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Farmácias com dificuldades em aviar receitas eletrónicas

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David Clifford

Sistema do Ministério da Saúde tem falhado nos últimos três dias, obrigando muitos utentes a ficar à espera dos medicamentos

Costuma dizer-se que na ' farmácia há de tudo', mas nos últimos três dias tem sido difícil comprar o mais necessário: medicamentos. O sistema que serve de base à receita sem papel, da responsabilidade dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), tem sofrido falhas sucessivas desde terça-feira, impedindo muitos utentes de comprarem a medicação prescrita pelo médico e obrigando-os a regressar mais tarde à farmácia.

Ao início da tarde desta quinta-feira, os responsáveis da entidade pública responsável pela ferramenta informática garantiram ao Expresso que "o sistema encontra-se estável", admitindo que "nos últimos três dias, o projeto sofreu algumas interrupções". Segundo a Associação Nacional das Farmácias (ANF), nas manhãs de terça e quarta-feira passadas e entre as 9 e 11 horas desta quinta-feira.

Segundo o diretor de Sistemas Informáticos da ANF, Miguel Lança, "não foi possível de todo dispensar medicamentos aos utentes que apenas tinham um SMS, com o número da receita médica e o respetivo código de acesso". Melhor sorte tiveram os detentores de guia de tratamento, outra das modalidades de receita sem papel atualmente em uso no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

"Estas falhas são muito contraproducentes. O processo é extremamente útil, tem corrido muito bem – mais de metade do receituário, incluindo de médicos privados, já é sem papel – e isto é inaceitável", afirma o responsável da ANF. Na sua opinião, "uma possibilidade é abandonar a utilização do SMS até que o sistema fique estável para não abalar a confiança das pessoas" nesta ferramenta.

Ao Expresso, os responsáveis da SPMS garantem que "as falhas ocorridas encontram-se em processo de análise no âmbito de melhoria contínua dos serviços prestados". Salientam que, "diariamente, cerca de 10 mil médicos usam esta metodologia, contribuindo para os 86% de receitas desmaterializadas no SNS e 8% fora do SNS" e que "este crescimento exponencial exigem alterações e melhorias constantes nos sistemas de informação para garantir o crescimento sustentável deste projeto".

A receita sem papel é obrigatória no SNS desde abril deste ano.