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Brexit “pode não ter sido uma bomba atómica, mas foi um terramoto”

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Marques Mendes é comentador de política da SIC

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Marques Mendes teme que a saída do Reino Unido da União Europeia possa levar a uma recessão na Europa

Helena Bento

Jornalista

O Brexit pode “não ter sido uma bomba atómica, mas foi um terramoto”. Foi assim que Luís Marques Mendes descreveu, este domingo à noite, a saída do Reino Unido da União Europeia. Na sua opinião, o resultado do referendo apresenta várias riscos para o país, como o risco de uma eventual paralisia política e económica, desintegração, com a Escócia a exigir, agora, um segundo referendo, enfraquecimento do país (“ao estar fora da UE tem menos peso”) e divisão interna. O Brexit “dividiu o país ao meio” e criou cisões “entre a zona rural e urbana e entre jovens e idosos”.

Mas também a União Europeia, com a saída do Reino Unido, terá muito a “perder”, tanto em termos de “equilíbrio” como de “unidade”, apontou Marques Mendes, que falava no seu comentário semanal na Sic. “Até agora, havia a ideia de que a União Europeia era indestrutível, mas isso mudou”. A UE, disse o comentador, poderá ter de lidar, em breve, com o chamado efeito dominó, em que outros países exigem igualmente apresentar referendos para a abandonar.

Também o “enfraquecimento da UE em relação à China e à Rússia” é um problema para o qual devemos estar preparados, considera Marques Mendes. Mas “o maior risco” tem a ver com a economia: “Acho que está criado um grau de incerteza tal, que pode levar a uma recessão na Europa”.

Questionado sobre as consequências do Brexit para Portugal, Marques Mendes diz que os efeitos dessa eventual recessão verificar-se-ão de “forma indireta” no nosso país, com a queda das exportações e do investimento, e as quebras no turismo, devido à desvalorização da libra. Apoiando-se, depois, nas previsões de alguns especialistas, o comentador disse que Portugal poderá mesmo ser um dos países mais afetados. Por outro lado, a possibilidade de haver sanções parece agora mais distante. “Acho que, depois disto, não haverá coragem para aplicar sanções”, considera.

Convidado a comentar as eleições espanholas, que decorrem este domingo, Marques Mendes considera que “é muito difícil haver um governo com maioria” e que, por isso, “há um risco de ingovernabilidade e de novas eleições daqui a uns tempos”. “Ou vamos ter um Governo fraco ou não teremos Governo algum”, acrescentou.