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San Blas. O paraíso selvagem

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Foto 1

Nestas ilhas situadas a leste do canal do Panamá vive-se segundo as regras dos Kuna, o povo indígena que gere e governa o território

Dizem que as melhores coisas da vida custam a alcançar. E que por isso sabem melhor. As 365 ilhas que compõe o arquipélago de San Blas são disso exemplo. O caminho até às águas quentes e cristalinas e à areia branca e fina é uma tortura. Da Cidade do Panamá, onde fica o principal aeroporto do país, até ao barco que nos leva para as praias são três horas de estradas feitas de pedras, buracos, lama e poeira. Só num jipe se sobrevive. Mas tudo se esquece ao chegar. Lembra-se daquela imagem do desktop do Microsoft Windows (foto 1) que mostrava uma praia de água cristalina, areia branca e palmeiras? Foi aqui tirada. É o autêntico paraíso selvagem, virgem. O oposto do turismo massificado.

Os kuna, os índios que habitam e gerem as ilhas, não tomam a iniciativa de ir ter com quem chega, mas são hospitaleiros. Depois de lhes conquistar a confiança é fácil arranjar alguém que nos traga um coco com iogurte, por exemplo. Eric Gomez, nascido e criado em San Blas mas com uns anos de vida na capital, é muito procurado. Trepa, pesca e cozinha com os produtos locais pratos tipicamente caribenhos e é um guia útil para fazer visitas de barco à ilha. Ele está sempre disponível nas redes sociais (instagram.com/turismo_a_sanblas) e os seus passeios têm um bónus: uma lição de história. Enquanto faz o percurso, vai contando e explicando como vivem os kuna. Eric tem por hábito terminar na maior piscina natural das ilhas (foto 2).

Foto 2

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Snorkelling e mergulhos são as atividades principais. Um dos destinos favoritos para quem gosta de explorar o fundo do mar é a ilha Perro (cão), onde está um navio de guerra encalhado. Se bem que ficar de papo para o ar seja o desporto nacional.

Antes disso, é preciso encontrar alguém, normalmente um guia, que negoceie diretamente com os kuna a receção e chegada. Basta perguntar em qualquer loja ou restaurante da Cidade do Panamá. Os estrangeiros são o principal sustento do arquipélago, para entrar é preciso pagar 100 dólares por um visto, mas os kuna orgulham-se da autonomia que têm em relação ao resto do país. Sim, fazem parte dele, mas têm regras próprias. Daí que seja preciso mostrar o passaporte antes de chegar ao porto de onde se embarca para o arquipélago (foto 3).

Foto 3

Foto 3

Água límpida e transparente, palmeiras, areia branca, sem ninguém. O relógio e a vida param por aqui. Existem alojamentos, uns bem simpáticos, mas em San Blas sê sanblasense. Isto é, vive o mais possível como se fosses um kuna. Isso implica dormir numa nas suas casas e comer o que o mar dá. O melhor é dormir ao relento, só com o som da água do mar. Mesmo quem esteja habituado aos melhores hotéis irá preferir ficar o dia todo na praia. Todas as ilhas, incluindo a capital El Porvenir, podem ser percorridas a pé. Não saia de San Blas sem trazer um mola, um lenço bordado pelas mulheres kuna.

Orgulhosos e autónomos

Orgulhosos das tradições, estes indígenas não estão alheados do mundo. A área é protegida e tudo é detido pelos kuna, que têm resistido às investidas das cadeias hoteleiras internacionais. O turismo é o ganha-pão dos kuna, que fazem questão que todos tenham as mesmas oportunidades de usufruir dele. A cada três meses uma família muda-se para a ilha de Chichimei, uma das que mais recebe estrangeiros, para ganhar dinheiro com os turistas. A força deste povo é tal que, em 2011, conquistaram um importante passo de autonomia: oficialmente, o arquipélago passou a chamar-se Guna Yala, em honra dos seus antepassados. Porém, podem continuar a chamar-lhe San Blas, os índios não se importam.

Passaporte

Como chegar - A Iberia voa de Madrid para a Cidade do Panamá
Onde ficar - O alojamento negoceia-se com os locais
Onde ir - À piscina natural, perto da ilha Cão
Onde comer - Há várias barracas de praia que servem lagosta acabada de pescar