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ACP: rede de radares “é positiva” mas dispositivos devem ser colocados em “pontos negros”

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Presidente do Automóvel Club de Portugal defende que radares não devem ser colocados em “autoestradas que não têm ninguém, só porque as pessoas passam depressa”, mas sim nas estradas nacionais onde acontece o maior número de acidentes

O presidente do Automóvel Club de Portugal considera "positivo" o novo sistema de radares, mas defende que os dispositivos devem ser colocados em locais onde há "pontos negros" e "não em locais onde sejam caça à multa".

O Sistema Nacional de Controlo de Velocidade (SINCRO) entrou em vigor esta quarta-feira, com a colocação do primeiro dos 30 radares da rede na A5, autoestrada que liga Lisboa a Cascais.

Para o presidente do Automóvel Club de Portugal (ACP), "o novo sistema de radares é positivo", mas Carlos Barbosa ressalva que o "grande ponto de discussão" é a localização dos dispositivos.

"É preciso ver com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), com a PSP e com a GNR quais são os sítios onde, efetivamente, há os maiores desastres e os maiores excessos de velocidade e colocar nesses locais os radares", diz Carlos Barbosa à agência Lusa.

Para Barbosa, os radares não devem ser colocados em "autoestradas que não têm ninguém, só porque as pessoas passam depressa", mas sim nas estradas nacionais, onde acontece o maior número de acidentes. É nestes locais que "deve haver bastantes radares, para que as pessoas tenham consciência de que não podem andar em velocidade excessivas nas estradas nacionais", defende.

Sobre as vantagens do novo sistema, Carlos Barbosa aponta que "vai trazer, pelo menos, mais prevenção e mais consciência aos condutores, que efetivamente não podem abusar da velocidade que é permitida por lei".

O presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), José Miguel Trigoso, também considera positivo o novo sistema, afirmando que "é um primeiro passo" para controlar a velocidade nas estradas e prevenir acidentes.

"É apenas um primeiro passo, porque os radares, para serem efetivamente eficazes", têm de ser em muito maior número "do que aquilo que vai ser montado", como acontece, por exemplo, em França, Espanha, na Alemanha, na Holanda e no Reino Unido, diz à Lusa o presidente da PRP.

Trigoso lembra a importância dos radares, explicando que o seu objetivo é, através do conhecimento da sua presença, mas não sabendo onde estão, fazer uma pressão no sentido de levar os condutores a manterem a velocidade limitada àquilo que é permitido em qualquer local".

O SINCRO é um sistema para deteção automática da infração de excesso de velocidade, sendo composto por uma rede de locais de controlo de velocidade criteriosamente selecionados, segundo o Ministério da Administração Interna (MAI).

Este sistema, que estará a funcionar em pleno em janeiro de 2017, vai contar com 30 radares móveis instalados em 50 locais considerados "extremamente críticos". Numa entrevista recente à Lusa, o secretário de Estado da Administração Interna disse que os 30 radares não vão ser fixos, rodando num sistema rotativo nas 50 cabinas, sendo a sua instalação aleatória.

A instalação da rede nacional de radares tem um custo de 3,19 milhões de euros, segundo a verba aprovada em fevereiro em Conselho de Ministros.

  • O Sistema Nacional de Controlo de Velocidade é composto por uma rede de locais, selecionados por seem considerados “extremamente críticos”. Os 30 radares não vão ser fixos, rodando, num sistema rotativo, em 50 cabinas, sendo a sua instalação aleatória