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A indústria dos videojogos está bem e recomenda-se

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Foi preciso esperar 22 anos para ver a Electronic Gaming Expo (E3) abrir as portas aos fãs. Até esta edição, aquela que é a maior feira de videojogos do mundo só se revelava a profissionais do setor. Mas quando viu alguns dos maiores editores a abandonar o evento (a Disney Interactive, a Wargaming e a Activision Blizzard) a ESA (Entertaiment Software Association), associação responsável pela organização do evento, decidiu abrir as portas aos gamers que não perderam a oportunidade de poder experimentar, em primeira mão, os jogos que vão chegar ainda este ano – e alguns que só vão concretizar-se no próximo.

Números oficiais revelam que a feira, que decorre em Los Angeles, recebeu 70 mil visitantes, 20 mil dos quais eram os tais fãs já referidos. Um número grande, sem dúvida, que representa um crescimento em relação ao evento anterior onde entraram na E3, 52 mil profissionais.

E o que apresentaram os maiores players do setor?

Microsoft corre atrás do prejuízo

A Microsoft continua a sua perseguição à Sony que lidera o mercado com a Playstation (nas suas várias versões) a ser a consola mais vendida no mundo. O fabricante japonês mantém mais de 50% de quota de mercado (quota de mercado com link) desde o ano passado. Na E3, a empresa “do Windows” anunciou que vai ter duas novas consolas. Uma Xbox One S, mais pequena e poderosa que a original, chega em agosto e tem capacidade para reproduzir vídeo em Ultra Alta Definição (o 4K) e suporta HDR (a tecnologia incluída nos televisores mais recentes que permite ter mais luz e pormenor nas zonas escuras e claras da imagem). Curiosamente, não suporta jogos em 4K. Situação que será resolvida com outra consola (sim, a empresa anunciou duas consolas) que, para já tem o nome de código “Scorpio”, vai chegar no próximo ano e que será a consola mais poderosa alguma vez lançada.

Mas é preciso não esquecer que a Sony e a Nintendo, apesar de não terem mostrado novas consolas (já lá vamos), podem sempre apresentar dispositivos com especificações semelhantes. E há algo de muito incongruente na estratégia da Microsoft: quem é que vai querer comprar agora uma Xbox One ou uma Xbox One S… sabendo que vai existir uma consola muito melhor nesse ecossistema já no próximo ano? Quem vai querer uma consola destas que não tem suporte para a Realidade Virtual? A única razão que é possível antecipar para alguém comprar um Xbox One S é poder ficar com um leitor de discos Blu-ray 4K. O que levanta outra questão: mas quem é que ainda compra filmes em Blu-Ray, quando os pode ver em serviços de streaming? Os números mostram que o streaming está a ganhar a batalha do consumo de conteúdos.

Outra questão importante na estratégia da Microsoft é perceber o levou a empresa a deixar o Kinect? O sistema que utiliza câmaras para analisar, em tempo real, tridimensionalmente o espaço que rodeia o jogador. Esta tecnologia, inovadora e ímpar na indústria dos videojogos, permite interações com os jogos sem usar qualquer tipo de acessório. Ou seja, apenas os movimentos do corpo. A consola agora anunciada, a tal Xbox One S, não tem suporte para o Kinect. Porquê? Porque a empresa já percebeu que vai ser a Realidade Virtual a ganhar espaço no mercado dos videojogos.

A Sony e a Realidade Virtual

A Realidade Virtual (RV) foi a principal atração da E3. A tecnologia imersiva estava presente um pouco por todo o lado com jogos e demonstrações a serem executados sobre os mais vários dispositivos que a suportam. No entanto, a Sony, que em outubro lança o seu sistema de RV, foi o fabricante que mais apostou no segmento com o anúncio do lançamento de o “Resident Evil 7” – um jogo que mistura ação com suspenso e terror - em Realidade Virtual. Mas, para quem gosta de gaming, a grande notícia foi conhecer o novo jogo de Hideo Kojima – ex-presidente da Konami e um dos ícones dos videojogos. Chama-se Death Stranding e conta com Normam Reedus, o Daryl de “The Walking Dead”, que foi totalmente digitalizado em 3D para dar corpo e voz à personagem central do jogo. Kojima, que tem uma parceria com a Sony, foi a estrela do evento onde o fabricante japonês aproveitou, ainda, para revelar mais jogos. No entanto, num uma palavra sobre a próxima Playstation – nome de código: Playstation Neo – que a empresa confirma estar a ser desenvolvida e que tem servido de alimento para centenas de rumores na Internet.

Nintendo: O poder de Zelda

A Nintendo também está a desenvolver uma nova consola – a Nintendo NX - que, infelizmente, não deu um ar da sua graça na E3. Este fabricante, à semelhança da Sony, também apostou totalmente nos conteúdos. E, com um portefólio tão vasto, foi o regresso de Zelda (o jogo já tem 30 anos!) que mais holofotes recebeu. “The Legend of Zelda: Breath of the Wild” foi a grande aposta da Nintendo para a E3. A empresa chegou a nomeá-lo como o «maior jogo alguma vez feito pela Nintendo». A versão para a consola Wii U só chega no próximo ano e promete uma aventura num mundo aberto – o jogador não tem um caminho predefinido para seguir.

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A fragmentação da Realidade Virtual

A RV está a tomar de assalto o mundo dos videojogos. Fabricantes e produtores de conteúdos encaram esta tecnologia como um impulso para vender novos equipamentos e, claro, mais jogos. No entanto, os vários atores do ecossistema estão a provocar a fragmentação tão comum ao mercado da produção de software. Passando a explicar. Os conteúdos desenhados para uma plataforma, não vão poder ser executados em outra. Ou seja, os jogos que vamos ver lançados para a Playstation VR não vão poder ser jogados em quem tenho outro sistema. Isto vai obrigar os produtores desses conteúdos a um esforço suplementar. Mas terá outro efeito: esses mesmos produtores só vão investir nas plataformas de maior sucesso. A relação causa-efeito deste condicionalismo leva-nos para um empobrecimento do ecossistema. Afinal, quem é que vai investir tempo para vender um jogo a poucos utilizadores? À medida que a Realidade Virtual for ganhando estabilidade, será interessante ver quais as plataformas ganhadoras. Nos jogos, seguramente, a Sony (que vai lançar já um equipamento e terá mais de 50 jogos disponíveis para essa plataforma) e todos os que desenvolverem para os computadores pessoais. O mundo do PC (Personal Computer – PC) está a equipar-se devidamente para suportar a tecnologia da HTC e da Oculus (empresa que pertence à Facebook) que já está disponível, embora os conteúdos sejam ainda escassos.

A partida dianteira da Sony (um ano de vantagem) pode deixar a Microsoft e a Nintendo em maus lençóis. Ambas só vão lançar equipamentos para RV em 2017. Um ano será suficiente para a Sony capitalizar produtores de jogos e utilizadores? Seguramente.