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Oferta de manuais escolares pode deixar dois mil sem emprego

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Muitas das cerca de 600 livrarias portuguesas sobrevivem graças ao balão de oxigénio proporcionado pela venda dos manuais escolares, explica Vasco Teixeira, administrador da Porto Editora

A venda e o preço dos livros escolares têm sido um tema polémico nos últimos anos. Por um lado, as editoras reivindicam o retorno financeiro que estes trazem para a sobrevivência de livrarias. Do outro, as famílias portuguesas que gostavam de conseguir reutilizar manuais e poupar algum dinheiro.

Com as poupanças conseguidas com a renegociação dos contratos de associação, António Costa prometeu oferecer a todos os alunos a entrarem no primeiro ano do ensino básico os respetivos manuais escolares. Em entrevista ao programa “Terça à Noite” da Rádio Renascença, Vasco Teixeira, administrador do grupo Porto Editora, diz que esta iniciativa pode criar até 2000 desempregados e ter um “efeito dominó”.

Das cerca de 600 livrarias no país, Vasco Teixeira explica que metade podem encerrar caso a oferta dos manuais escolares avance nos moldes que até agora são conhecidos. Muitas destas livrarias sobrevivem graças ao balão de oxigénio proporcionado pela venda dos manuais escolares, explica. “Esta medida pode gerar mil a dois mil desempregados, destruir empresas de comércio local e dificultar o acesso à cultura”, diz.

Para o administrador da Porto Editora, as medidas do Governo “não têm sido claras nem bem explicadas” e lembra que estas não constavam do programa eleitoral.