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Medicamento português para doentes com Parkinson comercializado até ao final do ano

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Alberto Frias

O grupo farmacêutico Bial desenvolveu ao longo de 11 anos um novo medicamento para doentes com Parkinson, que permite reduzir o tempo de rigidez incapacitante nas pessoas portadoras desta patologia

Após ter recebido a aprovação da Comissão Europeia para a introdução no mercado do fármaco intitulado Ongentys (opicapona) para o tratamento da doença de Parkinson, o medicamento deve começar a ser produzido em Portugal ainda durante este verão e até ao final do ano começará a ser comercializado na Alemanha e no Reino Unido. Este é o segundo medicamento totalmente desenvolvido pela BIAL e caracteriza-se por reduzir, em média, o período de profunda imobilidade dos doentes. O Ongentys deve ser administrado uma vez por dia e em combinação com outros métodos terapêuticos.

Depois de em 2009 ter lançado o Zebinix, um medicamento para o tratamento de epilepsia já disponível na Europa e nos Estados Unidos, o grupo farmacêutico português concluiu agora um processo de investigação levado a cabo durante os últimos 11 anos. O Parkinson é ainda uma doença sem cura, mas a aposta centra-se em formas de travar o avanço dos efeitos que afetam a qualidade de vida dos pacientes.

O Ongentys diferencia-se pela “elevada afinidade”, bem como pelo “efeito de duração sustentada”, destaca a empresa em comunicado. O produto foi submetido a 28 estudos de farmacologia humana e mais de 900 pacientes de 30 países testaram o fármaco. “Em termos gerais o Ongentys foi considerado seguro e bem tolerado”, lê-se no documento.

Em conferência de imprensa, o diretor-executivo da Bial António Portela assegurou que este medicamento, no qual foram investidos 300 milhões de euros para o seu desenvolvimento, possui um “perfil de segurança muito bom”, e revelou que o processo foi “bastante complexo” para cumprir as regras das autoridades competentes.

O responsável frisou igualmente que “tem havido nos últimos anos muito pouca inovação na área do Parkinson, que tem crescido nos últimos anos e não têm surgido grandes técnicas inovadoras”. Na opinião de António Portela, o Ongentys irá trazer “benefícios adicionais”, que se traduzem na redução das limitações causadas pela doença.

A venda do fármaco em Portugal ainda não tem data prevista, mas deverá ocorrer durante o próximo ano, uma vez que a empresa ainda terá de aguardar pela aprovação do Infarmed. Também em 2017, o medicamento deverá chegar a outros mercados.

Relativamente ao retorno do investimento efetuado no desenvolvimento do Ongentys, o diretor-executivo acredita que levará mais do que cinco anos e que “vai depender da adesão que houver”. No ano passado, as vendas da BIAL para o mercado atingiram os 50 milhões de euros, número duas vezes superior a 2014, e o grupo faturou 215 milhões de no total, revelou ainda António Portela.

Em Portugal 22 mil pessoas sofrem de Parkinson

Atualmente, estão disponíveis no mercado várias opções terapêuticas que visam a melhoria dos sintomas e sinais da doença de Parkinson. A levodopa é o tratamento preferencial para a retração da doença de Parkinson e é juntamente com este medicamento que o Ongentys deve ser utilizado.

Descrita pela primeira vez em 1817, a doença de Parkinson é neurodegenerativa, crónica e progressiva, e reduz as faculdades motoras dos seus portadores. Estima-se que em Portugal 22 mil pessoas sofram desta patologia e na União Europeia 1,2 milhões de pessoas são afetadas.

Os sintomas surgem habitualmente depois dos 50 anos e, por cada 100 mil habitantes, 300 podem vir a sofrer desta patologia. O diagnóstico da doença de Parkinson é baseado na observação clínica e pode ser realizado em pacientes que apresentam dois dos três sintomas: tremor em repouso, rigidez muscular e dificuldade na iniciação dos movimentos acompanhada de lentidão na execução.