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Bem-vinda a Júpiter, Juno

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MISTÉRIOS. A Juno vai tentar desvendar alguns dos segredos mais bem guardados de Júpiter

foto nasa

Sonda da NASA entrou esta terça-feira na órbita do maior planeta do sistema solar. Vai agora recolher elementos que permitirão compreender melhor a origem e a evolução do gigante gasoso

Juno, welcome to Jupiter!". Eram 4h53 da madrugada em Lisboa quando a voz de Jennifer Delavan, da construtora aeroespacial Lockheed Martin, se ouviu no laboratório de propulsão a jato da NASA, em Pasadena, na Califórnia. Cinco anos e quase mil milhões de euros de investimento depois, a sonda da agência espacial norte-americana entrava finalmente na órbita de Júpiter, o maior planeta do sistema solar. A Humanidade nunca tinha estado tão perto.

Juno tinha acabado de percorrer 2,8 mil milhões de quilómetros e completara a fase mais difícil da missão, depois de ultrapassar com sucesso radiação intensa e um labiríntico campo de rochas espaciais. No centro de controlo da missão, os cientistas aplaudiram e abraçaram-se. "Acabámos de conseguir a coisa mais difícil que a NASA fez até hoje", desabafou aos colegas Rick Nybakken, o diretor de projeto da missão Juno.

Estava dado um passo decisivo para entender a origem e a evolução do gigante planeta gasoso, cuja massa é superior à de todos os outros corpos do sistema solar (é três vezes maior do que Saturno e tem 11 vezes o diâmetro da terra), à exceção do sol.

Não é a primeira vez que uma sonda da NASA estuda o planeta e as suas luas (a Pioneer 10 foi a primeira a visitá-lo), mas nenhuma outra missão chegou tão perto da superfície de Júpiter. Espera-se que Juno traga nova luz sobre a atmosfera, a composição interior, a magnetosfera e outros elementos do planeta. Os elementos recolhidos ajudarão, por exemplo, a calcular a quantidade de água e amoníaco que existe na atmosfera profunda; ou observar as brilhantes auroras do planeta. O objetivo principal "é saber a receita de que é feito um sistema solar", afirma o administrador da NASA, Charlie Bolden.

"A missão vai mergulhar nas camadas profundas da atmosfera de Júpiter para poder estudar em profundidade o campo magnético do planeta", explica Pedro Mota Machado, investigador do grupo de sistemas planetários do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço. Entre outras coisas, a sonda vai ajudar a construir uma estrutura tridimensional de Júpiter até à zona polar, afirma o astrónomo. "Esta zona é importante porque existe em Júpiter um fenómeno de auroras que são muito relevantes. Essas auroras irão permitir mostrar qual a interação que existe entre campo magnético do planeta e a composição da sua atmosfera".

O grupo português participa também na missão da NASA. Através de medições realizadas a partir do solo, conjugadas com observações espaciais, irá fazer um estudo de dinâmica dos ventos da atmosfera de Júpiter.

TRÍPTICO. A Terra vista a partir da Juno, em três perspetivas

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foto nasa

Nas próximas semanas, Juno vai realizar algumas órbitas iniciais em redor do planeta. Depois, a partir de novembro e durante 20 meses, realizará 33 órbitas científicas, com a duração de 14 dias cada, cuja trajetória foi definida para evitar a poderosa magnetosfera do planeta, 20 mil vezes mais forte que a da Terra. Se tudo correr como planeado, o regresso da sonda está previsto para 20 de fevereiro de 2018.

Lançada a 5 de agosto de 2011, Juno é a primeira sonda movida a energia solar (tem cerca de 19 mil células solares) e é uma das mais rápidas de sempre: pode atingir os 265 000 km/h. É cerca de 10 vezes mais rápida do que um vaivém espacial, por exemplo. Se viajasse à velocidade de um avião comercial, seriam precisos 342 anos para realizar a viagem que a levou até Júpiter.

  • Sonda Juno entra com sucesso na órbita de Júpiter

    Satélite foi lançado para o Espaço pela NASA há cinco anos com o objetivo de estudar a estrutura e os processos químicos do maior planeta do sistema solar, que terá nascido há cerca de 4,5 mil milhões de anos