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Operação Cavaleiro. Diretor do Museu da Presidência suspeito de desviar “bens culturais”

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Pedro Nunes / Lusa

Diogo Gaspar está indiciado por crimes de tráfico de influência, peculato, abuso de poder e falsificação de documento

Diogo Gaspar, diretor do Museu da Presidência, foi detido esta manhã pela Polícia Judiciária. De acordo com uma nota da Procuradoria-Geral da República (PGR), Diogo Gaspar será presente a um juiz de instrução criminal. Foram feitas buscas em vários locais, não só no próprio museu e na secretaria-geral da Presidência da República, em Lisboa, mas também em Portalegre, envolvendo oito magistrados e três dezenas de inspetores da PJ. O inquérito-crime, em que Diogo Gaspar é, para já, o único arguido, foi batizado de Operação Cavaleiro.

A Polícia Judiciária, numa nota publicada no seu site oficial, diz que "foram apreendidos relevantes elementos probatórios, bem como diversos bens culturais e artísticos que, presumivelmente, terão sido descaminhados de instituições públicas". O Expresso apurou que esta apreensão foi feito em casa de Diogo Gaspar.

Segundo um comunicado da PGR, o inquérito que levou à detenção do diretor do museu foi iniciado em abril de 2015. "Investigam-se suspeitas de favorecimento de interesses de particulares e de empresas com vista à obtenção de vantagens económicas indevidas e suspeitas de solicitação de benefícios como contrapartida da promessa de exercício de influência junto de decisores públicos", explica o Ministério Público. "Investigam-se, igualmente, o uso de recursos do Estado para fins particulares, a apropriação de bens móveis públicos e a elaboração de documento, no contexto funcional, desconforme à realidade e que prejudicou os interesses patrimoniais públicos".

Em causa estão indícios de terem sido praticados crimes de tráfico de influência, falsificação de documento, peculato, peculato de uso, participação económica em negócio e abuso de poder.

Diogo Gaspar, de 44 anos, foi condecorado com o grau de Cavaleiro da Ordem de Santiago, em 2014, pelo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva. Já antes, em 2006, tinha sido conderado pelo Presidente Jorge Sampaio com o grau de Comendador da Ordem Nacional do Infante D. Henrique. Em setembro de 2001 tornou-se coordenador do Museu da Presidência, tendo sido nomeado seu diretor em outubro de 2004.

Comunicado na íntegra da Presidência da República

“Confirma-se que as autoridades judiciárias desencadearam hoje buscas nomeadamente no Museu e na Secretaria-geral da Presidência, devido a suspeitas de atividades ilícitas por parte de um funcionário do Museu. Os fatos na origem do inquérito são anteriores ao atual mandato presidencial. O aludido funcionário, que goza evidentemente da presunção de inocência, é responsável do Museu da Presidência desde 2001, tendo sido condecorado por dois anteriores Presidentes. O Museu é administrativamente uma direção de serviços da Secretaria-geral.

O Presidente da República instruiu as Casas Civil e Militar e a Secretaria-geral para darem toda a colaboração possível às autoridades judiciais, em total transparência e abertura, e espera que a Justiça possa exercer rapidamente o seu papel. Mais instruiu o Conselho Administrativo e a Secretaria-geral para reforçarem as medidas, já em curso, de fiscalização, controle da despesa e luta contra atividades ilícitas, auditando sistematicamente a gestão orçamental.”