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Marcelo emociona emigrantes. “Valeu a pena viver para ouvir isto”

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Marcelo Rebelo de Sousa cumprimenta emigrantes em Paris

PAULO NOVAIS / LUSA

António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa espalham emoção entre os emigrantes, que “são tão ou mais importantes” que os portugueses que vivem em Portugal. O 10 de junho, em Paris, também é histórico porque está a ser marcado por grande afeto

Via-se pessoas com lágrimas nos olhos e uma delas, o empresário Carlos de Matos, 65 anos, emigrante de sucesso (grupo Saint Germain), antigo habitante do imenso bairro da lata de Champigny, comentou ao Expresso: “Estou a viver uma segunda revolução, valeu a pena viver até agora para ouvir isto”.

Estávamos em Champigny-sur-Marne, onde alguns milhares de emigrantes assistiram à inauguração de um imponente monumento em homenagem ao antigo “maire”, Louis Talamoni. António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa tinham acabado de fazer dois discursos muito fortes e emotivos sobre a emigração portuguesa, exatamente no local onde, há mais 50 anos, os portugueses levantaram o maior barro da lata de que há memória em França..

Alguns dos presentes limparam lágrimas, comovidos. O primeiro-ministro chegou a comparar a saga da emigração portuguesa em França e noutros países com as Descobertas; o presidente avisou que os portugueses que vivem em Portugal vão ter de se habituar a estas homenagens (aos emigrantes) porque, disse, os portugueses que vivem fora do país “são tão ou mais importantes do que eles”.

“Ao menos fala com as pessoas”

“Adoro este presidente, é o melhor de todos, é um homem que ao menos fala com as pessoas, sabe falar com elas e nós compreendemo-lo bem”, disse José António Costa, outro grande empresário emigrante (AMG), ao Expresso.

A histórica comemoração do 10 de junho, em Paris, está a ser marcada por frases com assinaláveis elogios aos “portugueses de fora”, por muita emoção e pelo contacto direto de Costa e Marcelo com eles, em autênticos banhos de multidão. Este cunho irá certamente continuar hoje a dominar a visita na festa da Rádio Alfa, onde são esperadas milhares de pessoas.

O carinho e os afetos têm marcado os discursos oficiais e fez passar para segundo plano outros temas que têm sido evocados, como a xenofobia na União Europeia, o ensino da língua portuguesa em França ou as eventuais sanções europeias a Portugal.

Depois de terem estado, no dia 10, com o presidente François Hollande e numa receção com centenas de convidados na Câmara de Paris, a visita de ambos prosseguiu no sábado de manhã em Champigny e Créteil (nesta última localidade foi inaugurada uma rotunda com o nome de Armando Lopes, 72 anos, conhecido empresário emigrante e proprietário da Rádio Alfa).

À tarde, Costa e Marcelo deslocaram-se ao norte da França para homenagear os soldados portugueses falecidos em combate durante a primeira Grande Guerra e à noite tiveram um encontro com a seleção portuguesa que disputará o seu primeiro jogo no Euro de futebol na próxima terça-feira.

Marcelo também falou de futebol no seu discurso em Champigny e acrescentou: “A França é um país excecional, mas nós somos melhores do que eles, em tudo, Portugal é um grande país”.

Durante a visita foram condecorados sete portugueses e três franceses (ler em artigos relacionados).