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Carregamento sem fios: vantagem ou embuste?

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E ESTA? Um protótipo da Intel: uma taça capaz de carregar os aparelhos que lá são colocados

d.r.

Depois da popularização das redes sem fios e do Bluetooth, o carregamento wireless tem o potencial para nos livrar do único cabo que ainda é obrigatório

A funcionalidade de carregar sem recorrer a qualquer cabo não é propriamente nova no mercado – já em 2012 a Nokia vendia Lumias com wireless charging –, mas o crescimento recente do ecossistema está a popularizar esta tecnologia. Hoje há vários smartphones no mercado cujas baterias podem ser carregadas deste modo, diretamente ou via um acessório integrável no telemóvel. E se se confirmarem os rumores que o próximo iPhone vai ter carregamento sem fios… Bem, já se sabe o que acontece ao mercado quando a Apple adiciona determinada tecnologia ao iPhone. Mas até que ponto o carregamento sem fios é importante? Analisámos a tecnologia e apresentamos as respostas.

Prós e contras

A vantagem mais evidente é a facilidade extra em carregar sem ser necessário usar cabos. Até pode parecer coisa sem importância quando consideramos os nossos hábitos – ao fim de contas, não custa nada ligar o smartphone ao carregador ao fim do dia –, mas tudo muda quando consideramos as implementações que estão a ser feitas um pouco por todo o lado. Já testámos carros (BMW Série 7) e peças de mobiliário (Ikea) com wireless charging. Esta tecnologia já foi implementada por cadeias de restaurantes, em aeroportos, em salas de espera… Tudo aponta para que esta expansão de pontos de carga wireless continue, o que significa que é muito provável que dentro de algum tempo seja muito fácil carregarmos o telemóvel enquanto almoçamos num restaurante ou esperamos numa estação de comboios.

E mesmo numa utilização corrente esta funcionalidade pode fazer a diferença. Por exemplo, usar uma base de carregamento sem fios em cima da secretária permite manter sempre o smartphone carregado, o que significa que sentimos outra liberdade quando precisamos de sair. Sim, porque muitos smartphones atuais facilmente esgotam a bateria em menos de um dia de trabalho se a utilização for intensiva. Há também uma vantagem menos evidente: se diminuirmos o número de vezes que ligamos o cabo a um smartphone estamos também a diminuir as hipóteses de danificar os conectores, evitando assim uma das avarias mais comuns nestes aparelhos.

Mas também há desvantagens, a começar pelo custo extra da aplicação prática da tecnologia. É verdade que já existem exemplos de integração destes carregadores, mas ainda estamos longe de os encontrar na maioria das secretárias ou nas bases para portáteis. Regra geral, temos de comprar um carregador. A diminuição da eficiência da carga é outro contra. Apesar de o rendimento ter vindo a aumentar, há sempre uma perda associada à transmissão wireless, o que significa que este método de carregamento aumenta o tempo de carga e/ou o consumo energético. Há também quem aponte os possíveis perigos para a saúde criados pelos campos magnéticos, embora os fabricantes destes dispositivos salientem que as potências utilizadas e a distância de transmissão são muito reduzidas, o que impede quaisquer efeitos malignos. Muitos utilizadores apontam ainda a desvantagem de não poderem utilizar o smarpthone enquanto o mesmo é carregado.

Vale a pena?

Se valoriza as vantagens apresentadas, sim. É o nosso caso. Gostámos muito da experiência de ter o telemóvel sempre carregado em cima da secretária, usando o Samsung Wireless Fast Charger, e sempre que acordámos, usando um candeeiro do Ikea. Há uma certa satisfação em não ter de ligar o cabo e evita confusões, tanto na secretária como na mesa de cabeceira. Mas, por outro lado, em termos de rendimento a resposta é não. Basta analisar os resultados do nosso teste usando um Galaxy S6 Edge, o respetivo carregador original (de carga rápida) e um Samsung Wireless Fast Charger (também de carga rápida).

Começámos com o telemóvel com 20% de bateria e medimos o que aconteceu durante uma hora de carregamento. Usando o carregador tradicional a carga atingiu 97%, ou seja, a bateria ficou praticamente completa, utilizando 9 Watts hora (Wh) da rede elétrica. Com o carregador sem fios, ao fim de uma hora o indicador de bateria indicava apenas 65% e o medidor de consumo marcava 6 Wh. Isto significa que o carregamento wireless é bem mais lento e um pouco menos eficiente que o carregamento tradicional. Mais até do que os números parecem indicar, porque a parte final da carga é sempre mais lenta. Ou seja, a medição usando o carregador tradicional foi penalizada porque na fase final a bateria já estava com um nível de carga elevado. Aliás, nos primeiros 30 minutos o carregador tradicional conseguiu adicionar 50% de carga à bateria (dos 20 aos 70%) enquanto o carregador sem fios apenas conseguiu adicionar 20% de carga.

Como funciona

Um dos problemas do wireless charging é que não existe ainda um único standard. Ou melhor, existem vários. Mas, felizmente, tem havido uma evolução positiva neste campo. No mercado estão a ser utilizados apenas standards que funcionam com base na mesma tecnologia de indução (acoplamento magnético). Neste sistema, já utilizado desde há muitos anos em escovas de dentes elétricas, o carregador tem bobinas que, com a passagem da corrente elétrica nos fios enrolados na bobina, criam um campo magnético que, por sua vez, induz uma corrente nas bobinas existentes no aparelho a carregar. As duas diferenças entre os dois standard de transferência de energia sem fios usados em smartphones (Qi, o mais popular, e PMA) são as frequências de funcionamento e os protocolos de comunicação – são estes protocolos que são usados para reconhecer os aparelhos e fazer a gestão energética. Exatamente por isto existem smartphones e dispositivos de carga compatíveis com os dois standards.

Os fabricantes já estão também a criar standards para sistemas de transferência de energia que permitem maiores distâncias entre o carregador e o dispositivo a carregar (centímetros, e não milímetros). Neste caso é utilizada uma variante da carga, por indução, conhecida como acoplamento indutivo ressonante. Esta tecnologia permite, por exemplo, montar sistemas de carga por baixo de tampos de madeira. O que também vai permitir carregar outros tipos de dispositivos e em maior número. Por exemplo, uma secretária capaz de, simultaneamente, alimentar um computador portátil e um smartphone.

O contrário dos modelos anteriores, este carregador “senta-se” em cima da secretária, o que significa que o smartphone fica inclinado - e não deitado - enquanto recebe carga. Uma posição mais útil porque, por exemplo, permite usar a função de relógio noturno e apps sem ser necessário remover o telemóvel do carregador. Não é necessário colocar o smartphone “ao milímetro” na zona de carga nem remover capas (se forem utilizadas). Aliás, este aparelho foi criado para poder carregar smartphones de várias dimensões, quer sejam colocados na vertical, quer na horizontal. Algumas borrachas ajudam a mantar o telemóvel no sítio, evitando assim deslocamentos acidentais.

Como os números demonstram, a eficiência da carga é menor do que utilizando o carregador rápido padrão da Samsung. Mas, por outro lado, a simplicidade de utilização é muito bem-vinda. O preço parece-nos um pouco elevado de mais para as vantagens oferecidas.

Características

Designação: Samsung Wireless Fast Charger
Preço: €69