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Bial suspende parceria com Biotrial

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Depois de ter perdido “largos milhões” com incidente em França, o laboratório farmacêutico português Bial anunciou a suspensão da parceria com a empresa francesa Biotrial

André Manuel Correia

A decisão de colocar entre parêntesis a colaboração entre a Bial e a Biotral surge na sequência do incidente ocorrido a 17 de janeiro, quando um grupo de seis voluntários franceses, selecionados pela empresa francesa, testaram uma molécula que atua no sistema nervoso, desenvolvida pelo grupo português. Na sequência deste processo acabou por morrer o cidadão francês Guillaume Molinet, de 49 anos.

O anúncio foi feito hoje aos jornalistas à margem da apresentação de um novo medicamento desenvolvido pela empresa portuguesa para o tratamento de doentes com Parkinson. O diretor executivo da Bial, António Portela, disse que “a parceria não acabou, mas está suspensa”.

Na opinião do responsável, este é um assunto “delicado” e o que aconteceu foi “lamentável”, pelo que “não serve de nada estar a atirar culpas de um lado para o outro sem se perceber bem o que aconteceu”. Apesar da suspensão da parceria, mantém-se uma cooperação entre as duas entidades para esclarecer as causas do sucedido. “Estamos numa fase em tentamos perceber com eles o que aconteceu. Há um trabalho de colaboração”, assegurou António Portela.

O diretor executivo da Bial afiançou igualmente que o laboratório ainda não teve acesso aos dados médicos do ensaio clínico realizado em França. “Aquilo que nós sabemos é que os dois relatórios que saíram das autoridades francesas são inconclusivos. Confirmam que nós cumprimos as regras que existem em termos de regulamentação e confirmam a surpresa por aquilo que aconteceu face ao desenvolvimento que foi feito”, acrescentou.

A molécula em causa foi desenvolvida ao longo de oito anos e testada anteriormente, sem qualquer registo de efeitos secundários para as pessoas que foram submetidas ao tratamento experimental.

Para António Portela, aquilo que aconteceu ainda constitui uma incógnita. “Houve quase 100 que a testaram sem qualquer problema e naquele último grupo de seis, há uma pessoa que não tem qualquer problema, há quatro com efeitos secundários e uma delas que veio a falecer”, denotou.

“Quando fazemos investigação temos consciência dos riscos que corremos ao fazê-la”, frisou o responsável. “Procuramos minimizar ao máximo os riscos, mas eles existem. Aquilo que aconteceu é muito difícil. Não nos temos alongado muito sobre o assunto, porque ainda não temos respostas cabais para dar”. Neste momento, decorre um inquérito aberto pelo ministério público francês para apurar as causas que levaram ao desfecho trágico dos ensaios realizados em Rennes.

António Portela avançou também que não será desenvolvido nenhum fármaco a partir dessa molécula, apesar de terem sido investidos “largos milhões” no projeto. “Nós abandonamos a investigação comercial dessa molécula, o que não significa que tenhamos deixado de investigar totalmente. É nossa obrigação encontrar explicações e continuamos a investir para perceber aquilo que aconteceu”, assegurou o diretor executivo da empresa portuguesa, fundada em 1924.