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É dia mundial de Radiohead: quando o assunto é mobilizar e surpreender, eles não costumam desiludir

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NOVO ÁLBUM. “A Moon Shaped Pool” foi lançado online no início de maio. Esta sexta-feira chega às prateleiras das lojas por todo o mundo

PATRICK KOVARIK/AFP/Getty Images

O evento de streaming que os Radiohead agendaram a nível mundial para esta sexta-feira recupera o fascínio por “A Moon Shaped Pool”, disco que chega agora às prateleiras das lojas depois de ter sido lançado online há umas semanas. Em Portugal há dois espaços onde vai poder ouvir uma transmissão de áudio exclusivo durante duas horas e até ganhar prémios - o resto é (quase) segredo, ou não fosse isto sobre os Radiohead (sempre enigmáticos e imprevisíveis)

É seguro afirmar que os fãs de Radiohead contam com algumas vantagens em relação ao resto da população mundial. Desta vez não estamos a falar da etérea voz de Thom Yorke ou das boas críticas ao novo álbum, “A Moon Shaped Pool”, mas do espetáculo que envolve o lançamento de cada álbum e que desta vez parece atingir uma espécie de auge (é que no meio de todas as surpresas que a banda preparou, quase que nos esquecemos que há um álbum para comprar).

Embora o mundo da música já ande encantado com as novidades e as reedições de “A Moon Shaped Pool” desde o início de maio, quando a banda britânica orquestrou uma espécie de caça ao tesouro virtual e se apagou das redes sociais para lançar o álbum online, é a partir desta sexta-feira que quem prefere ter a versão física do disco pode ir buscá-la às prateleiras das lojas - e deliciar-se com o evento mundial que envolve este lançamento - porque, afinal, é de um álbum dos Radiohead que estamos a falar.

SURPRESAS. Banda preparou uma transmissão de áudio exclusivo e até sorteios de obras de arte em todo o mundo para celebrar a chegada do novo disco às lojas físicas

SURPRESAS. Banda preparou uma transmissão de áudio exclusivo e até sorteios de obras de arte em todo o mundo para celebrar a chegada do novo disco às lojas físicas

pATRICK KOVARIK/AFP/Getty Images

Quem está atento às novidades da banda de Thom Yorke sabe que depois de um lançamento misterioso em que os fãs foram provocados com cartas que chegaram por correio ou pequenos clips revelados no Instagram da banda, as surpresas não ficaram por aí. Desde que o álbum chegou à internet, os Radiohead têm mostrado que “A Moon Shaped Pool” não se faz apenas das 11 faixas que por esta altura já qualquer internauta ouviu, dos versos políticos de “Burn the Witch” às maravilhas revisitadas da já clássica “True Love Waits”.

As pistas que deixavam adivinhar que há muito mais a descobrir neste álbum começaram a surgir a 13 de maio, quando no Instagram da banda começaram a ser publicados vídeos de apenas 30 segundos que ilustravam cada uma das canções, segundo a “interpretação” de vários artistas convidados. O primeiro, realizado por Tarik Barri e a lembrar ondas sonoras que parecem pintadas num quadro, servia para dar cor ao piano do arranque de “Glass Eyes”.

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O processo para os videoclips versão 2.0 dos Radiohead parece ter sido como tudo o que envolveu este álbum - rápido, de surpresa, para surpreender. Oscar Hudson, o realizador que ficou encarregado de dar uma imagem a “The Numbers”, conta isto à “Pitchfork”: “Só ouvi um clip da música de 30 segundos. Nem sequer ouvi a música inteira. Foi antes do lançamento do ábum, por isso foi tudo o que tive para trabalhar”. O resultado mostra um homem que varre cinzas num quarto enquanto toneladas de areia caem atrás de si - “o tempo é a forma como os números enchem uma divisão, por isso pensei em encher o quarto dessa forma, como uma ampulheta”. As interpretações de Tarik Barri e Hudson são apenas duas das cinco que já foram publicadas, mas ilustram a diversidade de ideias e a criatividade com que este “A Moon Shaped Pool” foi concebido - assim como a complexidade: os 30 segundos de Hudson têm direito a 16 linhas de créditos.

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Outra das pistas que levaram ao megalançamento agendado para esta sexta-feira foi a publicação de 22 obras de arte diferentes no Instagram da banda britânica, da autoria do artista Stanley Donwood, o responsável por todos os posters e imagens desde o álbum de 1995 “The Bends”, assim como pela parte visual de projetos a solo de Yorke (Stanley foi mesmo das primeiras pessoas a ouvir o novo álbum, e em março adiantava à DIY que este era “uma obra de arte”). Além das imagens abstratas foram publicadas três fotografias de ruas a preto e branco, sendo as únicas que têm direito a (misteriosas) legendas: “Estás perdido”, “algo aconteceu” e “não há provas”.

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Tudo indica que o crescendo que a banda está a criar à volta do novo trabalho, que chega quatro anos depois de “King of Limbs”, vai chegar a um auge - e ganhar novo sentido - esta sexta-feira, dia do lançamento do disco em CD e vinil, mas sobretudo uma espécie de dia mundial dos Radiohead. Vão ser 274 as lojas a nível mundial que o vão acolher - em Portugal, pode deslocar-se à Flur, em Santa Apolónia, Lisboa, ou à portuense Tubitek, na Praça Dom João I.

“Este evento único vai acontecer a 17 de junho em lojas de discos a nível global. Inclui um dia inteiro de stream exclusivo de áudio da banda, concursos, obras de arte e muito mais”, anuncia o webiste dedicado ao disco, que sinaliza todas as lojas em que o evento vai decorrer. Para já, sabe-se que a banda “selecionou e disponibilizou música de ambiente pré-gravada”, que vai ser transmitida pelos sistemas de som de todas as lojas. Mais tarde, pelas 18h, começará a transmissão de duas horas de atuações ao vivo em Londres, incluindo o alinhamento do novo álbum e alguns êxitos antigos (alguns deles fazem parte do próprio “A Moon Shaped Pool”, ou não fosse ele também uma espécie de visita - ou encerramento - do passado).

Se a parte musical do dia já poderia convencer os fãs da banda a deslocarem-se à loja mais próxima, a verdade é que o quinteto preparou mais surpresas para este dia. Nestes espaços estarão à venda trabalhos de Stanley Donwood, mas haverá também sorteios a nível mundial que darão ao primeiro vencedor os figurinos criados especialmente para o primeiro videoclip do ábum, da música “Burn the witch”; os dois segundos colocados levarão para casa imagens de trabalhos de Donwood realizados para “A Moon Shaped Pool”; e os dois fãs que ficarem em terceiro lugar terão direito a uma cópia de 35 milímetros em celulóide de “Daydreaming”, o segundo videoclip do novo álbum, dirigido por Paul Thomas Anderson (o vídeo que mostra um Thom Yorke perdido por divisões e corredores confusos já foi exibido em vários cinemas norte-americanos, que receberam a fita com a mensagem “Fizemos um filme. Ficaremos felizes se o exibirem!”).

Quanto a mais pormenores sobre o dia dos Radiohead, será preciso aguardar pela manhã desta sexta-feira - como diz ao Expresso José Moura, um dos proprietários da loja Flur, “foi tudo mantido muito secreto” até para os espaços que vão receber o evento, a convite da editora do quinteto britânico. Para os proprietários, a expectativa é que a novidade traga à loja uma boa afluência, “sobretudo de pessoas que não são clientes habituais”. É que estamos a falar dos Radiohead - e quando o assunto é mobilizar e surpreender, eles não costumam desiludir.

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