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Cascais quer pôr mais gente a andar de bicicleta e transportes públicos

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Câmara de Cascais aposta no sistema multimodal de transportes e quer ter, até final de 2017, 70 quilómetros de ciclovias, 1200 bicicletas partilháveis e 1280 lugares de estacionamento automóvel gratuito junto às estações de transportes

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

O Presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreira, quer "resolver os problemas de mobilidade no concelho, com ganhos sociais, ambientais e económicos". Para atingir estes objetivos a autarquia, em parceria com o Centro de Engenharia e Investigação da Indústria Automóvel (CEIIA) elaborou o projeto "Mobi Cascais", apresentado, esta quarta-feira, no Centro de Congressos do Estoril.

A ideia é ter a funcionar a partir de setembro um sistema multimodal que abrange bicicletas, transportes públicos, carros privados, parques de estacionamento, e novas tecnologias.

"Quem vai de carro para Lisboa gasta cerca de 350 euros por mês, e com este sistema pode poupar 250 euros", afiança Carlos Carreiras, em declarações ao Expresso.

Até ao final de 2017, o autarca promete adquirir 1200 bicicletas partilháveis, mais que triplicar os quilómetros de ciclovias (dos atuais 19 quilómetros para 70 quilómetros) e criar dois mil postes ou docas de parqueamento das "Bicas". Para tal prevê um investimento de 2,5 milhões de euros. Quem tem bicicleta própria poderá parquear num destes pontos por 0,50 cêntimos ao dia ou três euros ao mês.

Para usarem uma destas bicicletas, os utentes podem pagar 1,99 euros à hora ou 10 euros ao mês. Há ainda a opção de escolherem comprar o passe mensal por 20 euros, com direito a uma "Bica", o estacionamento da mesma junto a uma paragem de autocarro e a viagem num dos "buses" municipais.

Passes menos caros?

Por negociar estão ainda os futuros passes que abrangem a deslocação nos autocarros da Scotturb ou nos comboios da CP, cujos preços o presidente da Câmara pretende "baixar".

"Queremos baixar o custo destes passes e estamos em negociações", afirma Carlos Carreira, aproveitando para enviar uma mensagem ao Governo. "Este sistema de mobilidade vai aumentar a procura do comboio e o Governo terá de tomar uma decisão e repensar o financiamento da linha de Cascais".

Carlos Carreiras estima que atualmente cerca de 8% da mobilidade no concelho é feita nesta linha mas que "pode vir a chegar a 25% nos próximos cinco anos".

Esta linha está "decrépita" e há dois anos falava-se na necessidade de investir 300 a 500 milhões de euros na sua modernização e na compra ou aluguer de carruagens e outro material circulante. O anterior Governo de Passos Coelho chegou a pensar concessioná-la a privados, mas o atual Executivo optou por candidatar a intervenção nesta infra-estrutura ao plano Juncker. "Este saco dá para tudo", critica Carlos Carreiras. Segundo o autarca, "com o défice excessivo, Portugal não poderá aceder a essas verbas".

O "MOBI Cascais" prevê também 1280 lugares de estacionamento automóvel gratuito junto às estações de comboios e novos autocarros municipais, financiados pelas tarifas de parqueamento, incluindo um "Surf Bus" para surfistas.

Carlos Carreiras sublinha também que este projeto envolve as novas tecnologias, uma vez que haverá uma aplicação digital que permite saber de horários de transportes e disponibilidade de Bicas e de estacionamento para estas, o que "contribuirá para atrair uma comunidade criativa e tecnológica com impactos económicos benéficos para o concelho.