Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

O fim dos balões no céu?

  • 333

© Mike Hutchings / Reuters

São cada vez mais os Estados, concelhos ou regiões que estão proibir o lançamento de balões de hélio. Porquê, afinal?

Se a cidade de Worcester, em Inglaterra, banir o lançamento de balões a hélio, como está previsto, irá juntar-se a uma série de outras localidades, em vários países, que proibiram a prática de pintar os céus às cores. Oxford, Brighton, Plymouth e Shetland, em Inglaterra, já não permitem a largada de balões em espaços públicos, assim como os Estados norte-americanos da Florida e da Virginia, e alguns locais na Austrália. A razão é a defesa da fauna. Os balões de hélio têm como principal problema o facto de cerca de 10% não rebentarem no ar e chegarem a terra relativamente intactos. Nessa altura, a principal ameaça é à fauna marinha - já que frequentemente aterram no mar. Tartarugas (que muitas vezes ficam com os balões presos na garganta, tornando-se incapazes de se alimentarem), golfinhos, aves marinhas e outros animais aquáticos foram mortos por restos de balões ou pelos fios e cordas a que muitas vezes vêm atados.

Num futuro cada vez mais próximo, imagens como estas poderão passar a ser uma raridade.

Num futuro cada vez mais próximo, imagens como estas poderão passar a ser uma raridade.

© Athar Hussain / Reuters

A Sociedade para a Conservação Marinha, assim como o Sindicato Nacional dos Agricultores e outras entidades, tem pedido a proibição desta prática, alegando que os despojos de balões no Reino Unido triplicaram desde 1996. A indústria dos balões defende-se, explicando que o látex é biodegradável - embora se tenha "esquecido" de dizer que esse processo pode demorar vários anos. Existe ainda outro argumento em prol do fim do lançamento de balões de hélio - é que este gás é um recurso natural finito. Um químico de Cambridge, Peter Wothers, declarou em 2012: "Posso imaginar, daqui a 50 anos, os nossos filhos exclamarem 'não acredito que usavam este precioso recurso para encher balões...'".

Esta lei só pretende ser aplicada em propriedades que sejam do domínio público - e não interferir na iniciativa privada das pessoas. Mas a verdade é que, até ver, nem as lanternas de papel (cuja queda na água também pode ferir ou matar a vida selvagem) são um substituto final para as largadas de balões. Talvez soprar bolas de sabão gigantes seja uma alternativa. A ver vamos.