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Exame de Matemática A acessível mas muito extenso

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Numa primeira análise à prova realizada por perto de 50 mil alunos esta manhã, a Associação de Professores de Matemática considera que o grau de dificuldade foi semelhante ao do ano anterior, mas que o tempo exigido para a resolução dos exercícios pode fazer baixar as médias

Era o último grande teste para os alunos do curso de Ciências e Tecnologias nesta 1ª fase dos exames nacionais: o sempre trabalhoso exame de Matemática A, que contava com 49 mil inscritos, voltou a dar trabalho e, desta vez, até um pouco mais do que em 2015, considera Jaime Carvalho e Silva, da Associação de Professores de Matemática (APM).

“A prova do ano passado passou em todos os critérios. A deste ano também era equilibrada, acessível, percorria diferentes tópicos, apelava ao cálculo e ao raciocínio, tinha perguntas mais fáceis e mais difíceis como deve ser. Mas não passa no critério da extensão”, afirma o professor da Universidade de Coimbra, numa primeira análise à prova realizada esta quinta-feira de manhã.

Para o demonstrar, Jaime Carvalho e Silva diz que uma das provas resolvidas por professores da APM continha 13 páginas só de resoluções, fora os cálculos que também tinham de ser feitos nas perguntas de escolha múltipla. “É pouco tempo para tanta escrita. Se a dificuldade era equivalente à de 2015, a falta de tempo para rever ou para responder a todas as questões, ao contrário do que aconteceu no ano passado, pode penalizar os alunos. É previsível que isso tenha efeitos ao nível das classificações”.

Na 1ª fase de 2015, os alunos internos (que frequentam a escola todo o ano) tiveram 12 valores de média, um aumento significativo face aos 9,2 valores registados em 2014 e aos 9,7 de 2013. “Quando todos estão mais familiarizados com o programa é natural que os resultados melhorem”, considera o professor da APM.

Este ano, os estudantes que iniciaram o secundário já estão a aprender de acordo com o novo programa, aprovado pelo ex-ministro Nuno Crato e muito criticado pela APM.

Numa carta aberta divulgada esta semana, a APM fez questão de “reforçar uma vez mais que está em total desacordo com os atuais programas e defende a sua suspensão e substituição o mais rapidamente possível”. Isto porque, alegam, os novos programas (incluindo o do básico) estão a “aumentar o insucesso” e, no caso do secundário, a afastar os alunos das área das Ciências e Tecnologias e Socioeconómicas”.

O atual ministro decidiu criar dois grupos de trabalho para elaborar orientações sobre os dois programas, que devem entrar em vigor no próximo ano letivo e dar resposta às questões que têm sido levantadas pelos professores.

Provas de MACS e Matemática B “adequadas”

Também esta quinta-feira realizaram-se os exames de Matemática Aplicada às Ciências Sociais (para os alunos de Humanidades) e de Matemática B (cursos de Artes Visuais). Jaime Carvalho e Silva considerou ambas as provas “exequíveis, interessantes e adequadas”.

Para a próxima segunda-feira estão marcados os dois últimos exames da 1ª fase de 2016: Geometria Descritiva e Literatura Portuguesa.