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“O registo das vacinas vai ser eletrónico a partir de 2017”

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António Pedro Ferreira

O Governo quis e os peritos fizeram-lhe a vontade: os portugueses vão ter vacinas modernas. O novo Programa Nacional de Vacinação (PNV) é apresentado na segunda-feira e vai ser mais caro. Francisco George, diretor-geral da Saúde, garante que os ganhos compensam

Vera Lúcia Arreigoso

Vera Lúcia Arreigoso

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Jornalista

António Pedro Ferreira

António Pedro Ferreira

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O que muda no PNV em 2017?
O programa adquire uma dimensão inovadora, que coloca Portugal na linha da frente dos países da União Europeia. Moderniza e amplia de forma muito inovadora o PNV, desde o calendário aos objetivos.

Porque foi atualizado agora?
É o próprio Programa do Governo que anuncia a decisão, política, de mudar a vacinação durante a legislatura. E surgiram novas vacinas que decidimos incluir por estarem cientificamente comprovadas.

O atual PNV tem 13 vacinas. E o novo?
Teremos as mesmas 13 doenças protegidas mas com vacinas de última geração e algumas mudanças, como a introdução da vacina da tosse convulsa para a criança através da mãe.

Qual tem sido a taxa de cobertura?
De quase 100%. Continuamos no topo a nível mundial. As vacinas do PNV são gratuitas, sem receita médica e taxa moderadora e sem ser preciso o boletim. O registo das vacinas vai ser eletrónico a partir de 2017.

O PNV vai ser mais caro?
Ainda sem execução dos procedimentos concursais, estimamos que custe mais €5 milhões, ficando perto dos €30 milhões, para as 90 mil a 100 mil crianças que nascem todos anos. O aumento dos custos será compensado pelos resultados no que respeita às doenças infecciosas e ao cancro.

Quais?
A vacina do vírus do papiloma humano (HPV) vai cobrir nove genótipos, mais do dobro do que agora, com imunização para 90% dos vírus que estão na origem do cancro do colo do útero, vaginal, oral... transmitido pelo HPV através de relação sexuais. Há ainda outra vacina, para seis doenças e com uma única injeção. Será a primeira vez que teremos uma vacina hexavalente: tétano, difteria, tosse convulsa, meningite B, hepatite B e poliomielite.

E as grávidas vão ser vacinadas contra a tosse convulsa.
Essa é outra inovação. Tornar sistemática a vacinação da grávida, com uma vacina tripla que inclui a tosse convulsa, para proteger a criança. No ano passado tivemos duas crianças mortas com pouco mais de um mês de idade, porque a primeira vacina é aos dois meses. Vamos insistir para todas as mães serem vacinadas e passarem os anticorpos aos filhos.

Porque só agora optaram por vacinar as grávidas?
A vacina não estava indicada, foram os ingleses os primeiros a fazer o ensaio. A tosse convulsa antes dos dois meses é transmitida pelos adultos, sobretudo com mais de 50 anos por não estarem protegidos, pois não existia programa de vacinação. Além disso, sendo a tosse convulsa provocada por uma bactéria, a imunidade é menos duradoura.

Há antecipação das idades para vacinação. Porquê?
É uma escolha administrativa para fins de memorização. Depois do nascimento, os pais ficam a saber que há um novo ciclo aos cinco e aos 10 anos. No caso do HPV, sabemos que as raparigas ainda não iniciaram a atividade sexual e há a garantia de que vão estar protegidas.

E também para o tétano.
A imunidade passou de dez para 20 anos e a vacina passa a ser dada ao longo do ciclo de vida: 25, 45, 65, 75, 85. Há também outra questão: a BCG contra a tuberculose passa a ser para grupos de risco, sobretudo nas zonas suburbanas do Porto e de Lisboa. É uma questão geográfica associada ao risco na comunidade em que a criança vive.

E quem informa os pais?
O médico. A tuberculose baixou muito em Portugal e esta é a metodologia na Europa Ocidental, onde muitos países já nem vacinam os grupos de risco. Além disso, a BCG é uma vacina muito especial. Tem uma administração e uma proteção diferentes e está muito dependente do grau de incidência da tuberculose. Faz efeito quando há muitos bacilos e pouco quando são raros.