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Handycam, uma espécie rara

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d.r.

As férias grandes aproximam-se: semanas a gravar vídeos para mais tarde recordar. E se valoriza a qualidade, o smartphone não é a melhor opção

Sim, sabemos perfeitamente que a Handycam é uma marca da Sony e que esta é uma câmara da Panasonic. Mas Handycam tornou-se o termo escolhido pelo mercado para rotular as câmaras de vídeo compactas. Câmaras muito comuns entre os finais dos anos 80 e início do novo século, mas que se tornaram uma espécie rara em consequência dos “predadores” que chegaram ao mercado: smartphones, máquinas fotográficas digitais e até câmaras de ação.

É bem provável que tenha uma Handycam guardada algures numa caixa, mas qual foi a última vez que a utilizou?

Faz sentido?

Sim, se é um ávido utilizador de vídeo. Na verdade, os concorrentes das Handycams referidos falham quase sempre em dois pontos: ergonomia e funcionalidade. Uma coisa é adaptar uma máquina fotográfica ou um smartphone ao vídeo, outra é utilizar uma câmara criada de raiz para esse fim. E isso nota-se nesta Panasonic. A ergonomia de segurar a câmara durante muito tempo, o controlo do zoom, a utilização do LCD ou do visor eletrónico…

Tudo ajuda a conseguir vídeos melhores e mais estáveis – neste campo, o estabilizador incorporado faz toda a diferença quando não há um tripé por perto. E temos acesso a uma série de ajudas extra para adicionarem um toque de cineasta aos vídeos. Como um sistema de zoom lento automatizado, que cria um efeito muito apelativo. Fazer o mesmo da forma tradicional é muito desafiante para um amador.

A função Dolly Zoom é mais difícil de definir e de usar, mas também tem um resultado interessante: faz o fundo, por trás do motivo principal, “mover-se” através da conjugação do zoom com o movimento da câmara. Um efeito que certamente já viu no cinema. Há também ferramentas para juntar momentos de câmara lenta ou de câmara acelerada às cenas.

“Fala” com smartphones

Esta Panasonic tem ainda outro truque na manga: a possibilidade de juntar vídeos transmitidos por smartphones via Wi-Fi. Pode controlar até três smartphones, e sobrepor a imagem de até dois (Picture in Picture) no vídeo que a própria câmara está a gravar. Claro que a app também pode ser usada no sentido contrário, isto é, para controlar a câmara via smartphones. Mas, infelizmente, o sistema não funcionou nada bem no nosso teste, com constantes perdas de ligação. Talvez tenha a ver com os smartphones que usámos, mas não ficámos convencidos.

Nesta câmara o 4K faz, de facto, a diferença. Além dos píxeis extra (mais resolução), a qualidade de imagem é muito convincente. É verdade que o sensor relativamente pequeno não tem nem o intervalo dinâmico (capacidade de lidar com cenas onde há zonas muito iluminadas e zonas muito escuras) nem a profundidade de campo (desfocar o fundo para realçar o motivo principal, por exemplo) que encontramos nos sensores maiores das câmaras fotográficas mais caras, mas o facto é que a qualidade de imagem em 4K é comparável ao que já vimos em câmaras mais profissionais (e muito mais caras). Por outro lado, a qualidade de construção (chassis em plástico) demonstra claramente que esta é uma máquina para amadores.

CARACTERÍSTICAS

Marca e modelo: Panasonic HC-VXF990
Preço: €1.099
Sensor: CMOS 1/2.3, 19 MP, 4K a 25/24p, 1080p 50p
Objetiva: 25x a 4k, 40x a 1080p (digital até 250x), F1.8-3.6. Estabilizador de imagem
Memória: Cartão SD (não fornecido)
Conectividade: USB 2, WiFi; Mic In, Audio Out, HDMI
Bateria: 1940 mAh
Dimensões: 68x78x163 mm
Peso: 400 g