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Recuperação do Bolhão começa em tempo de férias e custa €27 milhões

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Recuperação do Bolhão custará €27 milhões e estará concluída em 2019

Rui Duarte Silva

Obras no mercado arrancam no dia 1 de agosto, para já apenas no exterior, e vão obrigar ao corte de ruas e só terminarão em 2019

Poderá ser o primeiro passo de uma longa e ansiada caminhada. As obras de recuperação do mercado do Bolhão, com um custo total de €27 milhões, vão por fim ter início a 1 de agosto, mas apenas no exterior. Só durante o primeiro semestre do próximo ano chegarão à fase decisiva de intervenção no interior, o que obrigará a encontrar um espaço alternativo para os comerciantes.

São trinta anos de espera. São trinta anos de promessas. São trinta anos de anúncios nunca concretizados. São trinta anos de frustrações. São dezenas de anos de acumulação de degradação, ao ponto de o mercado apresentar hoje um ar desolador. Não se chega a perceber, por vezes, se as multidões de turistas que todos os dias o visitam o fazem à procura de um exemplar de um certo tipo de arquitetura ou atraídos pelo ar decadente de um mercado empobrecido.

A recuperação do Bolhão era uma das promessas de Rui Moreira, como fora de Rui Rio, ou de Fernando Gomes, ou de outros presidentes de Câmara. Ao longo dos anos foram apresentados projetos de todo o tipo, alguns deles como o desenvolvido por Rio, destinados a desvirtuar por completo o espírito do mercado. A promessa de Moreira é a de que o Bolhão continuará, por definição, a ser um mercado de frescos tradicional, com manutenção da traça do edifício, que será modernizado e ao qual serão acrescentadas outras valências.

Para que isso aconteça, a 1 de agosto começam as obras no subsolo exterior. O objetivo é desviar algumas infraestruturas e, em particular, uma linha de água que atravessa toda a zona do mercado, para as ruas de Sá da Bandeira e Fernandes Tomás. É uma intervenção crucial para permitir uma outra fase, destinada a estabilizar o edifício e construir uma cave técnica.

Primeira empreitada dura 240 dias

Esta primeira parte tem um orçamento de €800 mil e é a única forma de assegurar a possibilidade de uma intervenção de fundo no edifício, declarada urgente desde os anos de 1980. A empreitada deverá durar 240 dias e vai implicar condicionamento do trânsito nos arruamentos adjacentes ao mercado. Assim, a partir do início de agosto será cortado o trânsito na rua Fernandes Tomás, entre Alexandre Braga e Sá da Bandeira. Serão criados dois sentidos na rua Formosa e eliminado um sentido em Sá da Bandeira, entre a rua Formosa e a Fernandes Tomás.

A criação de um espaço temporário para os comerciantes é uma das preocupações maiores do executivo portuense, uma vez que será necessário assegurar um local com boas condições de segurança e suficientemente atrativo para não implicar uma perda de clientes. Um documento da autarquia refere todos “os atuais comerciantes serão convidados a transitar para o mercado temporário e a regressar ao Mercado do Bolhão, já restaurado, em 2019, quando todo o processo estiver concluído”.

O Gabinete do Mercado do Bolhão reunirá a partir desta terça-feira com cada um dos comerciantes, no sentido de encontrar consenso quanto a uma possível solução.

Neste momento está em preparação o lançamento dos concursos públicos necessários para adjudicação das empreitadas seguintes, como a construção do túnel entre a rua do Ateneu Comercial do Porto e a futura cave do Mercado do Bolhão, bem como a empreitada geral de restauro e modernização do mercado. A obra pela qual todos esperam.