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Duas empresas constituídas arguidas no caso da legionela

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Foi numa das torres de refrigeração da empresa Adubos de Portugal, em Alverca, que teve origem o surto de legionela de 2014

Marcos Borga

Há ainda sete administradores, diretores e técnicos que foram constituídos arguidos. Caso ocorreu há ano e meio, matando 14 pessoas e infetando 375 na região de Vila Franca de Xira

As empresas Adubos de Portugal (AdP) e a General Eletric são arguidas no caso da legionela, que matou 14 pessoas e infetou 375 na região de Vila Franca de Xira, em novembro de 2014. A informação, avançada pelo "Diário de Notícias", foi confirmada ao Expresso por fontes do processo.

A General Eletric era a empresa responsável pela manutenção da refrigeração das torres de refrigeração da AdP na altura do incidente que deu origem a 211 queixas-crime. Também foram constituídos arguidos sete administradores, diretores e técnicos dessas empresas.

A investigação foi realizada pela Polícia Judiciária e está nas mãos do DIAP de Vila Franca de Xira.

Em resposta ao Expresso, a General Eletric afirma: “Temos conhecimento de que a GE e quatro dos seus empregados foram constituídos arguidos no processo relativo ao surto de legionela que foi identificado em Vila Franca de Xira em Novembro de 2014. A GE está a acompanhar o tema e, como sempre, cumprindo todas as suas obrigações legais. Estando o processo em curso, naturalmente, a GE não tem outras declarações a fazer”.

Em novembro, um ano depois das mortes naquela região, alguns familiares e vítimas falaram ao Expresso sobre o caso.

“O meu pai foi internado num domingo com 40 graus de febre, julgando estar com uma gripe. Fui visitá-lo ao hospital na segunda-feira e morreu no dia seguinte com a doença do legionário. Foi surreal pois nada fazia prever a rapidez com que veio a falecer”, descreve Bruno Almeida, um engenheiro civil de 32 anos que mora em São João da Talha (Loures).

Inconformado com o que se passou com o progenitor de 60 anos, e ao assistir ao tormento da mãe, uma feirante que não tem reforma nem dinheiro para ser acompanhada por um psicólogo, promete “ir até ao fim”, caso o Ministério Público (MP) não acuse ninguém pelo que se passou no final do ano passado. “Alguém tem que ser responsabilizado, custe o que custar”, sentencia.

António Leitão, de 52 anos, chegou a ser dado como morto pelos médicos, mas sobreviveu. “Estive internado no hospital de Castelo Branco durante quase todo o mês de novembro e passei mais três meses na cama de minha casa”, conta o militar da GNR que mora na Póvoa de Santa Iria (Vila Franca de Xira).

A mulher, Maria Leitão, de 42 anos, seria também internada em Castelo Branco por causa do surto, mas nunca correu perigo de vida. Um ano depois, António faz as contas à vida e facilmente percebe que o saldo lhe é desfavorável. “Passei a fazer trabalho administrativo, pois canso-me facilmente e mal me posso mexer.” E remata: “Sinto-me uma pessoa mais limitada por causa da doença.”

A doença do legionário é provocada pela bactéria legionela pneumophila e contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.

[texto modificado às 18h33 de 13 de julho]