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Madeira é exemplo de prevenção ao zika

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ALVIN BAEZ/REUTERS

Até agora, 17 pessoas infetadas pelo vírus zika foram identificadas em Portugal. Todos casos importados: 16 do Brasil e um da Colômbia. A epidemia é o motivo da reunião de dezenas de especialistas na doença em Lisboa e a Madeira é um dos focos das atenções. Pelo risco que representa e pelo exemplo nas medidas de prevenção e combate que tem adotado

A Organização Mundial de Saúde (OMS) escolheu Lisboa para acolher esta semana, entre quarta e sexta-feira, uma reunião técnica sobre o vírus zika. Estão presentes 80 representantes de 22 países. O risco de contágio na Europa é considerado entre o baixo e moderado, mas os especialistas avisam que é preciso manter a atenção elevada.

Epidemiologistas, entomologistas, técnicos de diagnóstico laboratorial e de comunicação em situações de risco estarão debruçados estes três dias à procura das melhores práticas internacionais para, com base na experiência já desenvolvida em países do continente americano, onde a doença avançou primeiro, tentar conter qualquer conquista de terreno, por mais inicial que seja, do zika na Europa.

A responsável pela área de doenças Transmissíveis e Segurança de Saúde do Gabinete Regional para a Europa da OMS, Nedret Emiroglou, explicou nesta quarta-feira aos jornalistas que todos os 780 casos de infeção pelo vírus zika registados na Europa foram importados e que a região da Bacia do Mediterrâneo e do Mar Negro são as zonas mais críticas do continente europeu. Nestas, a Madeira mereceu especial destaque, não só por ter um nível de risco elevado, já que o mosquito transmissor do vírus (Aedes aegypti) existe na região autónoma desde 2012, quando ocorreu uma epidemia de dengue na ilha, mas também pelo que foram consideradas as boas medidas de prevenção e combate à doença. dos 17 casos já registados em Portugal, dois ocorreram na Madeira, um dos quais, pensa-se que por transmissão sexual.

Na última semana, o ministro da Saúde e o diretor-geral da Saúde deslocaram-se à Madeira para fazer um balanço da campanha de prevenção e combate, que passa, fundamentalmente, pelo combate à propagação do mosquito transmissor, pela capacidade de identificar a infeção em laboratório, detectando precocemente a sua presença e a divulgação ampla das medidas de proteção.

A responsável da OMS disse ainda que já se registaram três casos de microcefalia na Europa, dois na Espanha e um na Eslovénia. E, por isso,voltou a ser sublinhada a importância das medidas de prevenção do contágio, sobretudo entre mulheres grávidas ou em idade reprodutiva, que desejem ter filhos. Assim, o diretor-geral da Saúde, Francisco George, recordou a relevância de que estas mulheres evitem deslocações aos locais onde a transmissão do zika está identificada, com especial destaque para o Brasil, e lembrou a existência de um acordo com a TAP para que seja possível estas pessoas receberem um reembolso total do valor do bilhete, sempre que elas queiram desistir de viagens já compradas.

O vírus zika foi já identificado em 60 países, mas apenas um por cento dos viajantes internacionais deverão passar pelo Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos e a OMS considerou, por isso, que a realização doo evento na cidade brasileira não deverá aumentar muito a propagação mundial da doença. A 13 de julho, o ministro e o director-geral da Saúde vão reunir com o presidente do Comité Olímpico português para reforçar a divulgação das medidas de prevenção e proteção que devem ser tomadas pelos atletas e demais membros da comitiva nacional que estará presente nas Olimpíadas cariocas.