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Há dados atualizados para ajudarem pais e alunos a escolherem os cursos com menos desemprego

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David Clifford

Ensino superior. Portal Infocursos disponibiliza informação sobre o desemprego, desistências ou notas finais por curso, público e privado. A tendência para a feminização do ensino superior acentuou-se ainda mais no último ano. O número de estrangeiros caiu. Saiba tudo e veja a lista

O número de alunos que abandona o ensino superior no final do primeiro ano do curso caiu pelo terceiro ano consecutivo, fixando-se em 2015 nos 9,8% no caso das licenciaturas de instituições públicas e em apenas 2,3% no caso dos mestrados integrados. Os números são bem mais elevados no ensino privado, com a taxa de abandono a situar-se, em média, nos 13%.

Este é apenas um dos dados disponíveis na plataforma online Infocursos, criada há três anos, com o objetivo de dar mais informação sobre os cursos superiores em funcionamento e ajudar os alunos nas suas escolhas – o concurso nacional de acesso inicia-se no próximo mês, uma vez terminada a 1ª fase dos exames nacionais.

Outro dos indicadores disponíveis e que teve também uma evolução favorável prende-se com o desemprego, medido através do número de diplomados nos últimos anos e do número de inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Aqui a diferença entre os diplomados do ensino público e do privado é residual: 8,1% contra 8,8% no particular.

Serviço social lidera desemprego, em Medicina há trabalho para todos

As diferenças acontecem muito mais por área de estudos, com as licenciaturas na área de Serviço Social a registar a maior taxa de desemprego – chega aos 15% entre os licenciados em escolas públicas e ultrapassa os 17% entre os jovens que frequentaram universidades privadas.

No ranking dos cursos com menos oportunidades de trabalho para os licenciados seguem-se Arquitetura (13,4%), Psicologia (12,5%), Educação Básica (12,4%) e Jornalismo/Comunicação Social (12,3%).

infografia carlos esteves

No geral, o curso de Arquitetura na Escola Superior Artística do Porto é o recordista do desemprego: quase 40% dos jovens que se diplomaram entre 2010/11 e 2013/14 estão atualmente registados nos centros de emprego.

Por oposição, os estudantes de Medicina são os que menos têm de se preocupar com trabalho. A taxa de desemprego dos cursos de Medicina é de 0%.

De acordo com o Infocursos, Enfermagem é também das áreas com menos desemprego: só 2,9% dos que se licenciaram nesta área em instituições públicas entre 2011 e 2014 estão registados nos centros de emprego. Isso não significa, no entanto, que a vida seja fácil para os enfermeiros. Longe disso. Precariedade e baixos salários levaram quase 13 mil profissionais a emigrar só nos últimos cinco anos, segundo dados da Ordem dos Enfermeiros (OE).

Aliás, em cada 100 enfermeiros que se formam, 47 pedem à OE o certificado necessário para exercer a profissão no estrangeiro.

Domínio das mulheres aumenta

Ainda de acordo com os dados do Infocursos, a tendência para a feminização do ensino superior, registada há vários anos, continua a acentuar-se. Entre 2014 e 2015 (últimos dados disponíveis), o número de cursos onde as raparigas estão em maioria passou de 796 para 847.

No total, as mulheres representam 53% dos estudantes do ensino superior. E o domínio é mesmo esmagador em 485 cursos, com mais de dois terços de raparigas.

As licenciaturas na área da formação de professores são as mais feminizadas. No curso de Educação Básica do Instituto Politécnico de Santarém não há um único rapaz entre os 107 alunos. Enfermagem, Psicologia e Serviço Social estão também entre as áreas com maior domínio feminino.

Do lado oposto, encontram-se os cursos de Engenharia, em especial Mecânica, Eletrotécnica e Informática, onde a grande maioria dos estudantes são rapazes. No total, há 103 cursos, sobretudo destas áreas, onde as raparigas são menos de 10% e em sete licenciaturas não há mesmo nenhuma aluna.

Direito em Coimbra atrai mais estrangeiros

O número de alunos estrangeiros inscritos em Portugal diminuiu ligeiramente entre 2014 e 2015, passando de 15.241 para 14.470 em licenciaturas e mestrados integrados, do ensino público e privado.

O curso de Direito da Universidade de Coimbra é o que tem maior número – são 382 entre os 2188 inscritos em 2014/15. A seguir, surge o curso de Medicina Dentária do Instituto Universitário de Ciências da Saúde, uma universidade privada, com 169 alunos estrangeiros, entre os 653 inscritos.

Também há casos, como o do curso de Gestão de Negócios Internacionais no Instituto Politécnico de Bragança, nos quais mais de metade dos alunos tem nacionalidade estrangeira (39 alunos, num total de 56 inscritos).