports vão continuar a crescer, devendo atingir, naquele ano, os 427 milhões – distribuídos entre os que veem com frequência e os que não perdem uma prova (dados AQUI). Os números são enormes. E o dinheiro abunda. Segundo a Deloitte Global, o mercado dos eSports vai valer, este ano, 500 milhões de dólares (eis a PREVISÃO) . Verbas que provêm dos eventos ao vivo (uma final pode atrair 40 mil espectadores no local e uns bons milhões online), dos patrocínios e, claro, da publicidade.

No entanto, nas suas previsões a Deloitte explica que apesar dos eSports continuarem a registar crescimentos anuais significativos, os desportos “reais” são, por enquanto, mais lucrativos. Num ano, o futebol europeu tem receitas de 30 mil milhões de dólares. Os eSports ainda só estão na fasquia dos 500 milhões de dólares. Os números são da mesma consultora e podem ser vistos no link já referido.

Qual é o público dos eSports? Diz a Deloitte que 75% pertence à tão desejada (pelos anunciantes, entenda-se) Geração Milénio. Têm entre 18 e 34 anos e são, na maioria, homens (82%). São estes os números que estão a chamar a atenção dos clubes de futebol. E não só. A Amazon deu mil milhões de dólares em 2014 pelo Twitch (AQUI), o site que mostra jogos a serem jogados em tempo real (que podem ser vistos, depois, em diferido).

É aí que, diariamente, milhões de espectadores passam horas a ver jogadores a… jogar! Aconselho-o vivamente a espreitar. O fenómeno, e é de um de um fenómeno que se trata, é tentar perceber como é que aqueles miúdos ganham tanto dinheiro com a publicidade que veiculam, os passatempos que fazem e os patrocínios que têm.

É este o ecossistema que o Sporting Clube de Portugal se prepara para abraçar. Será o primeiro clube de futebol nacional a fazê-lo. Mas será, certamente, seguido por outros. Já referi que o dinheiro que existe nos eSports ainda não bate o do futebol, mas já terá capacidade para faturar mais que as modalidades ditas “amadoras”.

Quem sabe se, em 2020, os jovens portugueses possam invadir o Facebook porque uma equipa nacional venceu o campeonato mundial de FIFA? Na altura, em vez de venerarem os saltos “everestianos” de Ronaldo vão, por certo, gabar a destreza de polegares de um adolescente imberbe que terá um qualquer nome de código impercetível para a maioria. Não, os tempos não serão tão glamorosos, mas não vão deixar de ter o seu encanto.