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1.392.155 pessoas pediram asilo à Europa. Nem metade conseguiu

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PHILIPPE HUGUEN/AFP/GETTY

Nunca tantos migrantes pediram proteção internacional na Europa, segundo o Gabinete Europeu de Apoio ao Asilo (EASO). A maioria é oriunda da Síria

Raquel Moleiro

Raquel Moleiro

em Bruxelas

Jornalista

O relatório anual sobre a situação do asilo na Europa em 2015, apresentado esta sexta-feira em Bruxelas, é um livro de recordes. O Gabinete Europeu de Apoio ao Asilo (EASO) revela que nunca tantos migrantes pediram proteção internacional na Europa: 1.392.155 pessoas num só ano, o número mais elevado desde que a UE começou a coligir estes dados, em 2008. Em relação a 2014, registou-se um inédito aumento de 110%.

Dominaram os requerentes da Síria (383.710, o triplo em relação ao ano anterior), dos Balcãs (201.405 da Albânia, Bósnia, Macedónia e Kosovo ) e do Afeganistão (196.170, uma subida de 359%, um quarto dos quais menores desacompanhados). E foi à porta da Alemanha (34%), Hungria, Suécia, Áustria e Itália que mais bateram.

Mas nem metade obteve resposta positiva. Alias só metade (624.160) consegui uma resposta. Destes, cerca de 240 mil receberam estatuto de refugiado, 60 mil proteção subsidiária e 27 mil proteção humanitária, a maioria sírios, apátridas e eritreus.

O ano de 2015 acabou com mais de um milhão de processos ainda sem decisão. O plano de recolocação criado de urgência pela UE, e que se propunha transferir de Itália e da Grécia mais de 160.000 requerentes de proteção, mal avançou. E mesmo este ano continua aquém das expetativas: até ontem os países membros apenas tinham recebido 2.030 migrantes. No âmbito deste acordo, Portugal acolhe atualmente 335 'refugiados', o segundo país mais participativo, só suplantado pela França.