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Espião russo que comprou segredos da Nato a Carvalhão Gil libertado em Roma

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Sergey Nicolaevich Pozdnyakov, o russo detido em Roma há dois meses juntamente com o agente do SIS, Frederico Carvalhão Gil, foi libertado da prisão de alta segurança

A Justiça italiana decidiu libertar o agente Sergey Nicolaevich Pozdnyakov esta quinta-feira, depois de o russo ter passado quase dois meses numa prisão de alta segurança na capital italiana.

Sergey Nicolaevich Pozdnyakov tinha sido detido a 21 de maio na esplanada de um café na zona histórica de Roma, depois de alegadamente ter recebido documentos classificados da Nato das mãos de Frederico Carvalhão Gil, agente do SIS igualmente detido na mesma operação.

O agente da SVR, sucessora do KGB, ficou à guarda da embaixada russa em Roma. E já não deverá ser extraditado para Lisboa, como pretendiam as autoridades portuguesas.

Mário Murano, o advogado de Sergey Nicolaevich Pozdnyakov, explicou à imprensa italiana que "os juízes do Tribunal da Relação de Roma, ao rejeitar a entrega de Pozdnyakov para Lisboa, cumpriram uma solução jurídica." E acrescenta: "Evidentemente que as ordens judiciais emitidas por Portugal eram deficientes ao abrigo da legislação italiana que regula o mandado de detenção europeu."

A Operação Top Secret foi iniciada em novembro de 2015, depois de o secretário-geral do SIRP (Sistema de Informações da República Portuguesa), Júlio Pereira, ter comunicado ao Ministério Público e à Polícia Judiciária (PJ) um conjunto de suspeitas sobre Carvalhão Gil. O agente do SIS tinha sido fotografado por serviços secretos de um país ocidental a encontrar-se com Sergey Nicolaevich Pozdnyakov na Eslovénia no outono do ano passado. Em articulação com a PJ e o DCIAP, o SIS decidiu manter o agente em funções como analista de informação, de forma a que Carvalhão Gil não suspeitasse de que estava sob investigação.

O Tribunal da Relação de Roma não hesitou em dar luz verde ao processo de extradição para Portugal do espião português que foi apanhado em flagrante na capital italiana a traficar documentos classificados da NATO a 21 de maio.

Carvalhão Gil está indiciado dos crimes de espionagem, violação de segredo de Estado, corrupção e branqueamento de capitais.

Atualmente Frederico Carvalhão Gil está em prisão domiciliária, com pulseira eletrónica, uma semana depois de na semana anterior o juiz de instrução Ivo Rosa ter decretado a prisão preventiva para o ex-espião.